domingo, 18 de junho de 2017

DIVERSIDADE SEXUAL E UMBANDA




. A leitura umbandista dos evangelhos acentua a proposta de ser uma religião universal, aberta a qualquer pessoa, independente de seu gênero, e de ser uma religião do amor.
Alexandre Frank Silva Kaitel*
O Portal Dom Total, por intermédio de Felipe Francisco, me convidou para escrever um pequeno texto sobre diversidade sexual e Umbanda. Acredito que o conhecimento é posicionado, contingente à história de vida e aos lugares sociais ocupados pelo sujeito. Falo de um lugar duplo: de acadêmico, como doutorando em Ciências da Religião e professor de Psicologia na PUC Minas, e de médium umbandista, na Casa de Caridade Pai Cruzeiro de Aruanda. 
A Umbanda, surgida em Niterói (RJ) no ano de 1908, é marcada pelo sincretismo religioso; sofrendo influências do Espiritismo kardecista, do Candomblé, da Pajelança e do Catolicismo popular. A Umbanda fundamenta sua prática na crença nas interrelações entre os mundos visível e invisível, e na possibilidade dos espíritos desencarnados incorporarem nos médiuns e auxiliarem os vivos através de conselhos, benzeções, banhos e tratamentos energéticos. Fundamenta-se também na crença nas interrelações entre seres humanos e Orixás, seres divinos associados à natureza e que acompanham e assistem os seres humanos em seu processo de desenvolvimento contínuo durante múltiplas encarnações. A religião umbandista tem como objetivo principal a prática da caridade, e através dela a evolução espiritual dos que participam do processo. Não é necessário se converter para ir a um centro de Umbanda e receber auxílio. Pessoas de qualquer religião, e de qualquer posição social, têm acesso aos bens simbólicos e tratamentos umbandistas.
A Umbanda é reconhecida como uma religião aberta à diversidade sexual. Na Umbanda, homens e mulheres de quaisquer gêneros, podem ser sacerdotes e médiuns. Há algumas casas/centros/terreiros de Umbanda onde homens e mulheres têm funções diferentes, apesar de similares em importância. Isto acontece devido a uma influência vinda dos Candomblés. Em outras casas/centros/terreiros sacerdotes homens e mulheres executam as mesmas funções. Não se faz distinção também entre orientações heterossexuais, homossexuais e bissexuais (ou outros grupos LGBTTs). Frequentadores e fiéis não heterossexuais são acolhidos em suas diferenças, e não são orientados a mudar seu comportamento sexual voltados a pessoas do mesmo sexo ou de ambos os sexos.
Podemos compreender que esta postura inclusiva tem tanto motivos sociológicos quanto motivos teológicos. A Umbanda é uma religião surgida há pouco mais de cem anos, no contexto urbano. Assim, sofre influências da contemporaneidade e da urbanização, tempo histórico e local, onde as diversas formas de expressão da sexualidade humana são melhor acolhidas.
Os motivos teológicos derivam do fato da Umbanda ser, ao mesmo tempo, uma religião cristã, por se basear nos Evangelhos de Cristo, e uma religião da natureza. A leitura umbandista dos evangelhos acentua a proposta central de ser uma religião universal, no sentido de estar aberta a qualquer pessoa, independente de seu gênero, e de ser uma religião do amor. Sendo religião do amor, acredita que Deus (chamado também de Zambi ou Olorun) valoriza qualquer união onde as pessoas se amem, independente de serem do mesmo sexo ou do sexo oposto.
As religiões da natureza consideram que a natureza é tão sagrada quanto o mundo espiritual. Há seres divinos (similares a anjos na compreensão teológica católica), os Orixás, que são responsáveis por determinados locais naturais. Exemplificando, temos a Orixá Yemanjá, responsável pelos mares e oceanos, o Orixá Xangô, responsável pelas montanhas e pedreiras, a Orixá Oxum, responsável pelos rios e cachoeiras, o Orixá Oxossi, responsável pelas matas.
Nas religiões da natureza o corpo é tão importante quanto o espírito (ou a alma). Os prazeres do corpo (comida, bebida, sexo, movimento) são necessários a uma boa vida. E podem ser sacralizados. O sexo, por exemplo, pode ser sacralizado tanto pela reprodução quanto pelo amor. Sacerdotes e médiuns podem ter vida sexual, e esta vida sexual pode aproximá-los de Deus.
Devido a essa abertura à diversidade sexual há, percentualmente, mais pessoas não heterossexuais na Umbanda (e nos Candomblés) do que nas religiões Católica e Protestante. É comum que defensores dos direitos das minorias LGBTTs, do movimento negro, e das minorias religiosas tenham pautas reivindicatórias similares. É comum também uma mesma pessoa se posicionar a favor das três causas.
Do ponto de vista Umbandista, a luta pela dignidade humana, pelo direito de crença e pela igualdade sexual civil é tanto postura política quanto religiosa.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

EDUCAÇÃO INCLUSIVA: DIREITO À DIFERENÇA




A educação inclusiva é um movimento que compreende a educação como um direito humano fundamental e base para uma sociedade mais justa e solidária. Esse movimento preocupa-se em atender todas as crianças, jovens e adultos, a despeito de suas características, desvantagens ou dificuldades, e habilitar todas as escolas para o atendimento na sua comunidade, concentrando-se naqueles que têm sido mais excluídos das oportunidades educacionais. No decorrer da sua história, o Brasil tem gradativamente se movimentado na busca de se tornar uma sociedade que reconhece e respeita a diversidade que a constitui, e que a ela responde, com qualidade. É preciso garantir o acesso e a permanência de todas as crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais no sistema regular de ensino, bem como disseminar a política de construção de sistemas educacionais inclusivos e apoiar o processo de implementação nos municípios brasileiros. A Assembléia Geral das Organizações das Nações Unidas produziu vários documentos norteadores para o desenvolvimento de políticas públicas de seus países membros. O Brasil, enquanto país membro da ONU e signatário desses documentos, reconhece seus conteúdos e os tem respeitado, na elaboração das políticas públicas internas. A Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1948, proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, na qual reconhece que “Todos os seres humanos nascem livres e iguais, em dignidade e direitos... (Art. 1º), ... sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação” (Art. 2º). De maneira geral, esta Declaração assegura às pessoas com deficiência os mesmos direitos à liberdade, a uma vida digna, à educação fundamental, ao desenvolvimento pessoal e social e à livre participação na vida da comunidade.
Em março de 1990, o Brasil participou da Conferência Mundial sobre Educação para Todos, em Jomtien, Tailândia, na qual foi proclamada a Declaração de Jomtien. Nesta Declaração, os países relembraram que “a educação é um direito fundamental de todos, mulheres e homens, de todas as idades, no mundo inteiro”. Ao assinar a Declaração de Jomtien, o Brasil assumiu, perante a comunidade internacional, o compromisso de erradicar o analfabetismo e universalizar o ensino fundamental no país. Além da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e a Declaração de Jomtien (1990) o Brasil participou também da Declaração de Salamanca (1994) e da Convenção de Guatemala (1999), ambas tinham como objeto de discussão, a atenção educacional dos alunos com necessidades educacionais especiais. É importante construir critérios para a organização das salas de aula inclusivas, considerando o número de alunos com necessidades educacionais especiais em cada sala de aula, refletindo a realidade social e observando a qualidade desse atendimento. A escola deve ser um ambiente que reflita a sociedade como ela é. Os alunos com necessidades educacionais especiais incluídos deverão ter garantido seu espaço e oportunidade. A construção de um sistema educacional inclusivo exige a transformação dos saberes e das práticas de todos os participantes da comunidade educacional e, portanto, o envolvimento ativo de todos.
Faz-se importante a previsão da função “dirigente da educação especial” que, de acordo com as Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica no seu artigo 3º, parágrafo único, diz que: “Os sistema de ensino devem constituir e fazer funcionar um setor responsável pela educação especial, dotado de recursos humanos, materiais e financeiros que viabilizem e deem sustentação ao processo de construção da educação inclusiva”.
O projeto político-pedagógico de uma escola é o instrumento teórico-metodológico, definidos das relações da escola com a comunidade a quem vai atender, explicita o que se vai fazer, para quem se vai fazer e como vai fazer. É nele que se estabelece a ponte entre a política educacional do município e a população, por meio da definição dos princípios, dos objetivos educacionais, do método de ação e das práticas que serão adotadas para favorecer o processo de desenvolvimento e de aprendizagem das crianças e adolescentes das comunidades. Seu desenvolvimento requer reflexão, organização de ações e a participação de todos – professores, funcionários, pais e alunos, num processo coletivo de construção. Sua sistematização nunca é definitiva, o que exige um planejamento participativo, que se aperfeiçoa constantemente durante a caminhada.
Nenhuma escola poderá alcançar objetivos significativos, para os alunos e para a comunidade na qual se encontra inserida, se não tiver um projeto que norteie e dê suporte para a ação de cada um de seus agentes. À medida que todos forem envolvidos na reflexão sobre a escola, sobre a comunidade da qual se originam seus alunos, sobre as necessidades dessa comunidade, sobre os objetivos a serem alcançados por meio da ação educacional, a escola passa a ser sentida como ela realmente é: de todos e para todos.
O convite para o respeito e à diversidade e para a construção de uma proposta de educação para a paz, onde os educandos, por meio do nosso testemunho, sejam sensibilizados para novas formas de convivência, pautadas na solidariedade e no respeito às diferenças, valores essenciais na formação de cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, sensíveis para rejeitar toda forma de opressão e violência, considerando que em cada escola existem pessoas com diferentes desejos, diferentes necessidades, diferentes sotaques, diferentes habilidades, diferentes vontades, diferentes origens e diferentes caminhos.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

CATEDRAL DE FRANCA


 
A história nos ensina que a cidade fora fundada sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, sua Padroeira. No dia 3 de dezembro de 1805, com a instalação da Freguesia da Franca e Rio Pardo e a doação de terras pelos irmãos Antunes para a ereção nela da primeira igreja sob aquela invocação. Com a nomeação do seu primeiro Vigário, Padre Joaquim Martins Rodrigues, iniciou-se a história do nascimento e vida de uma Catedral, desde 23 de maio de 1808 até 1830, quando assume em 1º de janeiro o Padre Manoel Coelho Victal. Decorreram 22 anos de labor inicial em terras estranhas onde moravam a solidão e o desconforto da falta do pastor zeloso. Conquistada a confiança do povo serviu-o com carinho, zelo e dedicação, tendo sido, por isso, reconduzido ao cargo em 1º de julho de 1846 até 1º de novembro do mesmo ano, quando o deixa novamente para retomá-lo a 19 de março de 1849, afastando-se definitivamente, sem retorno, e 2 de abril de 1850, por vontade pessoal. Com período de governo fragmentado, tentando consolidar a paróquia, o Padre Joaquim Martins Rodrigues foi provisionado três vezes, entre períodos diferentes ou intercalados por outros administradores. Viu nascer a primeira capela e dela cuidou como abrigo das celebrações diárias e festivas nos domingos e dias santificados, sempre no período da manhã, eis que não era permitido faze-lo no período da tarde, segundo as normas litúrgicas da época.
 Respeitada e muito querida era a autoridade do Padre Vigário. Matinha o controle individual dos fiéis, conhecia todas as famílias e os seus problemas pessoais; sabia o número dos batizados, crismados, casados, amasiados e falecidos que eram relacionados e remetidos para conhecimento da autoridade depois do atuante trabalho de catequese, de assistência material e sobretudo espiritual.
 A arquidiocese de São Paulo, através dos tempos, vencendo a imensidão dos espaços, vigilante acompanhava por volta de 1880 a 1905, a criação, instalação e desenvolvimento espiritual das paróquias espalhadas pelo Estado, pois que, durante longos anos, toda a administração apostólica dependia de São Paulo, inclusive a de Nossa Senhora da Conceição de Franca. Freguesia declarada oficialmente pelo governador Antonio José da Franca Horta, 1804. Do seu apelido tirou o nome da nova Vila e por decreto imperial, em 1824, freguesia. Elevada ao titulo de cidade, por Lei Provincial nº 21 de 24 de abril de 1856.
 Distancia da nossa cidade a Capital 70 léguas – 388,8 Km.
Em 24 de março de 1898, o Vigário Capitular da Diocese de São Paulo, sede vacante, Cônego Exequias Galvão da Fontoura, atendendo nova representação do Monsenhor Roza, concede licença para a ereção da nova Matriz e confirma o primeiro pedido feito em 21 de outubro de 1892, assim:
“O Bispo Diocesano de São Paulo, Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, atendendo representação do Cônego Cândido Martins da Silveira Roza, concede licença para ereção e fundação de uma nova Igreja Matriz, bem como o lançamento da primeira pedra, nomeando ao mesmo tempo a comissão responsável pela administração e execução das obras.”

Os contatos com as autoridades eclesiásticas eram naturalmente feitos ao longo dos dias, eis que os meios de comunicação eram precários. Complementando a autorização, algumas exigências se anexavam: que a edificação do templo não ocupasse terreno super-húmido; que não fosse próximo de prostíbulos e outras orientações, como a de fácil acesso. Era vigilante a autoridade quanto aos projetos de edificação das igrejas e outras edificações destinadas ao recolhimento, à oração, ao ensino, pelas congregações religiosas. O meio ambiente favorece a vivência espiritual do povo para quem são edificadas aquelas obras. As autoridades eclesiásticas responsáveis, vigilantes e zelosas se valem dos recursos técnicos especializados de quem revestido também de cultura e vivência das coisas sagradas, possam, com acerto e economia, conciliar o profano artístico com o sagrado ou sacro, tendo em vista o louvor e homenagem a Deus. Os critérios não são estandardizados mas, se ponderados quanto à criação artística capaz de cooperar com o usuário que se recolhe para o convívio mais interiorizado com Deus, eis que lá fora o tumulto e a agitação apressada nos levam a outras preocupações de ordem temporal absorventes.
 Sabemos que, sem qualquer solenidade, por volta do ano de 1900, tiveram inicio as obras de construção da nova Igreja Matriz de Franca. Demarcada a área, iniciara a abertura das valas para o abrigo rochoso das paredes, muralhas volumosas, de acordo com o projeto do Dr. Joaquim Mariano de Amorim Carrão, então engenheiro da Cia. Mogiana de Estrada de Ferro de passagem de Franca até Uberaba, via Rifaina. Dali vieram, para a construção da nova igreja, milhares de tijolos de que era grande centro produtor de alta qualidade.
 Depois de alguns debates sobre o projeto decidiu a comissão reduzir o tamanho da obra em consonância com o engenheiro, considerando-se o alto custo para o povo já onerado. Nessa oportunidade encaminha o engenheiro à comissão reunida, no dia 20 de fevereiro de 1902, oficio, oferecendo, sem qualquer ônus, os seus serviços técnicos. Certamente a noticia ou proposta documentada foi jubilosamente recebida com manifesta gratidão. Renovam-se assim, os ânimos dos responsáveis e dos fiéis em geral. Certamente, o corte de cerca de dez metros no tamanho original do projeto, não agradou a todos, inclusive a membros da própria comissão encarregada da construção. Venceu a maioria.
 Foram concluídas as obras da igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição já na administração dos Revmos. Padres Agostinianos que atendiam concomitantemente várias capelas sediando população numerosa. Os padres diocesanos numericamente insuficientes não podiam assumir a todas as necessidades espirituais do povo. Supriam-nos com extraordinária eficiência os religiosos agostinianos a partir de 1918, apascentando o rebanho numeroso de toda região nordestina do Estado de São Paulo.
 De 1913 até 1971, a Matriz Nossa Senhora da Conceição teve seu zelo pastoral confiado aos seguintes párocos:
 1. Joaquim M. Roiz
2. Manoel Coelho Vital
3. Antonio Lisboa Lima
4. Cândido da Silveira Nogueira
5. Pedro C. D. Franco
6. Francisco de Assis P. de Ulhoa Cintra
7. Serafim de Oliveira Albuquerque
8. Joaquim Cypriano de Camargo
9. Luiz José de Souza
10. Joaquim Ferreira Telles
11. Cândido M. da S. Roza
12. Alonso Ferreira de Carvalho
13. João Paulo Roberto
14. Domingos Zacconi
15. Côn. Miranda
16. P. M. Quercia  
17. Tertuliano Villela de Castro
18. Luiz A. Amorim
19. Jonas do Prado
20. Vito Fabiani
21. Luiz de Goes Conrado
22. Gregório Gil
23. Thomaz Martinez
24. José de Gonhi
25. Roque Yabar
26. Manuel Gonzalez
27. Angelo Criado
28. Tobias Faleiros
29. José Pinto Ribeiro
30. João Batista de Oliveira
 Cresceu visivelmente a necessidade do desmembramento da Diocese de Ribeirão Preto, tornou-se o centro material das atenções das autoridades que, depois de ponderados estudos, da premência das necessidades, acabaram decidindo pela criação e instalação de nova diocese, tendo Franca como sua sede. Foi promovida, portanto, como sede do bispado.
 Os compêndios de Geografia F T D, teriam que registrar. Para essa conquista trabalharam os Exmos. Srs. Dom Manoel da Silveira D´Elboux e Dom Luiz do Amaral Monzinho. A semente frutificou nas mãos de Dom Felício César da Cunha Vasconcelos, O F M, arcebispo de Ribeirão Preto que encaminhara à Conferência Nacional dos Bispos (CNBB) o pedido de criação da nova diocese pelo desdobramento da sua. Segundo o que se conhece, o pedido foi unanimemente acolhido pelo colegiado especificamente, para isto reunido, em Brasília. O projeto aprovado deveria subir até o Vaticano como de fato subiu, para exame, estudos e possível aprovação do Santo Padre, o Papa, naquele tempo reinante, Paulo VI. A tramitação burocrática do processo  se justifica plenamente porque é o evento de conseqüências muito sérias e graves. Conheceu in loco, em 11 de maio de 1970, quando nos visita, especialmente para orientar e conhecer o que se passava na Sub-Cúria instalada na Casa Paroquial, Sua Excia. Dom Umberto Mozzoni, Núncio Apostólico do Brasil, acompanhado do Sr. Arcebispo de Ribeirão Preto, Dom Felício César da Cunha Vasconcelos, recebidos por Dom José Bernardo Bueno Miele e Dom José Alvares Mácua, como vigário episcopal da Sub-Cúria. Os trabalhos prosseguem com zeloso empenho das autoridades para, no dia 18 de março de 1971, o Santo Padre o Papa Paulo VI, assinar documento oficial, nomeando bispo da Diocese de Franca, Monsenhor Diógenes Silva Matthes, cura da catedral de Ribeirão Preto, conforme telegrama do Sr. Núncio Apostólico do Brasil, Dom Umberto Mozzoni, endereçado a Dom José Álvares Mácua, ficando, assim, oficialmente criada a diocese de Franca. Diante deste fato, Dom Felício César da Cunha Vasconcelos, Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto emitiu o seguinte comunicado: “A nova diocese de Franca, sufragânea (dependente) da Arquidiocese de Ribeirão Preto, tem como sede episcopal a próspera cidade do mesmo nome e é integrada pelos habitantes dos municípios de Aramina, Buritizal, Cristais Paulista, Franca, Guará, Igarapava, Jeriquara, Nuporanga, Orlândia, Patrocínio Paulista, Pedregulho, Ribeirão Corrente, Rifaina, Sales de Oliveira, São Joaquim da Barra, São José da Bela Vista. Como bispo do Povo de Deus, nesta vasta região do estado de São Paulo, foi escolhido pelo sucessor de Pedro, nosso irmão, Monsenhor Diógenes Silva Matthes...”
 Foi sagrado bispo – o primeiro de Franca, Dom Diógenes, no dia 11 de junho de 1971, na Catedral Metropolitana de Ribeirão Preto, pela imposição das mãos do Exmº. Sr. Núncio Apostólico do Brasil, Dom Umberto Mozzoni.
Os párocos na fase de Igreja Catedral (1971, até hoje, 2009), são:
 1. Pe. José Alberto Peron
2. Mons. Joaquim Corrêa Leandro
3. Mons. Oswaldo Pinto Moreira
4. Mons. Angelo Pignoli
5. Mons. José Geraldo Segantin
 Elevada a titulo de Catedral pelo Santo Padre, Paulo VI, com a criação da Diocese, assume Dom Diógenes a responsabilidade da administração nomeando os novos párocos substituídos com relativa freqüência. O 35º sucessor a ocupar o cargo é o atual Monsenhor Pe. José Geraldo Segantin, que assume a partir do dia primeiro de janeiro de 1992. Continua em exercício. Dedicou-se com esmero à recomposição e melhoria interna e externa do templo dentro do plano celebrativo dos oitenta anos da sua inauguração. Agora, antes que passe o tempo, já nos alegramos com a celebração dos noventa anos pensando no seu primeiro centenário em 2013.
 Nesse intervalo de tempo – 80 anos e os 90, motivo de comemorações, houve intensificação dos trabalhos de reforma do templo: telhado, rede elétrica, ampliação do presbitério, reposição do piso, revestimento das paredes internas acompanhando a altura das bases das colunas, reposição da pia batismal, estante da palavra, construção dos nove túmulos subterrâneos (cripta) para abrigo dos Senhores Bispos falecidos no exercício do cargo ou já declarados eméritos. Faz parte do elenco de realizações, nestes últimos anos: a pintura recentemente inaugurada, a reforma dos bancos e a decoração dos espaços da sacristia. Também foram restaurados os altares demolidos por decisão precipitada do Sr. Cura, na época, o primeiro da fase diocesana. Tudo isso veio acontecendo até os nossos dias. De tudo à frente o Reverendíssimo Monsenhor José Geraldo Segantin, está o zeloso, atual e incansável pároco.
 Não foi somente o prédio da Catedral que mereceu a sua atenção durante os dez últimos anos. O relato seria muito longo. Dom Diógenes, o pastor, saiu a campo e se encontrou com as ovelhas; de cajado na mão mostrou-lhes as veredas da caminhada. Nos verdes campos e prados semeia a semente. Cresce a seara. São necessários novos e santos operários para a missa. Funda com sacrifício e alegria o Seminário Diocesano. Os primeiros operários são ordenados presbíteros.
 O fermento está espalhado nos campos férteis, faz transbordar as fronteiras da diocese. É necessário maior esforço. A surpresa acontece e o Santo Padre o Papa João Paulo II reforça a Diocese a pedido de Dom Diógenes nomeando Dom Caetano Ferrari para Bispo Coadjutor. Franca cresce sensivelmente vazando pelo caminho da fé sob a especial proteção de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade e da Diocese. O contentamento do povo é grande com forte tendência de crescimento, desafiando o poder público quanto ao atendimento inadiável das necessidades físicas da cidade. A Igreja faz-se ativa em todos os setores da população no seu pastoreio, desdobrando-se as atividades para o desenvolvimento paralelo da cultura religiosa, da caridade, da vida espiritual e correção da justiça social. Sente-se, sem dados estatísticos embora, o crescimento numérico da freqüência dos sacramentos. Os trabalhos diversificados sob as orientação da Igreja em favor das comunidades, são vários e de grande interesse.
 Não podemos nos alongar no registro e referências às atividades envolventes da caminhada eclesial, nos dez últimos anos, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, por falta de espaço.
Dom Caetano Ferrari, afim, assumiu a Diocese, como 2º Bispo Diocesano, no dia 8 de dezembro de 2007 e governou até o dia 31 de maio de 2009 quando, a seu pedido, foi transferido para a Diocese de Baurú (SP).
No dia 30 de dezembro de 2009, o Santo Padre Bento XVI, nomeou Dom Pedro Luiz Stringhini, 3º Bispo Diocesano que tomará posse no dia 21 de fevereiro de 2010.