Chico Rei está na alma dos congados
Lenda ou história? Chico Rei, o homem que era rei na África e virou escravo no Brasil, faz parte do imaginário. A luta de Chico Rei também está na alma dos congados - uma tradição que mistura música, dança e fé.Aqui em Ouro Preto, a gente tem uma lenda, que é uma das mais bonitas, que é a lenda do Chico Rei. Por exemplo, que segundo conta, ele veio da África, ele era um rei africano. Aí ele chega aqui e faz pra si mesmo a promessa de que ele compraria a sua liberdade e a de todos que ele conseguisse. Então ele chega e compra a mina. Ali na encardideira, que é uma mina que já tava esgotada, que ninguém dava nada por ela. Dentro dessa mina ele sonha com Santa Ifigênia e ela diz pra ele que ele podia continuar a escavação que ele encontraria ouro e conseguiria realizar o sonho de ter a sua liberdade. Realmente, a mina volta a dar muita produção de ouro, ele consegue não só comprar a liberdade dele e a de vários negros, de várias etnias. Ele cria então, ele manda erguer um templo em honra a Santa Ifigênia e cria o primeiro grupo de congo de Minas Gerais, que ainda hoje a gente preserva essa festa. Ela acontece no dia 06 de janeiro que é o reinado de Chico Rei ou festa de Nossa Senhora do Rosário, Santa Ifigênia do Alto da Cruz”, explica Sidnea Santos, historiadora.
"Veio tudo surgindo através da religiosidade do negro. Então a gente vai tentando resgatar isso com crianças, com adolescentes, com adultos” – Rodrigo Alvarenga, capitão mestre do congado.
"É uma grandeza enorme participar de um grupo de congado, seja esse aqui ou em outro grupo que nós chamamos de Moçambique” – Geraldo Bonifácio de Freitas, guarda de congo.
"Sou caixeiro, toco tambor, e o tambor, ele representa o altar de Nossa Senhora do Rosário. Ele é sagrado, não pode ser tocado em carnaval, só festa religiosa" – Kédison Ferreira Guimarães, caixeiro.
Famosa também é a história de Xica da Silva, mas ela não foi a única ex-escrava a ficar rica. "Havia mais mulheres do que homens entre os ex-escravos. A maioria delas pagou por essa libertação e muitas vezes pela libertação dos filhos e até mesmo dos maridos. De onde elas tiravam esses recursos? Do pequeno comércio, de alimentação de rua, que elas dominavam. Até cozinhar, costurar, passando por uma infinidade de atividades, e inclusive, prostituição, também, não exclusivamente, não a mais importante das formas, mas também houve e eu particularmente tenho convicção que talvez a mulher mais rica que eu tenha encontrado nas minhas pesquisas tenha sido exatamente uma dessas mulheres que misturou atividades várias, entre elas a prostituição. Tinha estabelecido redes de comércio entre o Recife, a Bahia e Minas Gerais, e que tinha uma série, um grande número de escravas. Foram muitas Xicas da Silva espalhadas por essa região escravista, da mineração e até mesmo de outras áreas do Brasil”, fala Eduardo França Paiva, professor de história da UFMG.
Nenhum comentário:
Postar um comentário