quarta-feira, 25 de maio de 2016
segunda-feira, 23 de maio de 2016
PENA
DE MORTE EM FRANCA
Palavras-chave: Escravidão, Escravos, Libertos, Cotidiano, Legislação
Resumo: Investigar as relações sociais que
levaram historicamente os povos a utilizarem a pena de morte, com ênfase no
Brasil escravista, mais precisamente na cidade de Castro, Campos Gerais
paranaenses, foi o objetivo desta pesquisa. Ao optarmos pela análise da
escravidão tomando por ponto de partido a violência cristalizada no assassinato
legal de escravos pelo Estado, ilegal, mas aceito, por senhores, ou então,
destes por seus escravos, percebemos que havia nestas mortes, mais do que
simples crimes. Havia uma lógica de relações sociais, não apreendidas no todo,
mesmo com o trabalho em fontes, pois só tornavam-se públicas quando sua
manutenção tinha se tornado impossível. Verificando como que a historiografia
sobre a escravidão brasileira portou-se perante a questão da violência, fomos
identificando como esta percebeu a questão da violência contida nas mortes de
senhores ou de escravos, mais precisamente o que nos propusemos fazer foi uma
leitura de como a noção e as apreensões dos significados da violência foram
sofrendo transformações à medida que os estudos sobre o tema foram se
cristalizando. Feito isto partimos então para uma análise de como esta
bibliografia com suas contribuições nos permitiriam problematizar um município
paranaense colocado nos Campos Gerais. Analisando os processos-crime que tinham
escravos, ora como réus, ora como vítimas, tentamos construir um significado
para aquelas mortes. Mais do que números nas estatísticas criminais, estas
mortes representavam parte de uma dinâmica social que tornava-se conhecida
apenas nos tribunais. Além disto, percebemos que a condenação legal ou não de
escravos à morte, ou o assassinato de senhores por seus escravos, eram parte de uma tônica social que
acabava por confrontar toda a sociedade da época. Os posicionamentos dos
indivíduos nos tribunais não eram isentos das relações que eles travavam no seu
dia-a-dia, e eles tinham que pesar muito bem isto. O que concluímos com a
pesquisa foi que ser condenado à morte naquela época era mais do que apenas
descortinar a possibilidade de morrer. Era desnudar relações sociais complexas
marcadas pela cotidianidade dos sujeitos históricos, que se não apresentava um
contorno sempre claro, tinha os limites de aceitação muito bem definidos. A
morte era o preço pago por quem os desconsiderava.
TERCEIRA VIA
Uma terceira via?
Os dois modelos econômico mais conhecidos (Liberalismo e neoliberalismo de um lado; Socialismo e comunismo do outro) compreendem aquilo que poderíamos chamar de
uma polaridade direita-esquerda. A dinâmica desta polaridade na contemporaneidade
tem levado vários autores a procurar resolver os impasses criados entre elas.
Diante de uma possível falência dos modelos socialistas/comunistas e dos
avanços do mundo globalizado onde o capital exerce um papel preponderante, é
possível pensar um projeto político, para além dessa polaridade e que seja
viável e alternativo? Uma terceira via ou um modelo que inclua em seu arcabouço
teórico e prático Estado . Neste texto vamos dar ênfase ao pensamento de Anthony
Giddens, respeitado acadêmico que exerceu uma grande influência no Partido
Trabalhista Britânico e que escreveu uma obra intitulada Para além da
esquerda e da direita, onde o mesmo afirma que estas duas forças políticas
estão ultrapassadas e propõe o que ele chama de “terceira via”, que seria um
caminho intermediário entre o neoliberalismo (direita) e o socialismo
(esquerda).
Pelo que sabemos vale a pena ressaltar alguns pontos
importantes que estão na confluência dessa polaridade. Desde o século XIX, a esquerda
pode ser identificada pelo valor da igualdade: a desigualdade social é
inadmissível e tem na propriedade privada sua origem. O papel do Estado era
tornar iguais as condições de vida. A experiência proporcionada pelo Capitalismo era a de uma produção abundante acompanhada de miséria, desemprego
e concentração do capital. Por outro lado, as experiências socialistas
(soviética, alemã, chinesa) revelaram as limitações do projeto de
“domesticação” do mercado por parte do Estado, principalmente nas condições
presentes do mundo globalizado. Em outras palavras, a postulação do Estado como
agente econômico exclusivo se revelaram incipientes.
Diante de tais experiências, é possível atingir, na
sociedade civil, consensos quanto aos limites desejáveis da atuação do Estado e
do mercado? Para os autores que falam do fracasso das experiências do Socialismo, qualquer forma de esquerda não poderá prescindir de alguma forma de
mercado. Para os autores que criticam qualquer tipo de concentração de capital
cada vez mais excludente, o mercado não pode agir sem algum tipo de controle e,
quando for o caso, intervenção por parte do Estado.
É para superar as deficiências desses dois modelos que
Anthony Giddens propõe o que ele chama de terceira via que deve enfrentar pelo
menos alguns dilemas postos pela contemporaneidade.
Um desses dilemas diz respeito à Globalização e a globalização econômica é ainda mais evidente: hoje em dia os
mercados movimentam bilhões de dólares em tempo real, diariamente, por todos os
continentes à procura de rendimento melhor e mais seguro. Outro dilema é o
individualismo: na perspectiva da esquerda o individualismo é associado ao
egoísmo e consumismo; na perspectiva da direita o individualismo espelha
simplesmente a permissividade que enfraquece as bases morais da sociedade. É
preciso pensar ou construir novas formas de solidariedade social que assuma
como legítima a demanda pela coexistência entre diferentes modos de vida. Ainda
pra Giddens, na nova configuração que a política contemporânea toma, a
sociedade civil organizada assume parcela significativa no espaço político. A
sociedade civil deve participar e colaborar com as políticas de Estado. Portanto,
entre as características de uma terceira via que enfrente com sucesso o
individualismo do mundo globalizado está a participação ativa e constante dos
cidadãos que possam articular junto com o Estado uma política emancipatória que
busque a Justiça Social e que dê respostas às novas questões que escapam a divisão entre
esquerda e direita. Anthony Giddens retoma a reflexão de Bobbio,
mas, socialdemocrata, discorda no movimento pendular do centro, apontando para uma ‘terceira
via’: nem a regulamentação econômica com anarquia moral – como quer a esquerda;
nem a anarquia econômica com fortes controles morais – como deseja a direita.
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ESQUERDA
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DIREITA
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Defende intervenção econômica do Estado
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Liberdade de Mercado
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Liberdade total para vida sexual e familiar
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Moralismo tradicional, regulamentação da vida civil
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O crime é produto da desigualdade social
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O crime resulta da desagregação familiar resultante da entrada das
mulheres no mercado de trabalho.
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Com a proposta de uma Política
de Terceira Via (2001a, 2001b), Giddens elabora uma resposta ao
impasse entre a Social Democracia tradicional (o keynisianismo e o estado do bem-estar social) e o
neoliberalismo (ou o estado mínimo e aberto às trocas externas) com a ampliação
do papel desempenhado pela Sociedade Civil. Nem a auto regulação selvagem dos
mercados, nem o Estado inoperante e falido; apenas democratização da Democracia pode mediar o conflito entre os interesses econômicos e políticos.
A política de terceira via seria essa despolarização pragmática do modelo
esquerda x direita, em que planejamento e a liberdade se combinem
criativamente. Este realinhamento dos extremos desemboca na ideia de uma
política sem inimigos. Para esquerda, os maus são os Capitalistas, o mercado, as grandes corporações, os EUA, etc; para direita, os maus
são: o estado inchado, o relativismo cultural, os imigrantes e os criminosos.
“Mas não há uma fonte concentrada dos males do mundo: temos que deixar para
trás a política de redenção” (GIDDENS, 2001a, p.45). E essa 'política sem
inimigos', acima da direita e da esquerda, é também um forte argumento
eleitoral.
Muitos são os que minimizam a
importância das ideias de Giddens, mas a verdade é que ela é enorme tanto diretamente
- no Partido Trabalhista britânico, no Partido Democrata dos EUA e em todos os
partidos socialdemocratas ocidentais que seguem explicitamente sua orientação;
como indiretamente, através de imitadores inconfessos de diferentes tipos,
professando ‘novas políticas’ sem os velhos polos extremos opostos ideológicos.
Navegando entre a autonomia cosmopolita
e a dependência fundamentalista, entre o público e o privado, entre a Social Democracia e o neoliberalismo (e entre outros opostos); a política de
terceira via ajudou a terceirizar o estado (diminuir seus custos sem prejuízo
do setor social), através de organizações não governamentais, políticas público-privadas
e redes de agentes temporários. Por outro lado, também inspirou reformas
previdenciárias e flexibilizações nas legislações trabalhistas, sequestrando
direitos de trabalhadores e aposentados em todo mundo.
Giddens (2003) analisa dois grupos de
pensamento sobre Globalização o fenômeno: os ‘céticos e/ou fundamentalistas’, que acham que a
globalização não traz nada de novo: é apenas o desenvolvimento imperialismo
norte-americano; e os ‘radicais cosmopolitas’, que acreditam que ela está
mudando tudo, destacando a onda mundial de adaptação econômica dos ‘países em
desenvolvimento’ à dinâmica do mercado global, bem como a influência cultural
desses países em relação aos ‘países já desenvolvidos’. A essa contra
influência o autor denomina de ‘colonização inversa’. Com a Globalização, as ações não são mais locais, mas têm repercussões mundiais.
Repercussões que, ao mesmo tempo em que mudam as estruturas sociais, interferem
na identidade do cidadão que se encontra no cerne da luta entre dependência e autonomia,
entre fundamentalismo territorial e cosmopolitismo sem raízes.
Porém, a principal deficiência da
política de terceira via é a incompreensão sobre o novo comportamento político
mediado e na transformação do cidadão moderno em um consumidor de informação.
Giddens até reconhece (2003) a importância dos meios de comunicação para o
funcionamento da Democracia, mas não compreende sua relação com o sistema de representação e seu
efeito no comportamento político.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
O QUE É POLITICA
O que é Política:
Política é a ciência da governança de um Estado ou Nação e também uma arte de negociação para compatibilizar interesses. O termo tem origem no grego politiká, uma derivação de polis que designa aquilo que é público. O significado de política é muito abrangente e está, em geral, relacionado com aquilo que diz respeito ao espaço público.
Na ciência política, trata-se da forma de atuação de um governo em relação a determinados temas sociais e econômicos de interesse público: política educacional, política de segurança, política salarial, política habitacional, política ambiental, etc.
O sistema político é uma forma de governo que engloba instituições políticas para governar uma Nação. Monarquia e República são os sistemas políticos tradicionais. Dentro de cada um desses sistemas podem ainda haver variações significativas ao nível da organização. Por exemplo, o Brasil é uma República Presidencialista, enquanto Portugal é uma República Parlamentarista.
Num significado mais abrangente, o termo pode ser utilizado como um conjunto de regras ou normas de uma determinada instituição. Por exemplo, uma empresa pode ter uma política de contratação de pessoas com algum tipo de deficiência ou de não contratação de mulheres com filhos menores. A política de trabalho de uma empresa também é definida pela sua visão, missão, valores e compromissos com os clientes.
É natural que com o passar do tempo, seja necessário proceder a uma alteração de algumas leis ou políticas estabelecidas por um determinado país. No Brasil. a expressão "reforma política" remete para as alterações propostas para o melhoramento do sistema político e eleitoral. Essas propostas são debatidas no Congresso Nacional e são aceites ou recusadas.
Ciência Política
É a ciência que estuda o funcionamento e a estrutura do Estado e das instituições políticas. Também tem como objeto de estudo a relação entre os elementos que estão no Poder (Governo) e os restantes cidadãos.
Nos seus primórdios, a ciência política abordou a política a partir de uma perspectiva filosófica (através de pensadores como Maquiavel, Hobbes, Montesquieu, etc.), mas posteriormente passou a ser uma análise preponderantemente jurídica.
Políticas públicas
Políticas públicas consistem em ações tomadas pelo Estado que têm como objetivo atender os diversos setores da sociedade civil. Essas políticas são muitas vezes feitas juntamente e com o apoio de ONGs (Organizações Não Governamentais) ou empresas privadas. Quanto aos seus tipos, as políticas públicas podem ser distributivas, redistributivas e regulatórias, sendo que podem atuar na área industrial, institucional, agrícola, educacional e da assistência social.
.Política monetária
A política monetária consiste em um conjunto de medidas adotadas pelas autoridades econômicas (governo, banco central) para evitar que a moeda seja uma fonte de desequilíbrios e proporcionar um quadro de referência e enquadramento às forças econômicas. A política monetária controla a quantidade de moeda existente, o crédito e as taxas de juro. A política monetária utiliza como uma das suas ferramentas a influência psicológica sob a forma de informações, declarações e orientações às instituições financeiras.
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