A
história nos ensina que a cidade fora fundada sob a invocação de Nossa Senhora
da Conceição, sua Padroeira. No dia 3 de dezembro de 1805, com a instalação da
Freguesia da Franca e Rio Pardo e a doação de terras pelos irmãos Antunes para
a ereção nela da primeira igreja sob aquela invocação. Com a nomeação do seu
primeiro Vigário, Padre Joaquim Martins Rodrigues, iniciou-se a história do
nascimento e vida de uma Catedral, desde 23 de maio de 1808 até 1830, quando
assume em 1º de janeiro o Padre Manoel Coelho Victal. Decorreram 22 anos de
labor inicial em terras estranhas onde moravam a solidão e o desconforto da
falta do pastor zeloso. Conquistada a confiança do povo serviu-o com carinho,
zelo e dedicação, tendo sido, por isso, reconduzido ao cargo em 1º de julho de
1846 até 1º de novembro do mesmo ano, quando o deixa novamente para retomá-lo a
19 de março de 1849, afastando-se definitivamente, sem retorno, e 2 de abril de
1850, por vontade pessoal. Com período de governo fragmentado, tentando
consolidar a paróquia, o Padre Joaquim Martins Rodrigues foi provisionado três
vezes, entre períodos diferentes ou intercalados por outros administradores.
Viu nascer a primeira capela e dela cuidou como abrigo das celebrações diárias
e festivas nos domingos e dias santificados, sempre no período da manhã, eis
que não era permitido faze-lo no período da tarde, segundo as normas litúrgicas
da época.
Respeitada
e muito querida era a autoridade do Padre Vigário. Matinha o controle
individual dos fiéis, conhecia todas as famílias e os seus problemas pessoais;
sabia o número dos batizados, crismados, casados, amasiados e falecidos que
eram relacionados e remetidos para conhecimento da autoridade depois do atuante
trabalho de catequese, de assistência material e sobretudo espiritual.
A
arquidiocese de São Paulo, através dos tempos, vencendo a imensidão dos
espaços, vigilante acompanhava por volta de 1880 a 1905, a criação, instalação
e desenvolvimento espiritual das paróquias espalhadas pelo Estado, pois que,
durante longos anos, toda a administração apostólica dependia de São Paulo,
inclusive a de Nossa Senhora da Conceição de Franca. Freguesia declarada
oficialmente pelo governador Antonio José da Franca Horta, 1804. Do seu apelido
tirou o nome da nova Vila e por decreto imperial, em 1824, freguesia. Elevada
ao titulo de cidade, por Lei Provincial nº 21 de 24 de abril de 1856.
Distancia
da nossa cidade a Capital 70 léguas – 388,8 Km.
Em 24
de março de 1898, o Vigário Capitular da Diocese de São Paulo, sede vacante,
Cônego Exequias Galvão da Fontoura, atendendo nova representação do Monsenhor
Roza, concede licença para a ereção da nova Matriz e confirma o primeiro pedido
feito em 21 de outubro de 1892, assim:
“O
Bispo Diocesano de São Paulo, Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, atendendo
representação do Cônego Cândido Martins da Silveira Roza, concede licença para
ereção e fundação de uma nova Igreja Matriz, bem como o lançamento da primeira
pedra, nomeando ao mesmo tempo a comissão responsável pela administração e
execução das obras.”
Os
contatos com as autoridades eclesiásticas eram naturalmente feitos ao longo dos
dias, eis que os meios de comunicação eram precários. Complementando a
autorização, algumas exigências se anexavam: que a edificação do templo não
ocupasse terreno super-húmido; que não fosse próximo de prostíbulos e outras
orientações, como a de fácil acesso. Era vigilante a autoridade quanto aos
projetos de edificação das igrejas e outras edificações destinadas ao
recolhimento, à oração, ao ensino, pelas congregações religiosas. O meio
ambiente favorece a vivência espiritual do povo para quem são edificadas
aquelas obras. As autoridades eclesiásticas responsáveis, vigilantes e zelosas
se valem dos recursos técnicos especializados de quem revestido também de cultura
e vivência das coisas sagradas, possam, com acerto e economia, conciliar o
profano artístico com o sagrado ou sacro, tendo em vista o louvor e homenagem a
Deus. Os critérios não são estandardizados mas, se ponderados quanto à criação
artística capaz de cooperar com o usuário que se recolhe para o convívio mais
interiorizado com Deus, eis que lá fora o tumulto e a agitação apressada nos
levam a outras preocupações de ordem temporal absorventes.
Sabemos
que, sem qualquer solenidade, por volta do ano de 1900, tiveram inicio as obras
de construção da nova Igreja Matriz de Franca. Demarcada a área, iniciara a
abertura das valas para o abrigo rochoso das paredes, muralhas volumosas, de
acordo com o projeto do Dr. Joaquim Mariano de Amorim Carrão, então engenheiro
da Cia. Mogiana de Estrada de Ferro de passagem de Franca até Uberaba, via
Rifaina. Dali vieram, para a construção da nova igreja, milhares de tijolos de
que era grande centro produtor de alta qualidade.
Depois
de alguns debates sobre o projeto decidiu a comissão reduzir o tamanho da obra
em consonância com o engenheiro, considerando-se o alto custo para o povo já
onerado. Nessa oportunidade encaminha o engenheiro à comissão reunida, no dia
20 de fevereiro de 1902, oficio, oferecendo, sem qualquer ônus, os seus
serviços técnicos. Certamente a noticia ou proposta documentada foi
jubilosamente recebida com manifesta gratidão. Renovam-se assim, os ânimos dos
responsáveis e dos fiéis em geral. Certamente, o corte de cerca de dez metros
no tamanho original do projeto, não agradou a todos, inclusive a membros da
própria comissão encarregada da construção. Venceu a maioria.
Foram
concluídas as obras da igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição já na
administração dos Revmos. Padres Agostinianos que atendiam concomitantemente
várias capelas sediando população numerosa. Os padres diocesanos numericamente
insuficientes não podiam assumir a todas as necessidades espirituais do povo.
Supriam-nos com extraordinária eficiência os religiosos agostinianos a partir de
1918, apascentando o rebanho numeroso de toda região nordestina do Estado de
São Paulo.
De
1913 até 1971, a Matriz Nossa Senhora da Conceição teve seu zelo pastoral
confiado aos seguintes párocos:
1.
Joaquim M. Roiz
2.
Manoel Coelho Vital
3.
Antonio Lisboa Lima
4.
Cândido da Silveira Nogueira
5.
Pedro C. D. Franco
6.
Francisco de Assis P. de Ulhoa Cintra
7.
Serafim de Oliveira Albuquerque
8.
Joaquim Cypriano de Camargo
9. Luiz
José de Souza
10.
Joaquim Ferreira Telles
11.
Cândido M. da S. Roza
12. Alonso
Ferreira de Carvalho
13.
João Paulo Roberto
14.
Domingos Zacconi
15.
Côn. Miranda
16. P.
M. Quercia
17.
Tertuliano Villela de Castro
18.
Luiz A. Amorim
19.
Jonas do Prado
20.
Vito Fabiani
21.
Luiz de Goes Conrado
22.
Gregório Gil
23.
Thomaz Martinez
24.
José de Gonhi
25.
Roque Yabar
26.
Manuel Gonzalez
27.
Angelo Criado
28.
Tobias Faleiros
29.
José Pinto Ribeiro
30.
João Batista de Oliveira
Cresceu
visivelmente a necessidade do desmembramento da Diocese de Ribeirão Preto,
tornou-se o centro material das atenções das autoridades que, depois de
ponderados estudos, da premência das necessidades, acabaram decidindo pela
criação e instalação de nova diocese, tendo Franca como sua sede. Foi
promovida, portanto, como sede do bispado.
Os
compêndios de Geografia F T D, teriam que registrar. Para essa conquista
trabalharam os Exmos. Srs. Dom Manoel da Silveira D´Elboux e Dom Luiz do Amaral
Monzinho. A semente frutificou nas mãos de Dom Felício César da Cunha
Vasconcelos, O F M, arcebispo de Ribeirão Preto que encaminhara à Conferência
Nacional dos Bispos (CNBB) o pedido de criação da nova diocese pelo
desdobramento da sua. Segundo o que se conhece, o pedido foi unanimemente
acolhido pelo colegiado especificamente, para isto reunido, em Brasília. O
projeto aprovado deveria subir até o Vaticano como de fato subiu, para exame,
estudos e possível aprovação do Santo Padre, o Papa, naquele tempo reinante,
Paulo VI. A tramitação burocrática do processo se justifica plenamente
porque é o evento de conseqüências muito sérias e graves. Conheceu in loco, em
11 de maio de 1970, quando nos visita, especialmente para orientar e conhecer o
que se passava na Sub-Cúria instalada na Casa Paroquial, Sua Excia. Dom Umberto
Mozzoni, Núncio Apostólico do Brasil, acompanhado do Sr. Arcebispo de Ribeirão
Preto, Dom Felício César da Cunha Vasconcelos, recebidos por Dom José Bernardo
Bueno Miele e Dom José Alvares Mácua, como vigário episcopal da Sub-Cúria. Os
trabalhos prosseguem com zeloso empenho das autoridades para, no dia 18 de março
de 1971, o Santo Padre o Papa Paulo VI, assinar documento oficial, nomeando
bispo da Diocese de Franca, Monsenhor Diógenes Silva Matthes, cura da catedral
de Ribeirão Preto, conforme telegrama do Sr. Núncio Apostólico do Brasil, Dom
Umberto Mozzoni, endereçado a Dom José Álvares Mácua, ficando, assim,
oficialmente criada a diocese de Franca. Diante deste fato, Dom Felício César
da Cunha Vasconcelos, Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto emitiu o
seguinte comunicado: “A nova diocese de Franca, sufragânea (dependente) da
Arquidiocese de Ribeirão Preto, tem como sede episcopal a próspera cidade do
mesmo nome e é integrada pelos habitantes dos municípios de Aramina, Buritizal,
Cristais Paulista, Franca, Guará, Igarapava, Jeriquara, Nuporanga, Orlândia, Patrocínio
Paulista, Pedregulho, Ribeirão Corrente, Rifaina, Sales de Oliveira, São
Joaquim da Barra, São José da Bela Vista. Como bispo do Povo de Deus, nesta
vasta região do estado de São Paulo, foi escolhido pelo sucessor de Pedro,
nosso irmão, Monsenhor Diógenes Silva Matthes...”
Foi
sagrado bispo – o primeiro de Franca, Dom Diógenes, no dia 11 de junho de 1971,
na Catedral Metropolitana de Ribeirão Preto, pela imposição das mãos do Exmº.
Sr. Núncio Apostólico do Brasil, Dom Umberto Mozzoni.
Os
párocos na fase de Igreja Catedral (1971, até hoje, 2009), são:
1.
Pe. José Alberto Peron
2.
Mons. Joaquim Corrêa Leandro
3.
Mons. Oswaldo Pinto Moreira
4.
Mons. Angelo Pignoli
5.
Mons. José Geraldo Segantin
Elevada
a titulo de Catedral pelo Santo Padre, Paulo VI, com a criação da Diocese,
assume Dom Diógenes a responsabilidade da administração nomeando os novos
párocos substituídos com relativa freqüência. O 35º sucessor a ocupar o cargo é
o atual Monsenhor Pe. José Geraldo Segantin, que assume a partir do dia
primeiro de janeiro de 1992. Continua em exercício. Dedicou-se com esmero à
recomposição e melhoria interna e externa do templo dentro do plano celebrativo
dos oitenta anos da sua inauguração. Agora, antes que passe o tempo, já nos
alegramos com a celebração dos noventa anos pensando no seu primeiro centenário
em 2013.
Nesse
intervalo de tempo – 80 anos e os 90, motivo de comemorações, houve
intensificação dos trabalhos de reforma do templo: telhado, rede elétrica,
ampliação do presbitério, reposição do piso, revestimento das paredes internas
acompanhando a altura das bases das colunas, reposição da pia batismal, estante
da palavra, construção dos nove túmulos subterrâneos (cripta) para abrigo dos
Senhores Bispos falecidos no exercício do cargo ou já declarados eméritos. Faz
parte do elenco de realizações, nestes últimos anos: a pintura recentemente
inaugurada, a reforma dos bancos e a decoração dos espaços da sacristia. Também
foram restaurados os altares demolidos por decisão precipitada do Sr. Cura, na
época, o primeiro da fase diocesana. Tudo isso veio acontecendo até os nossos
dias. De tudo à frente o Reverendíssimo Monsenhor José Geraldo Segantin, está o
zeloso, atual e incansável pároco.
Não
foi somente o prédio da Catedral que mereceu a sua atenção durante os dez
últimos anos. O relato seria muito longo. Dom Diógenes, o pastor, saiu a campo
e se encontrou com as ovelhas; de cajado na mão mostrou-lhes as veredas da
caminhada. Nos verdes campos e prados semeia a semente. Cresce a seara. São
necessários novos e santos operários para a missa. Funda com sacrifício e
alegria o Seminário Diocesano. Os primeiros operários são ordenados
presbíteros.
O
fermento está espalhado nos campos férteis, faz transbordar as fronteiras da
diocese. É necessário maior esforço. A surpresa acontece e o Santo Padre o Papa
João Paulo II reforça a Diocese a pedido de Dom Diógenes nomeando Dom Caetano
Ferrari para Bispo Coadjutor. Franca cresce sensivelmente vazando pelo caminho
da fé sob a especial proteção de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da
cidade e da Diocese. O contentamento do povo é grande com forte tendência de
crescimento, desafiando o poder público quanto ao atendimento inadiável das
necessidades físicas da cidade. A Igreja faz-se ativa em todos os setores da
população no seu pastoreio, desdobrando-se as atividades para o desenvolvimento
paralelo da cultura religiosa, da caridade, da vida espiritual e correção da
justiça social. Sente-se, sem dados estatísticos embora, o crescimento numérico
da freqüência dos sacramentos. Os trabalhos diversificados sob as orientação da
Igreja em favor das comunidades, são vários e de grande interesse.
Não
podemos nos alongar no registro e referências às atividades envolventes da
caminhada eclesial, nos dez últimos anos, da Paróquia de Nossa Senhora da
Conceição, por falta de espaço.
Dom
Caetano Ferrari, afim, assumiu a Diocese, como 2º Bispo Diocesano, no dia 8 de
dezembro de 2007 e governou até o dia 31 de maio de 2009 quando, a seu pedido,
foi transferido para a Diocese de Baurú (SP).
No dia
30 de dezembro de 2009, o Santo Padre Bento XVI, nomeou Dom Pedro Luiz
Stringhini, 3º Bispo Diocesano que tomará posse no dia 21 de fevereiro de 2010.
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