segunda-feira, 12 de junho de 2017

CATEDRAL DE FRANCA


 
A história nos ensina que a cidade fora fundada sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, sua Padroeira. No dia 3 de dezembro de 1805, com a instalação da Freguesia da Franca e Rio Pardo e a doação de terras pelos irmãos Antunes para a ereção nela da primeira igreja sob aquela invocação. Com a nomeação do seu primeiro Vigário, Padre Joaquim Martins Rodrigues, iniciou-se a história do nascimento e vida de uma Catedral, desde 23 de maio de 1808 até 1830, quando assume em 1º de janeiro o Padre Manoel Coelho Victal. Decorreram 22 anos de labor inicial em terras estranhas onde moravam a solidão e o desconforto da falta do pastor zeloso. Conquistada a confiança do povo serviu-o com carinho, zelo e dedicação, tendo sido, por isso, reconduzido ao cargo em 1º de julho de 1846 até 1º de novembro do mesmo ano, quando o deixa novamente para retomá-lo a 19 de março de 1849, afastando-se definitivamente, sem retorno, e 2 de abril de 1850, por vontade pessoal. Com período de governo fragmentado, tentando consolidar a paróquia, o Padre Joaquim Martins Rodrigues foi provisionado três vezes, entre períodos diferentes ou intercalados por outros administradores. Viu nascer a primeira capela e dela cuidou como abrigo das celebrações diárias e festivas nos domingos e dias santificados, sempre no período da manhã, eis que não era permitido faze-lo no período da tarde, segundo as normas litúrgicas da época.
 Respeitada e muito querida era a autoridade do Padre Vigário. Matinha o controle individual dos fiéis, conhecia todas as famílias e os seus problemas pessoais; sabia o número dos batizados, crismados, casados, amasiados e falecidos que eram relacionados e remetidos para conhecimento da autoridade depois do atuante trabalho de catequese, de assistência material e sobretudo espiritual.
 A arquidiocese de São Paulo, através dos tempos, vencendo a imensidão dos espaços, vigilante acompanhava por volta de 1880 a 1905, a criação, instalação e desenvolvimento espiritual das paróquias espalhadas pelo Estado, pois que, durante longos anos, toda a administração apostólica dependia de São Paulo, inclusive a de Nossa Senhora da Conceição de Franca. Freguesia declarada oficialmente pelo governador Antonio José da Franca Horta, 1804. Do seu apelido tirou o nome da nova Vila e por decreto imperial, em 1824, freguesia. Elevada ao titulo de cidade, por Lei Provincial nº 21 de 24 de abril de 1856.
 Distancia da nossa cidade a Capital 70 léguas – 388,8 Km.
Em 24 de março de 1898, o Vigário Capitular da Diocese de São Paulo, sede vacante, Cônego Exequias Galvão da Fontoura, atendendo nova representação do Monsenhor Roza, concede licença para a ereção da nova Matriz e confirma o primeiro pedido feito em 21 de outubro de 1892, assim:
“O Bispo Diocesano de São Paulo, Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, atendendo representação do Cônego Cândido Martins da Silveira Roza, concede licença para ereção e fundação de uma nova Igreja Matriz, bem como o lançamento da primeira pedra, nomeando ao mesmo tempo a comissão responsável pela administração e execução das obras.”

Os contatos com as autoridades eclesiásticas eram naturalmente feitos ao longo dos dias, eis que os meios de comunicação eram precários. Complementando a autorização, algumas exigências se anexavam: que a edificação do templo não ocupasse terreno super-húmido; que não fosse próximo de prostíbulos e outras orientações, como a de fácil acesso. Era vigilante a autoridade quanto aos projetos de edificação das igrejas e outras edificações destinadas ao recolhimento, à oração, ao ensino, pelas congregações religiosas. O meio ambiente favorece a vivência espiritual do povo para quem são edificadas aquelas obras. As autoridades eclesiásticas responsáveis, vigilantes e zelosas se valem dos recursos técnicos especializados de quem revestido também de cultura e vivência das coisas sagradas, possam, com acerto e economia, conciliar o profano artístico com o sagrado ou sacro, tendo em vista o louvor e homenagem a Deus. Os critérios não são estandardizados mas, se ponderados quanto à criação artística capaz de cooperar com o usuário que se recolhe para o convívio mais interiorizado com Deus, eis que lá fora o tumulto e a agitação apressada nos levam a outras preocupações de ordem temporal absorventes.
 Sabemos que, sem qualquer solenidade, por volta do ano de 1900, tiveram inicio as obras de construção da nova Igreja Matriz de Franca. Demarcada a área, iniciara a abertura das valas para o abrigo rochoso das paredes, muralhas volumosas, de acordo com o projeto do Dr. Joaquim Mariano de Amorim Carrão, então engenheiro da Cia. Mogiana de Estrada de Ferro de passagem de Franca até Uberaba, via Rifaina. Dali vieram, para a construção da nova igreja, milhares de tijolos de que era grande centro produtor de alta qualidade.
 Depois de alguns debates sobre o projeto decidiu a comissão reduzir o tamanho da obra em consonância com o engenheiro, considerando-se o alto custo para o povo já onerado. Nessa oportunidade encaminha o engenheiro à comissão reunida, no dia 20 de fevereiro de 1902, oficio, oferecendo, sem qualquer ônus, os seus serviços técnicos. Certamente a noticia ou proposta documentada foi jubilosamente recebida com manifesta gratidão. Renovam-se assim, os ânimos dos responsáveis e dos fiéis em geral. Certamente, o corte de cerca de dez metros no tamanho original do projeto, não agradou a todos, inclusive a membros da própria comissão encarregada da construção. Venceu a maioria.
 Foram concluídas as obras da igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição já na administração dos Revmos. Padres Agostinianos que atendiam concomitantemente várias capelas sediando população numerosa. Os padres diocesanos numericamente insuficientes não podiam assumir a todas as necessidades espirituais do povo. Supriam-nos com extraordinária eficiência os religiosos agostinianos a partir de 1918, apascentando o rebanho numeroso de toda região nordestina do Estado de São Paulo.
 De 1913 até 1971, a Matriz Nossa Senhora da Conceição teve seu zelo pastoral confiado aos seguintes párocos:
 1. Joaquim M. Roiz
2. Manoel Coelho Vital
3. Antonio Lisboa Lima
4. Cândido da Silveira Nogueira
5. Pedro C. D. Franco
6. Francisco de Assis P. de Ulhoa Cintra
7. Serafim de Oliveira Albuquerque
8. Joaquim Cypriano de Camargo
9. Luiz José de Souza
10. Joaquim Ferreira Telles
11. Cândido M. da S. Roza
12. Alonso Ferreira de Carvalho
13. João Paulo Roberto
14. Domingos Zacconi
15. Côn. Miranda
16. P. M. Quercia  
17. Tertuliano Villela de Castro
18. Luiz A. Amorim
19. Jonas do Prado
20. Vito Fabiani
21. Luiz de Goes Conrado
22. Gregório Gil
23. Thomaz Martinez
24. José de Gonhi
25. Roque Yabar
26. Manuel Gonzalez
27. Angelo Criado
28. Tobias Faleiros
29. José Pinto Ribeiro
30. João Batista de Oliveira
 Cresceu visivelmente a necessidade do desmembramento da Diocese de Ribeirão Preto, tornou-se o centro material das atenções das autoridades que, depois de ponderados estudos, da premência das necessidades, acabaram decidindo pela criação e instalação de nova diocese, tendo Franca como sua sede. Foi promovida, portanto, como sede do bispado.
 Os compêndios de Geografia F T D, teriam que registrar. Para essa conquista trabalharam os Exmos. Srs. Dom Manoel da Silveira D´Elboux e Dom Luiz do Amaral Monzinho. A semente frutificou nas mãos de Dom Felício César da Cunha Vasconcelos, O F M, arcebispo de Ribeirão Preto que encaminhara à Conferência Nacional dos Bispos (CNBB) o pedido de criação da nova diocese pelo desdobramento da sua. Segundo o que se conhece, o pedido foi unanimemente acolhido pelo colegiado especificamente, para isto reunido, em Brasília. O projeto aprovado deveria subir até o Vaticano como de fato subiu, para exame, estudos e possível aprovação do Santo Padre, o Papa, naquele tempo reinante, Paulo VI. A tramitação burocrática do processo  se justifica plenamente porque é o evento de conseqüências muito sérias e graves. Conheceu in loco, em 11 de maio de 1970, quando nos visita, especialmente para orientar e conhecer o que se passava na Sub-Cúria instalada na Casa Paroquial, Sua Excia. Dom Umberto Mozzoni, Núncio Apostólico do Brasil, acompanhado do Sr. Arcebispo de Ribeirão Preto, Dom Felício César da Cunha Vasconcelos, recebidos por Dom José Bernardo Bueno Miele e Dom José Alvares Mácua, como vigário episcopal da Sub-Cúria. Os trabalhos prosseguem com zeloso empenho das autoridades para, no dia 18 de março de 1971, o Santo Padre o Papa Paulo VI, assinar documento oficial, nomeando bispo da Diocese de Franca, Monsenhor Diógenes Silva Matthes, cura da catedral de Ribeirão Preto, conforme telegrama do Sr. Núncio Apostólico do Brasil, Dom Umberto Mozzoni, endereçado a Dom José Álvares Mácua, ficando, assim, oficialmente criada a diocese de Franca. Diante deste fato, Dom Felício César da Cunha Vasconcelos, Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto emitiu o seguinte comunicado: “A nova diocese de Franca, sufragânea (dependente) da Arquidiocese de Ribeirão Preto, tem como sede episcopal a próspera cidade do mesmo nome e é integrada pelos habitantes dos municípios de Aramina, Buritizal, Cristais Paulista, Franca, Guará, Igarapava, Jeriquara, Nuporanga, Orlândia, Patrocínio Paulista, Pedregulho, Ribeirão Corrente, Rifaina, Sales de Oliveira, São Joaquim da Barra, São José da Bela Vista. Como bispo do Povo de Deus, nesta vasta região do estado de São Paulo, foi escolhido pelo sucessor de Pedro, nosso irmão, Monsenhor Diógenes Silva Matthes...”
 Foi sagrado bispo – o primeiro de Franca, Dom Diógenes, no dia 11 de junho de 1971, na Catedral Metropolitana de Ribeirão Preto, pela imposição das mãos do Exmº. Sr. Núncio Apostólico do Brasil, Dom Umberto Mozzoni.
Os párocos na fase de Igreja Catedral (1971, até hoje, 2009), são:
 1. Pe. José Alberto Peron
2. Mons. Joaquim Corrêa Leandro
3. Mons. Oswaldo Pinto Moreira
4. Mons. Angelo Pignoli
5. Mons. José Geraldo Segantin
 Elevada a titulo de Catedral pelo Santo Padre, Paulo VI, com a criação da Diocese, assume Dom Diógenes a responsabilidade da administração nomeando os novos párocos substituídos com relativa freqüência. O 35º sucessor a ocupar o cargo é o atual Monsenhor Pe. José Geraldo Segantin, que assume a partir do dia primeiro de janeiro de 1992. Continua em exercício. Dedicou-se com esmero à recomposição e melhoria interna e externa do templo dentro do plano celebrativo dos oitenta anos da sua inauguração. Agora, antes que passe o tempo, já nos alegramos com a celebração dos noventa anos pensando no seu primeiro centenário em 2013.
 Nesse intervalo de tempo – 80 anos e os 90, motivo de comemorações, houve intensificação dos trabalhos de reforma do templo: telhado, rede elétrica, ampliação do presbitério, reposição do piso, revestimento das paredes internas acompanhando a altura das bases das colunas, reposição da pia batismal, estante da palavra, construção dos nove túmulos subterrâneos (cripta) para abrigo dos Senhores Bispos falecidos no exercício do cargo ou já declarados eméritos. Faz parte do elenco de realizações, nestes últimos anos: a pintura recentemente inaugurada, a reforma dos bancos e a decoração dos espaços da sacristia. Também foram restaurados os altares demolidos por decisão precipitada do Sr. Cura, na época, o primeiro da fase diocesana. Tudo isso veio acontecendo até os nossos dias. De tudo à frente o Reverendíssimo Monsenhor José Geraldo Segantin, está o zeloso, atual e incansável pároco.
 Não foi somente o prédio da Catedral que mereceu a sua atenção durante os dez últimos anos. O relato seria muito longo. Dom Diógenes, o pastor, saiu a campo e se encontrou com as ovelhas; de cajado na mão mostrou-lhes as veredas da caminhada. Nos verdes campos e prados semeia a semente. Cresce a seara. São necessários novos e santos operários para a missa. Funda com sacrifício e alegria o Seminário Diocesano. Os primeiros operários são ordenados presbíteros.
 O fermento está espalhado nos campos férteis, faz transbordar as fronteiras da diocese. É necessário maior esforço. A surpresa acontece e o Santo Padre o Papa João Paulo II reforça a Diocese a pedido de Dom Diógenes nomeando Dom Caetano Ferrari para Bispo Coadjutor. Franca cresce sensivelmente vazando pelo caminho da fé sob a especial proteção de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade e da Diocese. O contentamento do povo é grande com forte tendência de crescimento, desafiando o poder público quanto ao atendimento inadiável das necessidades físicas da cidade. A Igreja faz-se ativa em todos os setores da população no seu pastoreio, desdobrando-se as atividades para o desenvolvimento paralelo da cultura religiosa, da caridade, da vida espiritual e correção da justiça social. Sente-se, sem dados estatísticos embora, o crescimento numérico da freqüência dos sacramentos. Os trabalhos diversificados sob as orientação da Igreja em favor das comunidades, são vários e de grande interesse.
 Não podemos nos alongar no registro e referências às atividades envolventes da caminhada eclesial, nos dez últimos anos, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, por falta de espaço.
Dom Caetano Ferrari, afim, assumiu a Diocese, como 2º Bispo Diocesano, no dia 8 de dezembro de 2007 e governou até o dia 31 de maio de 2009 quando, a seu pedido, foi transferido para a Diocese de Baurú (SP).
No dia 30 de dezembro de 2009, o Santo Padre Bento XVI, nomeou Dom Pedro Luiz Stringhini, 3º Bispo Diocesano que tomará posse no dia 21 de fevereiro de 2010.


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