terça-feira, 1 de novembro de 2016

IMPÉRIO BIZANTINO
O Império Bizantino foi herdeiro do Império Romano do Oriente tendo sua capital em Constantinopla ou Nova Roma. Durante o seu período de existência, o grande governante que teve em sua região foi Justiniano, um legislador que mandou compilar as leis romanas desde a República até o Império; combateu as heresias, procurando dar unidade ao cristianismo, o que facilitaria na monarquia.
Internamente enfrentou a Revolta de Nika (fruto da insatisfação popular contra a opressão geral dos governantes e aos elevados tributos), já no aspecto externo realizou diversas conquistas, pois tinha o objetivo de reconstruir o antigo Império Romano. Contudo, esse império conseguiu atravessar toda a Idade Média como um dos Estados mais fortes e poderosos do mundo mediterrâneo. É importante ressaltar que o Império Bizantino ficou conhecido por muito tempo por Império Romano do Oriente. No entanto, este não foi capaz de resistir à migração ocorrida por germanos e por hunos, o que acabou por fragmentar em reinos independentes.
Como população teve a concentração dos Sírios, Judeus, Gregos e Egípcios. Destacando-se três governadores durante todo império: Constantino (fundador de Constantinopla); Teodósio (dividiu efetivamente o império); e, Justiniano. Este durante o seu governo atingiu o apogeu da civilização bizantina. Pois, teve uma política externa; retomou vários territórios; modificou aspectos do antigo Direito Romano (o Corpus juris Civilis – Corpo do Direito Civil); e ainda, realizou a construção da Igreja de Santa Sofia, altamente importante por seu legado cultural arquitetônico.
Com a utilização de uma política déspota e teocêntrica, utilizou uma economia com intervenção estatal, com comércio e desenvolvimento agrícola. Além do mais, durante o período denominado por Império Bizantino, a economia era bastante movimentada, principalmente no comércio marítimo e sob o controle o estado. Sendo que, o seu controle deu-se por Constantinopla até o século XI.
A sociedade urbana demonstrou enorme interesse pelos assuntos religiosos, facilitando o surgimento de heresias, como por exemplo, a dos monofisistas e dos iconoclastas, e de disputas políticas.
No âmbito religioso, as heresias deram-se através do arianismo que negaram a Santíssima Trindade; além do caso do arianismo, teve ainda, a questão monofisista, esta nega a natureza humana de Cristo, afirmando que Cristo tinha apenas natureza divina (o monofisismo foi difundido nas províncias do Império Bizantino e acabou identificada com aspirações de independência por parte da população do Egito e da Síria); por fim, no tocante à iconoclastia, ocorre a grande destruição de imagens e a proibição das mesmas nos templos.
Durante o período que ficou conhecido por Cisma do Oriente, ocorre a divisão da Igreja do Oriente, a igreja divide-se em Católica Romana e Ortodoxa Grega.
DISCIPLINA PARA A VIDA.
CRÔ: XUXAAAAAAAAAAAAAAAAA!!
XUXA: chuchuchu chachacha, a minha mãe acabou de me chamar... Oi mãe
CRÔ: Não acredito que veio outro bilhete pra você!
XUXA: Bilhete? Tô nem sabendo de bilhete mãe... É um admirador secreto?
CRÔ: Se sua diretora for sua admiradora, é sim.
XUXA: shiiii, acho que ela nem é muito minha fã pra mandar bilhete não mãe.
CRÔ: Ô menina, se fala direito viu?!
XUXA: Direito, mãe (risos).
CRÔ: A aluna Xuxa Cristina teve mau comportamento na sala de aula, e por esse motivo levou uma advertência! Ah Xuxa, cadê sua disciplina menina?
XUXA: Matematica, português, que caderno você quer?
CRÔ: Eita, eu ainda te meto a mão sua moleca!
XUXA: Credo mãe, que violência!
(Mãe sai da sala nervosa...)
XUXA: Ai, não sei porque esse povo gosta tanto de me encher, é tudo eu, Xuxa pra cá, Xuxa pra lá, acham que sou um robô!
(Xuxa vai pra aula de inglês).
CRÔ: Essa menina não tem jeito, não tem disciplina nenhuma! Deus, me ajuda!
(Xuxa chega).
XUXA: Oi manhê!
CRÔ: Oi filha, como foi a aula?
XUXA: Foi bem... bem chata né?
CRÔ: Então vem lavar as louças para a mãe, vem.
XUXA: Pô mãe, se tem dois braços, pra que mais dois?
CRÔ: Menina! Me responde não!
XUXA: Se pergunto uai.
CRÔ: Some daqui, vai, anda.
XUXA: Ainda não tenho esse poder...
CRÔ: Não tem nenhuma disciplina essa menina, oh Deus! O que vai ser dela?
(Xuxa cresce.)
CARLA: Próxima!
XUXA: E aí? Tudo certo?
CARLA: Bem, e você?
XUXA: Vamos indo NE (risos)
CARLA: Pois bem, Xuxa Cristina, o que te traz até nossa empresa?
XUXA: Cara, preciso de dinheiro, quero uma torta ali na padaria e nem dinheiro pra isso eu tenho, tá foda.
CARLA: Você já trabalhou alguma vez?
XUXA: A minha cara de quem já fez alguma coisa.
CARLA: Tem experiência em que?
XUXA: Dormir, amo dormir.
CARLA: É impossível te contratar.
XUXA: Como impossível? Sou nova, bonita, inteligente, disciplinada.
CARLA: Disciplina? Você já ouviu essa palavra na sua vida? Isso é algo que você não tem, olha o seu linguajar, a sua forma de conversar, o seu comportamento!
XUXA: Que que tem? Olha você essa roupa ridícula, parecendo um pinguim.
CARLA: Suma daqui! Ou terei que chamar os seguranças.
(Xuxa sai resmungando: eu devia ter tido disciplina...)
DISCIPLINA:  De acordo com o dicionário, é qualquer conduta que assegura o bem-estar dos indivíduos ou o bom funcionamento. Isso é só um exemplo de uma pessoa que não adquire disciplina desde a infância. Nós somos o que queremos ser, e uma pessoa disciplinada é essencial para o bom funcionamento da humanidade!

A disciplina é a mãe do sucesso!
Motivo – Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O POVO E O VOTO


Professor José Maria de Oliveira Junior

Uma das finalidades da democracia é a participação do povo, que tem no voto a sua principal forma de demonstração política. Os partidos políticos no Brasil têm suas origens nas disputas entre duas famílias paulistas, a dos Pires e a dos Camargos, que formaram os primeiros grupos políticos rivais. 

O livre exercício do voto surgiu em terras brasileiras com os primeiros núcleos de povoadores, logo depois da chegada dos colonizadores. A primeira lei eleitoral, de 3 de janeiro de 1822, foi assinada pelo príncipe regente. A relação entre Estado e Religião, foi muito importante, sendo que algumas eleições eram realizadas dentro das igrejas. A expressão "partido político" só passou a incluir-se nos textos legais a partir da Segunda República. Até então, só se falava em grupos. A Independência do Brasil forçou o País a procurar o aprimoramento da lei eleitoral, no entanto durante todo o Império os códigos vigentes para as eleições foram copiados do modelo francês. 

O Código Eleitoral de 1932 instituiu a Justiça Eleitoral, que passou a ser responsável por todos os trabalhos eleitorais. O Código Eleitoral de 1932 permitiu a cidadania eleitoral às mulheres Além disso, regulamentou em todo o País as eleições federais, estaduais e municipais. Introduziu o voto secreto, o voto feminino e o sistema de representação proporcional, em dois turnos simultâneos. As inúmeras críticas ao Código Eleitoral de 1932 levaram, em 1935, à promulgação de nosso segundo Código, a Lei nº 48, que substituiu o primeiro.O voto direto e universal, que celebra a igualdade política dos homens, foi concebido pela primeira vez na França em 1848. 

As eleições, deste ano, serão realizadas em 1º de outubro.Vamos eleger o presidente da República e seu vice, anexado a sua chapa. Para senador, cada Estado vai eleger um candidato. O senador representa o Estado no Senado da República. O senador eleito será o que obtiver maior número de votos, independentemente do partido pelo qual se inscreveu. São três representantes, lembrando que o mandato de cada senador é de oito anos, renovável a cada quatro anos. O maior colégio eleitoral do país, que é São Paulo elegerá 75 deputados federais, representando cada Estado. Serão eleitos os mais votados de cada partido.Quanto aos deputados estaduais, São Paulo, terá 94 deputados. Devemos ter noção de que são os partidos que conquistam cadeiras, que são distribuídas entre os partidos que as conquistaram, elegendo-se os mais votados de cada legenda até preencherem o número das cadeiras conquistadas. 

O mandato do deputado eleito é de quatro anos. Haverá eleição também para os governadores em todos os Estados que serão escolhidos em primeiro ou em segundo turno, dependendo do número de votos obtidos. O eleitor poderá votar em candidatos de partidos diferentes para os cargos que estão sendo disputados.A obrigatoriedade do voto não é uma particularidade brasileira, pois Argentina, Austrália, Bélgica, França, México, Portugal, adotam o exercício do voto obrigatório. O voto é um direito do cidadão e a população não pode ser obrigada a exercê-lo, porém a prática do voto facultativo deve vir acompanhada de investimentos em políticas sociais e educação. Devemos lembrar que o voto significa a maneira de demonstrar a opinião num processo eleitoral, e é nossa voz para mudar um País.

sábado, 29 de outubro de 2016

Qual o significado do dia de finados na tradição cristã?


2 de novembro, dia dos fiéis defuntos. Para a Igreja católica não se trata de um feriado qualquer, mas de uma oportunidade de rezarmos  pelos entes queridos que buscam a plenitude da vida diante da face de Deus. Desde os primeiros séculos, os cristãos já visitavam os túmulos dos mártires para rezar por eles e por todos aqueles que um dia fizeram parte da comunidade primitiva. No século XIII, o dia dos fiéis defuntos passou a ser celebrado em 2 de novembro, já que no dia 1 de novembro era comemorada a solenidade de todos os santos.
A Igreja sempre celebra aquilo que provém de uma tradição, daquilo que é fruto de uma experiência de fé no seio da comunidade cristã. O professor de teologia da vida consagrada no Instituto Regional para a Formação Presbiteral do Regional Norte 2, Frei Ribamar Gomes de Souza, explicou que Santo Isidório de Servilha chegou a apontar que o fato de oferecer sufrágios e orações pelos mortos é um costume tão antigo na Igreja que pode ter sido ensinado pelos apóstolos. O Frei salienta ainda qual o significado do dia de finados, que para o Catolicismo é uma data tão importante.
“A comemoração de todos os fiéis falecidos evidencia a única Igreja de Cristo como: peregrina, purgativa e triunfante que celebra o mistério pascal”, disse.
O Frei também explica a esperança que deve brotar no coração dos cristãos, os quais são convidados a não parar na morte, mas enxerga-la na perspectiva da ressurreição de Cristo.
”Às vezes olhamos a nossa vida numa perspectiva de uma tumba que será fechada com a terra e com uma pedra em cima, mas para nós cristãos, Cristo está diante dessa pedra ele que é a Ressurreição e a vida. Ele olha através da pedra e ver a cada um de nós”, salientou.
Dia de finados e purgatório.
O purgatório que faz parte da doutrina escatológica da Igreja é a condição de purificação que as almas devem passar para apresentarem-se sem mancha diante de Deus. Ao contrário do que se pensa, não trata-se de um castigo, mas de uma intervenção da misericórdia de Deus. A doutrina do Purgatório veio definida no segundo Concílio de Lion em 1274. Frei Ribamar Gomes explica que este dia serve para rezarmos preferencialmente pelas almas dos purgatório, as quais precisam de purificação para adentrarem no Paraíso.
“O purgatório nos transforma na figura sem mancha, ou seja, no verdadeiro recipiente da eterna alegria. No purgatório a alegria do encontro com Deus que acontecerá, supera a dor e o sofrimento. Só não acredita no purgatório quem duvida da misericórdia de Deus. o verdadeiro significado do dia de finados só pode ser encontrado no amor de Deus”.

História Media

História Media
Quando falamos em Idade Média, é quase impossível não se lembrar daquela antiga definição que costuma designar esse período histórico como sendo a “idade das trevas”. Geralmente, este tipo de conceituação pretende atrelar uma perspectiva negativista ao tempo medieval, como sendo uma experiência de pouco valor e que em nada pôde acrescer ao “desenvolvimento” dos homens.
Para entendermos tamanha depreciação, é necessário que investiguemos os responsáveis pela crítica à Idade Média. Foi durante o Renascimento, movimento intelectual do período Moderno, que observamos a progressiva consolidação desta visão histórica. Para os renascentistas, o expresso fervor religioso dos medievais representou um grave retrocesso para a ciência.
Seguindo esta linha de pensamento, vemos que a Idade Média é simplificada à condição de mero oposto aos ditames e valores que dominaram a civilização greco-romana. Não por acaso, os renascentistas se colocavam na posição de sujeitos que se deram o trabalho de “sequenciar” o conjunto de traços culturais, estéticos e científicos que foram primados na Antiguidade Clássica e “melancolicamente” abandonados entre os séculos V e XV.
Entretanto, um breve e mais atento olhar ao mundo medieval nos revela que estas considerações estão distantes dos vários acontecimentos dessa época. Afinal de contas, se estivessem vivendo nas “trevas”, como seriam os medievais os responsáveis pela criação das primeiras universidades? Essa seria apenas uma primeira questão que pode colocar a Idade Média sob outra perspectiva, mais coerente e despida dos vários preconceitos perpetuados desde a Idade Moderna.
O desenvolvimento da cultura cristã, as heresias, as peculiaridades de um contexto político descentralizado, a percepção do tempo no interior dos feudos, as festas carnavalescas são apenas um dos temas que podem revelar claramente que esse vasto período histórico é bem mais complexo e interessante. Ainda há tempo para que estas e outras luzes permitam a reconstrução que os tempos medievais, de forma bastante justa, merecem.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

CONTRIBUIÇÃO DOS MAIAS, INCAS E ASTECAS PARA A DIVERSIDADE CULTURAL DOS POVOS DA AMÉRICA

Antes da chegada dos europeus, desenvolveram-se no México, na América Central e na região dos Andes civilizações complexas, que nos deixaram importantes registros de seus conhecimentos astronômicos, matemáticos, agrícolas, além de obras arquitetônicas e artísticas de grande refinamento e beleza. No restante das Américas, como no território que hoje corresponde ao Brasil, existiam comunidades indígenas nômades ou seminômades, que viviam basicamente da caça, da pesca e do cultivo de algumas espécies agrícolas, e tinham um modo de vida muito integrado a natureza.
As diferentes ondas migratórias, espaçadas no tempo, que caracterizaram a ocupação das Américas por povos vindos provavelmente da Ásia e da Oceania, explicam, em parte, a grande diversidade cultural aqui encontrada pelos europeus, entre os povos pré-colombianos havia centenas de línguas e culturas bem diferenciadas.
Estima-se que, no final do século XV, viviam na América cerca de 50 milhões de pessoas. Elas estavam distribuídas em sociedades muito diversas entre si, do ponto de vista cultural, política, econômica e social.
Durante muito tempo, pensou-se que as sociedades americanas fossem predominantemente tribais, sem nenhuma forma de centralização política. De fato, a forma tribal de organização foi comum em muitas regiões, mas hoje se sabe que outras grandes civilizações se desenvolveram no continente americano muito antes da conquista europeia.
Essas civilizações apresentavam algumas características comuns: agricultura como principal atividade econômica, favorecida por técnicas de irrigação do solo; o domínio de técnicas aprimoradas de artesanato; atividades comerciais; práticas religiosas politeístas; forte tradição guerreira; conhecimentos matemáticos e de astronomia.

Maias
As cidades maias
A civilização maia organizou-se como uma federação de cidades-estado e atingiu seu apogeu no século IV. Nesta época, começou a expansão maia, a partir das cidades de Uaxactún e Tikal. Os maias fundaram Palenque, Piedras Negras e Copán. Entre os séculos X e XII, destacou-se a Liga de Mayapán, formada pela aliança entre as cidades de Chichén Itzá, Uxmal e Mayapán. Esta tripla aliança constituiu um império, que teve sob o seu domínio outras doze cidades. O conjunto da cidade era considerado um templo. Os edifícios eram construídos com grandes blocos de pedra adornados com esculturas e altos-relevos, como os de Uaxactún e Copán.
A organização social dos maias
·         A sociedade maia contava em cada cidade-estado com uma autoridade máxima de caráter hereditário, dita halach-uinic ou "homem de verdade";
·         O halach-uinic designava os chfes de cada aldeia (bataboob), que desempenhavam funções civis, militares e religiosas;
·         A suprema autoridade militar (nacom) era eleita a cada três anos;
·         A nobreza maia incluía todos esses dignitários, além dos sacerdotes, guerreiros e comerciantes;
·         A classe sacerdotal era muito poderosa, pois detinha o saber relativo à devolução das estrações e ao movimento dos astros, de importância fundamental para a vida econômica maia, baseada na agricultura;
·         Os artesãos e camponeses contituíam a classe inferior (ah chembal uinicoob) e, além de se dedicarem ao trabalho agrícola e à construção de obras públicas, pagavam impostos às autoridades civis e religiosas;
·         Na base da pirâmide social estava a classe escrava (pentacoob), integrada por prisioneiros de guerra ou infratores do direito comum, obrigados ao trabalho forçado até expirarem seus crimes.
Os ritos
 Só podiam subir aos templos os sacerdotes, que formavam a classe mais culta. Os maias acreditavam descender de um totem e eram politeístas. A influência dos toltecas introduziu certas práticas cerimoniais sangrentas, pouco antes da decadência dos maias. Adoravam a natureza, em particular os animais, as plantas e as pedras. Cuidavam de seus mortos, colocando-os em urnas de cerâmica.
O calendário maia e a escrita
Os avançados conhecimentos que os maias possuíam sobre astronomia (eclipses solares e movimentos dos planetas) e matemática lhes permitiram criar um calendário cíclico de notável precisão. Na realidade, são dois
calendários sobrepostos: o tzolkin, de 260 dias, e o haab de 365. O haab era dividido em dezoito meses de vinte dias, mais cinco dias livres. Para datar os acontecimentos utilizavam a "conta curta", de 256 anos, ou então a "conta longa" que principiava no início da era maia. Além disso, determinaram com notável exatidão o ano lunar, a trajetória de Vênus e o ano solar (365, 242 dias).Inventaram um sistema de numeração com base 20 e tinham noção do número zero, ao qual atribuíram um símbolo. Os maias utilizavam uma escrita hieroglífica que ainda não foi totalmente decifrada.
A arte
A arte maia expressa-se, sobretudo, na arquitetura e na escultura. Suas monumentais construções — como a torre de Palenque, o observatório astronômico de El Caracol ou os palácios e pirâmides de Chichén Itzá, Palenque, Copán e Quiriguá — eram adornadas com elegantes esculturas, estuques e relevos. Podemos contemplar sua pintura nos grandes murais coloridos dos palácios. Utilizavam várias cores. As cenas tinham motivos religiosos ou históricos. Destacam-se os afrescos de Bonampak e Chichén Itzá. Também realizavam representações teatrais em que participavam homens e mulheres com máscaras, representando animais.
Astecas 
O Império Asteca
Os astecas pagavam tributos à tribo tepaneca de Atzcapotzalco. Em 1440, a agressividade dessa tribo causou o surgimento de uma tríplice aliança entre as cidades de Tenochtitlán, Texcoco e Tlacopán, que derrotou os tepanecas e iniciou sua expansão territorial pela zona ocidental do vale do México. Sob o reinado de Montezuma I, o Velho, os astecas tornaram-se um povo temido e vitorioso, ampliando seus domínios em mais de 200 quilômetros. Axayácatl, o sucessor de Montezuma, em 1469, conquistou a cidade de Tlatetolco e o vale de Toluca.
O Império ampliou seus limites ao máximo sob o reinado de Ahuízotl, que impôs sua soberania sobre Tehuantepec, Oaxaca e parte da Guatemala. Em 1519, sob o reinado de Montezuma II, houve o primeiro encontro com os conquistadores espanhóis.
A organização social dos astecas
·         Havia o imperador, que também era o chefe do exército;
·         Abaixo dele a sociedade era hierarquizada: sacerdotes e chefes militares compunham a elite da sociedade, seguidos pelos comerciantes e artesãos;
·         Mais abaixo estava os camponeses e os trabalhadores urbanos;
·         Exceto a elite, todos os astecas pagavam tributos ao imperador e podiam ser convocados a qualquer momento para trabalhos públicos;
·         Os artesãos e comerciantes também exerciam um papel importante na sociedade;
·         Havia também uma pequena classe de escravos: inimigos capturados em batalhas e que não eram mortos, mas serviam à administração militar e também auxiliavam nas obras públicas;

Os nobres

A sociedade asteca era rigidamente dividida. O grupo social dos pipiltin (nobreza) era formada pela família real, sacerdotes, chefes de grupos guerreiros — como os Jaguares e as Águias — e chefes dos calpulli. Podiam participar também alguns plebeus (macehualtin) que tivessem realizado algum ato extraordinário. Tomar chocolate quente era um privilégio da nobreza. O resto da população era constituída de lavradores e artesãos. Havia, também, escravos (tlacotin).

A religião

A religião asteca era politeísta, embora tivesse poucos deuses. Os principais eram vinculados ao ciclo solar e à atividade agrícola. O deus mais venerado era Quetzalcóatl, a serpente emplumada, criador do homem, protetor da vida e da fertilidade. Os sacerdotes eram um poderoso grupo social, encarregado de orientar a educação dos nobres, fazer previsões e dirigir as cerimônias rituais. A religiosidade asteca incluía a prática de sacrifícios. O derramamento de sangue e a oferenda do coração de animais ou de seres humanos eram ritos imprescindíveis para satisfazer os deuses.

Incas

As fortalezas incas

Os edifícios incas se caracterizam pela monumentalidade e sobriedade. Suas cidades eram verdadeiras fortalezas, construídas com grandes muralhas de pedra. Os incas eram mestres em cortar e unir grandes blocos de pedra; a cidade-fortaleza de Machu Picchu é o exemplo mais espetacular dessa arte. Machu- Picchu foi descoberta em 1911, no topo de uma montanha de 2.400 m de altura, numa região inacessível da cordilheira dos Andes. Outras construções incas importantes ficam em Cuzco e Pisac. Cuzco, a capital do Império, tem uma rígida planificação urbana em forma quadriculada.

Formas de vida

A organização social inca era muito hierarquizada. No topo estava o Inca (filho do Sol), que era o imperador; depois a alta aristocracia, à qual pertenciam os sacerdotes, burocratas e os curacas (cobradores de impostos, chefes locais, juízes e comandantes militares); camadas médias, artesãos e demais militares; e finalmente camponeses e escravos. Os camponeses eram recrutados para lutar no exército, realizar as tarefas da colheita ou trabalhar na construção das cidades, segundo a vontade do Inca. A família patriarcal era a base da sociedade, mas até os casamentos dependiam da autoridade máxima. O sistema penal era rígido e o sistema político extremamente despótico.

O trabalho agrícola

A terra era propriedade do Inca (imperador) e repartida entre seus súditos. As terras reservadas ao Inca e aos sacerdotes eram cultivadas pelos camponeses, que recebiam também terras suficientes para subsistir. A agricultura era a base da economia inca; a ela se dedicavam os habitantes plebeus das aldeias. Baseava-se no cultivo de um cereal, o milho, e um tubérculo, a batata. As técnicas agrícolas eram rudimentares, já que desconheciam o arado. Para semear utilizava um bastão pontiagudo. Os campos eram irrigados por meio de um sistema formado por diques, canais e aquedutos. Utilizava-se como adubo o guano, esterco produzido pelas aves marinhas. Possuíam rebanhos imensos de lhamas e vicunhas, que lhes forneciam lã.

Cultura e religião

O idioma quéchua serviu de instrumento unificador do império inca. Como não tinham escrita, a cultura era transmitida oralmente. Com um conjunto de nós e barbantes coloridos, chamados quipos, os incas desenvolveram um engenhoso sistema de contabilidade. Na matemática, utilizavam o sistema numérico decimal. Os artesãos eram peritos no trabalho com o ouro. Mesmo sem conhecer o torno, alcançaram um bom domínio da cerâmica. Seus vasos tinham complicadas formas geométricas e de animais, ou uma combinação de ambas. A religião inca era uma mistura de culto à natureza (sol, terra, lua, mar e montanhas) e crenças mágicas. Os maiores templos eram dedicados ao Sol (Inti). Realizavam sacrifícios tanto de animais como de humanos.
Povos Indígenas do Brasil
Estima-se que, quando os portugueses chegaram às terras que hoje chamamos de Brasil, viviam na região mais de 3 milhões de pessoas, falando mais de mil línguas. As diferenças culturais entre os diversos grupos indígenas eram imensas.
De acordo com a classificação linguística, os povos indígenas do Brasil se dividiam nos grupos tupi (ou tupi-guarani), caraíba e aruaque, além de grupos menores. Diversos grupos indígenas ainda vivem hoje de forma parecida à que se vivia na época do “descobrimento" da América. Outros fazem esforços para preservar suas tradições e manter suas terras.
Os povos indígenas estão espalhados por todo território. A maioria vive em terras indígenas, ou seja, terras de uso exclusivo dos índios, demarcadas e reconhecidas pelo governo federal. De acordo com a Constituição de 1988, os índios têm o direito de viver nas terras que tradicionalmente ocuparam. Além disso, garante-se aos índios a posse permanente e o uso exclusivo das riquezas do solo, dos rios, e dos lagos neles existentes.
Muitas terras indígenas estão localizadas em áreas ricas em recursos naturais, como madeiras e minérios, despertando o interesse dos não índios. As invasões às terras indígenas e a exploração de seus recursos por não índios têm sido causa de inúmeros conflitos, muitas vezes resultando em mortes.
Antes da chegada dos portugueses, os povos indígenas do Brasil viviam em aldeias, consumiam para sobrevivência, ou seja, não acumulavam excedentes, havia trocas comerciais sem utilizavam de moedas, os bens eram coletivos e não havia diferenças sociais.
Os primeiros contatos dos europeus com os índios brasileiros foram feitos com os tupis, que habitavam toda a costa atlântica. As aldeias tupis localizavam-se em áreas bem servidas de água, madeira e caça. Cada aldeia tinha uma população que variava de 500 a 3 mil pessoas, distribuída em quatro a oito habitações. Cada moradia tinha um líder, chamado principal. As relações entre as aldeias variavam de tempos em tempos: os aliados de hoje podiam ser os inimigos de amanhã. Os povos não tupis eram chamados de tapuias.
Os povos indígenas eram guerreiros. Frenquentemente, as batalhas eram provocadas por rivalidades entre tribos, muitas vezes decorrentes de eventos ocorridos em gerações ancestrais. Antes e depois das principais batalhas corpo. Nessas cerimônias, eles consumiam substâncias alucinógenas e invocavam os espíritos. O objetivo das guerras era capturar prisioneiros para vingar os antepassados, e não exterminar os povos inimigos ou ocupar territórios.
A “conquista” da América representou um dos maiores genocídios (assassinato em massa que leva à extinção ou quase de um determinado grupo étnico) registrados na história da humanidade. Milhões de índios morreram e diversos grupos desapareceram, vitimas principalmente de massacres, doenças trazidas pelos europeus e suicídios.
, celebravam-se cerimônias, nas quais os guerreiros tatuavam várias partes do
Referências:
BOULOS Júnior, Alfredo. História: sociedade e cidadania, 7.ano. São Paulo: FTD, 2009.(Coleção História: Sociedade & Cidadania).
BRAICK, Patrícia Ramos. História: das cavernas ao terceiro milênio. 2.ed.São Paulo: Moderna, 2006.
PROJETO ARARIBÁ: história/organizadora Editora Moderna; obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editora responsável Maria Raquel Apolinário. 2.ed. São Paulo: Moderna, 2007.










quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O Espaço dado à mulher no início do século XIX

Para percebermos melhor o papel que Lucíola e Aurélia desempenharam nos respectivos romances, é bom lembrarmos que até os princípios do século XIX, não se cultivava, como já se fazia na Europa, o costume da rua e dos salões, dentro da família brasileira, mesmo aquela citadina. O quadro era bem diferente no Brasil. O que caracterizava a família era exactamente a sua absoluta reclusão, em especial no que toca à mulher.
Este facto é comprovado numa carta, datada desta época, onde um jovem esboça o perfil de sua noiva ao pai, ressaltando o que se considerava serem as principais qualidades de uma jovem distinta: “(…) não é rigorista de modas; não sabe dançar nem tocar; não serve de ornato à janela com leque e com o lenço, não sabe tomar visitas nas salas...”
Afinal, verificamos que o que se esperava da então dita “rainha do lar” é que se devotasse com muita paixão às diferentes actividades que faziam parte do seu governo doméstico a ponto de não lhe sobrar tempo ou mesmo vontade de servir de “ornato às janelas”.
Este facto começa a alterar-se a partir da cidade do Rio de Janeiro, a corte do regente D. João VI e depois dos imperadores Pedro I e II. A partir desta altura, as mulheres brasileiras, europeizando-se, começaram a aparecer pela primeira vez diante de estranhos e os salões dos sobrados anteriormente sempre fechados eram abertos para as chamadas reuniões “burguesas”, onde passavam a ser projectados importantes negócios e alianças políticas.
Convém ressaltar que nestas ditas reuniões de negócios, já se começava a reclamar um novo tipo de comportamento às donas de casa que, diga-se de passagem, estivera até então restrita à esfera doméstica.
A partir deste momento, percebemos que a imagem da mulher começa a pesar e muito na direcção das pretensões econômicas ou políticas do marido uma vez que a sua postura diante dos convidados, sua aparência, suas jóias, seus vestidos, seu modo de receber e de se insinuar junto às grandes personalidades, assim o exigiam.
Assim sendo, a mulher que outrora se escondia dentro de casa para não ser vista por visitantes masculinos, começa a adaptar-se a esta nova representação de convívio em sociedade uma vez que agora a própria sociedade exigia que ela abandonasse o isolamento em proveito de uma atitude precisamente oposta. Interessante é que, finalmente, é concedida à mulher a permissão para sair às ruas.
notadas.
Este facto começa a alterar-se a partir da cidade do Rio de Janeiro, a corte do regente D. João VI e depois dos imperadores Pedro I e II. A partir desta altura, as mulheres brasileiras, europeizando-se, começaram a aparecer pela primeira vez diante de estranhos e os salões dos sobrados anteriormente sempre fechados eram abertos para as chamadas reuniões “burguesas”, onde passavam a ser projectados importantes negócios e alianças políticas.
Convém ressaltar que nestas ditas reuniões de negócios, já se começava a reclamar um novo tipo de comportamento às donas de casa que, diga-se de passagem, estivera até então restrita à esfera doméstica.
A partir deste momento, percebemos que a imagem da mulher começa a pesar e muito na direcção das pretensões económicas ou políticas do marido uma vez que a sua postura diante dos convidados, sua aparência, suas jóias, seus vestidos, seu modo de receber e de se insinuar junto às grandes personalidades, assim o exigiam.
Assim sendo, a mulher que outrora se escondia dentro de casa para não ser vista por visitantes masculinos, começa a adaptar-se a esta nova representação de convívio em sociedade uma vez que agora a própria sociedade exigia que ela abandonasse o isolamento em proveito de uma atitude precisamente oposta. Interessante é que, finalmente, é concedida à mulher a permissão para sair às ruas.
A partir desse quadro podemos, então, afirmar, que é este tipo de mulher, digamos, carnal, esta “mulher de salão”, esta “mulher da rua”, esta mulher que inclusive lê romances, ( Lúcia, por exemplo, gostava de ler “A Dama das Caméliase Aurélia “Shakespeare”) o modelo local que possivelmente teria inspirado os primeiros romances urbanos brasileiros e, entre as quais, destacamos Lucíola e Senhora.

3.3- A escolha de José de Alencar pela temática da mulher
Das pesquisas feitas descobrimos que Alencar, desde criança, apresentou um grande interesse pelo universo feminino. É o próprio autor a afirmar, em sua obra Como e porque sou romancista, que era ele quem fazia as leituras em sua casa para um público basicamente feminino: mãe, tia e visitas. O autor fala sobre como as mulheres se emocionavam com as leituras que ele fazia dos romances e como era impressionante a forma como elas se envolviam nas histórias apresentadas.
Alencar diz ser esta experiência que, provavelmente, lhe terá despertado o interesse pelos romances, daí vir mais tarde a tornar-se um escritor: “Foi essa leitura contínua e repetida de novelas e romances que primeiro imprimiu em meu espírito a tendência para essa forma literária que é entre todas a de minha predileção.” (Alencar, 2005, p. 29)
Inferimos, quando Alencar afirma - ser ele o leitor oficial da família - que as mulheres brasileiras no início do século XIX ainda não tinham adoptado a prática da leitura, até porque, no período, era bastante reduzido o número de mulheres alfabetizadas, no entanto, podemos notar que elas já apresentavam um grande interesse pelas histórias dos romances.
É importante destacarmos que a chegada dos romances ao Brasil foi um dos factores que contribuiu para desenvolver nas mulheres o hábito da leitura.
Pensamos ser correcto dizer que a inteligência e a refinada educação das personagens de Alencar faziam delas mulheres à frente de seu tempo. No entanto, devemos destacar que isso não fazia delas mulheres contrárias ao casamento ou mesmo insubmissas aos maridos. Tais personagens podiam ser tomadas como modelos ideais de donas de casa, prontas para assumirem o papel de mãe e de esposa.
O amor continua sendo para elas o ideal de felicidade e o casamento a concretização dessa felicidade. Elas se sujeitam aos seus amados não por medo ou por obrigação, mas por amor.
Podemos ver que a educação e a inteligência da personagem não fazem com que ela deixe de lado as prendas domésticas, ao contrário, por ser prendada, ela se torna ainda mais admirável e virtuosa aos olhos do narrador.
As heroínas românticas, representam, para o futuro esposo, duas funções básicas: a primeira seria a de objecto de prazer, daí o destaque dado à beleza dessas personagens; e a segunda é o da organização familiar — é ela quem vai cuidar da casa e dos filhos para que ele possa cumprir suas obrigações fora do ambiente doméstico — daí elas serem representadas como mulheres virtuosas e prendadas.

4.2- Aurélia: uma mulher à frente de sua época
Em Senhora, Alencar cria, à semelhança de Lucíola, uma heroína, também ela com traços de carácter ambíguos, à partida.
Esta constatação baseou-se na análise da personalidade da protagonista da obra.
Podemos perceber, na personagem, uma mistura de boa e má, anjo e demónio, Bela e Fera. Exemplifiquemos com alguns trechos da obra as qualidades de boa, anjo, fera e demónio, respectivamente:

Corria então Aurélia a consolá-lo. Sabia ela já a causa daquele pranto, cuja explicação uma vez lhe arrancara à força de carinho e meiguice. Tirava-o do desespero, animava-o a tentar a operação, e para suster-lhe os esforços ia auxiliando-lhe a memória e dirigindo o cálculo. ( Alencar, 2004, p. 61)

Observamos que Aurélia, construída de acordo com a concepção romântica e, por isso mesmo, conservando e difundindo o mito da beleza e pureza, oscila entre a passividade servil e as atitudes de reivindicação, agindo sobre o universo masculino de modo a fazê-lo, de certa forma, satisfazer suas exigências e anseios:

“Soltando estas palavras com pasmosa volubilidade, que parecia indicar o requinte da imprudência, Fernando sentou-se outra vez defronte da mulher.
- Espero suas ordens.
- Oh! Sim, deixe-me! Exclamou Aurélia. O senhor me causa horror.” ( Alencar, 2004, p. 86).

É necessário salientar a importância que Alencar concede à mulher, apresentando a sua capacidade de expor as suas qualidades femininas de conquista ao homem amado.
Podemos, então, afirmar que Aurélia simboliza a grande vitória da mulher na obra de José de Alencar pois tem a oportunidade de optar por aquilo que antes lhe era imposto ( marido e casamento ).
Aurélia ocupava uma posição privilegiada na sociedade, pois, no século XIX a riqueza era ( parece que ainda é ) a primeira medida de valor. Na posse do dinheiro, a personagem pôde satisfazer todos os seus caprichos com facilidade.
O intelectualismo, a superioridade de Aurélia, estabelece uma barreira entre ela e Seixas.
E interessante é que o dinheiro consegue inverter a posição da mulher em Aurélia e a posição de homem em Seixas.
Aurélia sendo pobre, usa dos estratagemas permitidos pelos costumes sociais da época para conseguir um marido, uma vez que ter um marido, era a medida de segurança para uma mulher.
Nesse momento da narrativa, Aurélia dá mostras de emancipação, comportando-se de modo diferente em relação à mulher da época. Sua ambição é ser amada. Não deseja alcançar um homem através de um casamento forçado. Este gesto de Aurélia afigura-se-nos incomum por parte da protagonista que tendo a oportunidade de ter nas mãos o homem que ama e podendo prendê-lo por obrigações morais, pelo contrário, abre mão dos direitos convencionais de noiva, porque desejava que o gesto do casamento fosse espontâneo.
Analisando as regras que regiam a sociedade de então podemos notar que para uma mulher moldada ao gosto patriarcal, Aurélia, ao se dar ao luxo de mostrar-se
orgulhosa nessa situação, rompe com uma série de tabus e preconceitos, reafirmando sua auto-suficiência, mesmo sendo uma mulher.
            Na sociedade patriarcal, vigente no século XIX, um homem rico que se unia à uma moça pobre apresentava motivos para lisonjear a mulher escolhida e a si mesmo pois, um homem rico, ao se tornar generoso para com a moça pobre, permanecia grande e superior.
Na situação do romance temos um quadro totalmente contrário às leis vigentes na época. Aurélia, numa atitude de falsa generosidade - seu objectivo era de vingança – compra um marido. Gesto que, ao contrário de lisonjear o homem escolhido o diminuía e o rebaixava. E curioso é que esse gesto também diminuía a mulher pois, na época, um homem que tivesse sido humilhado em sua masculinidade não permitia também que a mulher se realizasse em sua feminilidade.
Temos então, uma inversão normal dos padrões da época onde uma mulher nunca opinava com relação ao marido, o qual o pai era quem geralmente escolhia, quanto mais chegar ao ponto dela mesma realizar o negócio.
Podemos, então, concluir que, de facto, Aurélia foi uma mulher à frente de seu tempo, pois foi uma mulher sem medo da sociedade e disposta a se impor em toda sua essência. Aurélia afigura-se como uma mulher “avançada” para sua época e para a cidade em que vivia. Uma mulher capaz de pagar com a mesma moeda o mal que lhe tinha sido causado pelo amante fazendo com que este se ajoelhasse a seus pés: “Seixas ajoelhou aos pés da noiva .” ( Alencar, 2004, p. 54).

Conclusão
Ao longo do trabalho percebemos que no século XIX a mulher não gozava de muitos estatutos em relação ao homem. O casamento era a única porta para uma vida fácil e respeitável e não é por acaso que tanto Lúcia como Aurélia almejaram esse sonho. Já na época se dizia que era melhor qualquer casamento do que nenhum, mostrando dessa forma a importância do casamento.
Tudo isso porque a Mulher sempre teve na sociedade um papel de submissão e de inferioridade em relação ao homem.
Vejamos:
As mulheres brasileiras do século XIX viviam sob um regime patriarcal e limitadas a uma vida doméstica. Não se notava a autonomia da mulher. Dentro da família quem mandava era o homem.
Nestes aspectos, a literatura mundial e, especificamente, a brasileira, através de autores literários, em especial Alencar, rompeu as barreiras do universo feminino, procurando desmistificar este papel.
Na poesia romântica percebemos que os autores românticos rectratavam esse drama humano que envolvia a mulher, escrevendo sobre amores trágicos e os seus desejos.
Na prosa o público da época preferia um romance que tivesse uma história sentimental, com alguma surpresa e desfecho feliz. Como sempre, a mulher fazia parte deste enredo. Neste aspecto, Lúcia e Senhora servem muito bem de exemplos. Para conseguirem a vitória sobre o amor tiveram que lutar contra tudo e todos.
Mesmo na dramaturgia a mulher era apresentada como aquela que simbolizava o sofrimento e o ser mais fraco. Aquela sobre quem o homem tinha domínio.
Lúcia e Aurélia, protagonistas e ferramentas chave do presente trabalho, ousaram romper com este papel. E por terem agido dessa forma, enfrentaram os tabus para a época em que viveram.
Ao criar duas personagens fortes e distintas, Alencar, com uma visão ampla da sociedade e do ser humano, reflectiu as contradições do novo mundo romântico pois retratou a realidade feminina vivida no século XIX e tentou buscar o verdadeiro papel da mulher no todo que as envolve: A mulher que é capaz de lutar para alcançar a tão esperada realização pessoal. mulher no todo que as envolve: A mulher que é capaz de lutar para alcançar a tão esperada realização pessoal.
Podemos então afirmar que Alencar é o pioneiro, no que diz respeito à Literatura Brasileira, em representar a mulher capaz de romper com preconceitos e lutar por sua liberdade pessoal.
Aurélia, como o próprio nome indica, representa o brilho e a glorificação da moral; é edificada ao redor da ideia de que, nas camadas populares, ainda não contagiadas pelas normas e hábitos burgueses, residem a alma e o espírito puros, a honradez e integridade de carácter. Aurélia foi uma menina órfã, que ao receber uma herança, passou por mudanças rápidas em seu viver e atitudes, mas “não porém no carácter nem nos sentimentos.” ( Alencar, 2004).
Aurélia foi uma mulher autónoma em todos os aspectos de sua vida. Comprou, humilhou e recompensou, no final, o homem que amava. O que não aconteceu quando era pobre. Ou seja, ela só conseguiu autonomia a partir do momento em que se tornou rica, mostrando que a sociedade dava maior atenção aos bens económicos.
Numa sociedade onde o homem é quem dominava e subjugava a mulher, Aurélia conseguiu inverter esse papel. Dominou, subjugou e humilhou Seixas.
Cremos ser lógico afirmar que Aurélia foi uma mulher forte que esteve à frente de sua época uma vez que, agindo dessa forma, contrariou as leis que regiam a sociedade de então.
É incrível que quando analisamos a vida de Aurélia quando era pobre, verificamos que o seu comportamento exemplifica os modelos perfeitos para uma mulher do século XIX ( sempre em casa, cuidando da família, prudente e discreta) mas, quando a analisamos nos bastidores da sua vida na sociedade torna-se claro concluir que ela teve, de facto, uma comportamento distinto das demais mulheres de sua época.
Podemos concluir que ambas as protagonistas Aurélia e Lúcia lutaram unicamente para, no final da história terem ao seu lado uma figura masculina, tendo ocupado um lugar de destaque nas respectivas obras, pois todos os acontecimentos giram à volta dessas mulheres destemidas.

Do nosso ponto de vista podemos concluir que Alencar soube valorizar a mulher elevando a alma feminina em Lucíola e Senhora.