quarta-feira, 10 de abril de 2019
A FLILOSOFIA E O COTIDIANO: ENGAJAMENTO POLITICO Professor José Maria de Oliveira Junior O pensamento filosófico brasileiro constituiu-se a partir do final do século XVIII, passando por sucessivas mutações, até ganhar a pluralidade de formas e correntes que possui em nossos dias. Contudo, não é possível falar de uma tradição intrinsecamente brasileira de pensamento, constituidora de um cabedal de idéias e de uma metodologia próprios. Em um país relativamente jovem, cuja porção letrada era formada por imigrantes europeus e seus descendentes, a filosofia em nosso país foi, em sua quase totalidade, influenciada por correntes européias, predominantemente pelo pensamento e cultura franceses. Os primeiros pensadores brasileiros de que se tem notícia adotavam as teorias sensistas e materialistas de Condillac e Cabanis, tentando conciliá-las com o espiritualismo eclético, veiculado, especialmente, por Victor Cousin. Dentre os adeptos deste direcionamento, destacam-se, no século XIX, Eduardo Ferreira França e Domingos José Gonçalves de Magalhães. Contrapondo-se a esta tendência, a filosofia tomista sempre encontrou expressão no Brasil. Seu principal órgão de difusão foram os padres jesuítas, cuja ordem chegou ao país na época mesma de seu descobrimento. Podemos citar, entre seus principais representantes no século passado, José Soriano de Souza e Vicente Cândido Figueiredo de Sabóia. O principal objetivo destes pensadores era empreender a crítica, a um só tempo, do materialismo e do espiritualismo reinantes entre os filósofos brasileiros de seu tempo, a fim de apresentar o pensamento escolástico como solução para resolver a contradição matéria-espírito, presente na obra dos filósofos criticados. Uma doutrina largamente difundida em nosso país durante todo o século passado, permanecendo atuante até as primeiras décadas deste século, é o positivismo. Seus adeptos exerceram influência não apenas filosófica, mas igualmente política, desempenhando importante papel na proclamação da República (vale a pena lembrar que o lema Ordem e Progresso, presente em nossa bandeira, é igualmente o lema do positivismo comtiano). Podemos citar, como seus mais eminentes adeptos, Benjamin Constant, Miguel Lemos e Teixeira Mendes. As correntes evolucionistas e culturalistas, em voga na Europa durante a segunda metade do século XIX, também encontraram-se representadas no Brasil. Seus principais divulgadores foram Tobias Barreto e Sílvio Romero, partidários do culturalismo alemão e do evolucionismo de Spencer, respectivamente. Podemos citar como o filósofo brasileiro de maior fôlego e originalidade Raimundo de Farias Brito, o maior representante da filosofia em nosso país. Este pensador procura desenvolver uma investigação de caráter próprio acerca dos principais temas filosóficos atrelados aos problemas existenciais: a verdade, a vida, a dor, a morte. Segundo Farias Brito, a moral e a finalidade última da filosofia; esta deve atender às inquietações intrínsecas ao ser humano. No princípio do século XX, vemos surgir Leonel Franca como um dos nomes mais representativos do pensamento filosófico deste período. Pensador neotomista, desempenhou importante papel na restauração e renovação deste pensamento, frente às questões trazidas pelas doutrinas materialista e espiritualista. O pensamento filosófico em nosso país foi, ao longo do século XX, ampliando seus horizontes e suas áreas de contato. Apesar de ainda não podermos falar em uma “filosofia do Brasil”, é possível abordar a filosofia no Brasil como sendo matéria de interesse crescente. Em nosso país, algumas universidades divulgam uma gama muito diversificada de correntes, ocorrendo estudos aprofundados e intercâmbios com os principais pensadores de nosso século. Podemos citar, como principais direcionamentos da investigação filosófica brasileira atual: a filosofia analítica, o pensamento existencial francês e alemão, as filosofias antiga e moderna, o marxismo, a ética, a epistemologia, a lógica, a filosofia francesa contemporânea.
O pensamento filosófico brasileiro
constituiu-se a partir do final do século XVIII, passando por sucessivas
mutações, até ganhar a pluralidade de formas e correntes que possui em nossos
dias. Contudo, não é possível falar de uma tradição intrinsecamente brasileira
de pensamento, constituidora de um cabedal de idéias e de uma metodologia
próprios. Em um país relativamente jovem, cuja porção letrada era formada por
imigrantes europeus e seus descendentes, a filosofia em nosso país foi, em sua
quase totalidade, influenciada por correntes européias, predominantemente pelo
pensamento e cultura franceses.
Os primeiros pensadores brasileiros de que
se tem notícia adotavam as teorias sensistas e materialistas de Condillac e
Cabanis, tentando conciliá-las com o espiritualismo eclético, veiculado,
especialmente, por Victor Cousin. Dentre os adeptos deste direcionamento,
destacam-se, no século XIX, Eduardo Ferreira França e Domingos José Gonçalves
de Magalhães.
Contrapondo-se a esta tendência, a
filosofia tomista sempre encontrou expressão no Brasil. Seu principal órgão de
difusão foram os padres jesuítas, cuja ordem chegou ao país na época mesma de
seu descobrimento. Podemos citar, entre seus principais representantes no
século passado, José Soriano de Souza e Vicente Cândido Figueiredo de Sabóia. O
principal objetivo destes pensadores era empreender a crítica, a um só tempo,
do materialismo e do espiritualismo reinantes entre os filósofos brasileiros de
seu tempo, a fim de apresentar o pensamento escolástico como solução para
resolver a contradição matéria-espírito, presente na obra dos filósofos
criticados.
Uma doutrina largamente difundida em nosso
país durante todo o século passado, permanecendo atuante até as primeiras
décadas deste século, é o positivismo. Seus adeptos exerceram influência não
apenas filosófica, mas igualmente política, desempenhando importante papel na
proclamação da República (vale a pena lembrar que o lema Ordem e Progresso,
presente em nossa bandeira, é igualmente o lema do positivismo comtiano).
Podemos citar, como seus mais eminentes adeptos, Benjamin Constant, Miguel
Lemos e Teixeira Mendes. As correntes evolucionistas e culturalistas, em voga
na Europa durante a segunda metade do século XIX, também encontraram-se
representadas no Brasil. Seus principais divulgadores foram Tobias Barreto e
Sílvio Romero, partidários do culturalismo alemão e do evolucionismo de
Spencer, respectivamente.
Podemos citar como o filósofo brasileiro
de maior fôlego e originalidade Raimundo de Farias Brito, o maior representante
da filosofia em nosso país. Este pensador procura desenvolver uma investigação
de caráter próprio acerca dos principais temas filosóficos atrelados aos
problemas existenciais: a verdade, a vida, a dor, a morte. Segundo Farias
Brito, a moral e a finalidade última da filosofia; esta deve atender às
inquietações intrínsecas ao ser humano.
No princípio do século XX, vemos surgir
Leonel Franca como um dos nomes mais representativos do pensamento filosófico
deste período. Pensador neotomista, desempenhou importante papel na restauração
e renovação deste pensamento, frente às questões trazidas pelas doutrinas
materialista e espiritualista.
O pensamento filosófico em nosso país foi,
ao longo do século XX, ampliando seus horizontes e suas áreas de contato.
Apesar de ainda não podermos falar em uma “filosofia do Brasil”, é
possível abordar a filosofia no Brasil como sendo matéria de interesse
crescente. Em nosso país, algumas universidades divulgam uma gama muito
diversificada de correntes, ocorrendo estudos aprofundados e intercâmbios com
os principais pensadores de nosso século. Podemos citar, como principais
direcionamentos da investigação filosófica brasileira atual: a filosofia
analítica, o pensamento existencial francês e alemão, as filosofias antiga e
moderna, o marxismo, a ética, a epistemologia, a lógica, a filosofia francesa
contemporânea.
Cara, sério. Vocês já pararam hoje pra imaginar a cena?
Domingo, você está dirigindo o seu carro com a sua família dentro dele. Seu filho de 7 anos está no veículo.
No caminho você se depara com uma blitz do exército.
Ok. Extremamente comum no Rio. Você passa por blitz o tempo todo e isso até te traz uma sensação de segurança.
Você segue seu caminho normal até que, vejam bem, até que os soldados começam a ATIRAR no seu carro.
Sem abordagem.
Eles simplesmente disparam e você só pensa em tirar a sua família dali.
Você tenta fazer a volta com o carro mas você já foi atingido e começa a ficar insconciente.
Você pede pra sua mulher correr e proteger o seu filho enquanto o EXÉRCITO SEGUE ATIRANDO mesmo sem você ter a possibilidade de reagir. Afinal, não é uma troca de tiros, você não está armado.
Sua mulher abandona o carro e pede socorro para o próprio EXÉRCITO afinal ela ainda acredita que essa entidade está ali para PROTEGER a sua família.
Mas por algum motivo eles ignoram a sua mulher e CONTINUAM ATIRANDO.
Sua mulher não apresenta resistência. Você, já morto, não apresenta resistência mas o EXÉRCITO CONTINUA ATIRANDO e por alguma patologia social acha que é uma boa ideia debochar da sua mulher e dos que assistem a cena.
Sua mulher não apresenta resistência. Você, já morto, não apresenta resistência mas o EXÉRCITO CONTINUA ATIRANDO e por alguma patologia social acha que é uma boa ideia debochar da sua mulher e dos que assistem a cena.
Após algum tempo ATIRANDO indiscriminadamente o exército percebe que, ora pois, não se tratam de bandidos. Não existe troca de tiros. Não existem armas. Não há confronto. Tudo que existe é um pai de família, NEGRO, morto e uma família desfeita.
O que acontece? O EXÉRCITO então resolve socorrer a família, certo?
Errado. Eles deixam a cena do crime enquanto são acobertados pela narrativa do CML de que teriam reagido a uma "injusta agressão" de criminosos armados.
O que faz o Governador do Estado? Ah, ele prefere ficar em silêncio pois sabe que seus militares estavam apenas cumprindo as suas ordens de "mirar na cabecinha e pow... pra nao ter erro."
O que faz o Ministro da Justiça? Ah, ele também prefere ficar em silêncio porque esse caso, assim como centenas de outros, pode prejudicar os seus projetos de lei que incluem a licença para matar
preto e pobre.
Texto de Natalia Balbino
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