PENA
DE MORTE EM FRANCA
Palavras-chave: Escravidão, Escravos, Libertos, Cotidiano, Legislação
Resumo: Investigar as relações sociais que
levaram historicamente os povos a utilizarem a pena de morte, com ênfase no
Brasil escravista, mais precisamente na cidade de Castro, Campos Gerais
paranaenses, foi o objetivo desta pesquisa. Ao optarmos pela análise da
escravidão tomando por ponto de partido a violência cristalizada no assassinato
legal de escravos pelo Estado, ilegal, mas aceito, por senhores, ou então,
destes por seus escravos, percebemos que havia nestas mortes, mais do que
simples crimes. Havia uma lógica de relações sociais, não apreendidas no todo,
mesmo com o trabalho em fontes, pois só tornavam-se públicas quando sua
manutenção tinha se tornado impossível. Verificando como que a historiografia
sobre a escravidão brasileira portou-se perante a questão da violência, fomos
identificando como esta percebeu a questão da violência contida nas mortes de
senhores ou de escravos, mais precisamente o que nos propusemos fazer foi uma
leitura de como a noção e as apreensões dos significados da violência foram
sofrendo transformações à medida que os estudos sobre o tema foram se
cristalizando. Feito isto partimos então para uma análise de como esta
bibliografia com suas contribuições nos permitiriam problematizar um município
paranaense colocado nos Campos Gerais. Analisando os processos-crime que tinham
escravos, ora como réus, ora como vítimas, tentamos construir um significado
para aquelas mortes. Mais do que números nas estatísticas criminais, estas
mortes representavam parte de uma dinâmica social que tornava-se conhecida
apenas nos tribunais. Além disto, percebemos que a condenação legal ou não de
escravos à morte, ou o assassinato de senhores por seus escravos, eram parte de uma tônica social que
acabava por confrontar toda a sociedade da época. Os posicionamentos dos
indivíduos nos tribunais não eram isentos das relações que eles travavam no seu
dia-a-dia, e eles tinham que pesar muito bem isto. O que concluímos com a
pesquisa foi que ser condenado à morte naquela época era mais do que apenas
descortinar a possibilidade de morrer. Era desnudar relações sociais complexas
marcadas pela cotidianidade dos sujeitos históricos, que se não apresentava um
contorno sempre claro, tinha os limites de aceitação muito bem definidos. A
morte era o preço pago por quem os desconsiderava.
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