terça-feira, 23 de agosto de 2016
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
O Espaço dado à mulher no início do século XIX
Para
percebermos melhor o papel que Lucíola e Aurélia desempenharam
nos respectivos romances, é bom lembrarmos que até os princípios do século XIX,
não se cultivava, como já se fazia na Europa, o costume da rua e dos salões,
dentro da família brasileira, mesmo aquela citadina. O quadro era bem diferente
no Brasil. O que caracterizava a família era exactamente a sua absoluta
reclusão, em especial no que toca à mulher.
Este facto é comprovado numa
carta, datada desta época, onde um jovem esboça o perfil de sua noiva ao pai,
ressaltando o que se considerava serem as principais qualidades de uma jovem
distinta: “(…) não é rigorista de modas; não sabe dançar nem tocar; não serve
de ornato à janela com leque e com o lenço, não sabe tomar visitas nas
salas...”
Afinal, verificamos que o
que se esperava da então dita “rainha do lar” é que se devotasse com muita
paixão às diferentes actividades que faziam parte do seu governo doméstico a
ponto de não lhe sobrar tempo ou mesmo vontade de servir de “ornato às
janelas”.
Este
facto começa a alterar-se a partir da cidade do Rio de Janeiro, a corte do
regente D. João VI e depois dos imperadores Pedro I e II. A partir desta
altura, as mulheres brasileiras, europeizando-se, começaram a aparecer pela
primeira vez diante de estranhos e os salões dos sobrados anteriormente sempre fechados
eram abertos para as chamadas reuniões “burguesas”, onde passavam a ser
projectados importantes negócios e alianças políticas.
Convém
ressaltar que nestas ditas reuniões de negócios, já se começava a reclamar um
novo tipo de comportamento às donas de casa que, diga-se de passagem, estivera
até então restrita à esfera doméstica.
A partir deste
momento, percebemos que a imagem da mulher começa a pesar e muito na direcção
das pretensões econômicas ou políticas do marido uma vez que a sua postura
diante dos convidados, sua aparência, suas jóias, seus vestidos, seu modo de
receber e de se insinuar junto às grandes personalidades, assim o exigiam.
Assim sendo, a mulher que
outrora se escondia dentro de casa para não ser vista por visitantes
masculinos, começa a adaptar-se a esta nova representação de convívio em
sociedade uma vez que agora a própria sociedade exigia que ela abandonasse o
isolamento em proveito de uma atitude precisamente oposta. Interessante é que,
finalmente, é concedida à mulher a permissão para sair às ruas.
notadas.
Este
facto começa a alterar-se a partir da cidade do Rio de Janeiro, a corte do
regente D. João VI e depois dos imperadores Pedro I e II. A partir desta
altura, as mulheres brasileiras, europeizando-se, começaram a aparecer pela
primeira vez diante de estranhos e os salões dos sobrados anteriormente sempre
fechados eram abertos para as chamadas reuniões “burguesas”, onde passavam a
ser projectados importantes negócios e alianças políticas.
Convém
ressaltar que nestas ditas reuniões de negócios, já se começava a reclamar um
novo tipo de comportamento às donas de casa que, diga-se de passagem, estivera
até então restrita à esfera doméstica.
A
partir deste momento, percebemos que a imagem da mulher começa a pesar e muito
na direcção das pretensões económicas ou políticas do marido uma vez que a sua
postura diante dos convidados, sua aparência, suas jóias, seus vestidos, seu
modo de receber e de se insinuar junto às grandes personalidades, assim o
exigiam.
Assim sendo, a mulher que
outrora se escondia dentro de casa para não ser vista por visitantes
masculinos, começa a adaptar-se a esta nova representação de convívio em
sociedade uma vez que agora a própria sociedade exigia que ela abandonasse o
isolamento em proveito de uma atitude precisamente oposta. Interessante é que,
finalmente, é concedida à mulher a permissão para sair às ruas.
A partir desse quadro
podemos, então, afirmar, que é este tipo de mulher, digamos, carnal, esta
“mulher de salão”, esta “mulher da rua”, esta mulher que inclusive lê romances,
( Lúcia, por exemplo, gostava de ler “A Dama das Camélias” e Aurélia
“Shakespeare”) o modelo local que possivelmente teria inspirado os
primeiros romances urbanos brasileiros e, entre as quais, destacamos Lucíola
e Senhora.
3.3- A
escolha de José de Alencar pela temática da mulher
Das
pesquisas feitas descobrimos que Alencar, desde criança, apresentou um grande
interesse pelo universo feminino. É o próprio autor a afirmar, em sua obra Como
e porque sou romancista, que era ele quem fazia as leituras em sua casa
para um público basicamente feminino: mãe, tia e visitas. O autor fala sobre
como as mulheres se emocionavam com as leituras que ele fazia dos romances e
como era impressionante a forma como elas se envolviam nas histórias
apresentadas.
Alencar diz ser esta
experiência que, provavelmente, lhe terá despertado o interesse pelos romances,
daí vir mais tarde a tornar-se um escritor: “Foi essa leitura contínua e
repetida de novelas e romances que primeiro imprimiu em meu espírito a
tendência para essa forma literária que é entre todas a de minha predileção.”
(Alencar, 2005, p. 29)
Inferimos,
quando Alencar afirma - ser ele o leitor oficial da família - que as mulheres
brasileiras no início do século XIX ainda não tinham adoptado a prática da
leitura, até porque, no período, era bastante reduzido o número de mulheres
alfabetizadas, no entanto, podemos notar que elas já apresentavam um grande
interesse pelas histórias dos romances.
É importante destacarmos que
a chegada dos romances ao Brasil foi um dos factores que contribuiu para
desenvolver nas mulheres o hábito da leitura.
Pensamos ser
correcto dizer que a inteligência e a refinada educação das personagens de
Alencar faziam delas mulheres à frente de seu tempo. No entanto, devemos
destacar que isso não fazia delas mulheres contrárias ao casamento ou mesmo
insubmissas aos maridos. Tais personagens podiam ser tomadas como modelos
ideais de donas de casa, prontas para assumirem o papel de mãe e de esposa.
O amor continua sendo para
elas o ideal de felicidade e o casamento a concretização dessa felicidade. Elas
se sujeitam aos seus amados não por medo ou por obrigação, mas por amor.
Podemos
ver que a educação e a inteligência da personagem não fazem com que ela deixe
de lado as prendas domésticas, ao contrário, por ser prendada, ela se torna
ainda mais admirável e virtuosa aos olhos do narrador.
As heroínas românticas,
representam, para o futuro esposo, duas funções básicas: a primeira seria a de
objecto de prazer, daí o destaque dado à beleza dessas personagens; e a segunda
é o da organização familiar — é ela quem vai cuidar da casa e dos filhos para
que ele possa cumprir suas obrigações fora do ambiente doméstico — daí elas
serem representadas como mulheres virtuosas e prendadas.
4.2- Aurélia:
uma mulher à frente de sua época
Em
Senhora, Alencar cria, à semelhança de Lucíola, uma heroína, também ela
com traços de carácter ambíguos, à partida.
Esta
constatação baseou-se na análise da personalidade da protagonista da obra.
Podemos
perceber, na personagem, uma mistura de boa e má, anjo e demónio, Bela e Fera.
Exemplifiquemos com alguns trechos da obra as qualidades de boa, anjo, fera e
demónio, respectivamente:
Corria então Aurélia a consolá-lo. Sabia ela já a causa
daquele pranto, cuja explicação uma vez lhe arrancara à força de carinho e
meiguice. Tirava-o do desespero, animava-o a tentar a operação, e para
suster-lhe os esforços ia auxiliando-lhe a memória e dirigindo o cálculo. (
Alencar, 2004, p. 61)
Observamos
que Aurélia, construída de acordo com a concepção romântica e, por isso mesmo,
conservando e difundindo o mito da beleza e pureza, oscila entre a passividade
servil e as atitudes de reivindicação, agindo sobre o universo masculino de
modo a fazê-lo, de certa forma, satisfazer suas exigências e anseios:
“Soltando estas
palavras com pasmosa volubilidade, que parecia indicar o requinte da
imprudência, Fernando sentou-se outra vez defronte da mulher.
- Espero suas
ordens.
- Oh! Sim,
deixe-me! Exclamou Aurélia. O senhor me causa horror.” ( Alencar, 2004, p. 86).
É necessário salientar a
importância que Alencar concede à mulher, apresentando a sua capacidade de
expor as suas qualidades femininas de conquista ao homem amado.
Podemos, então,
afirmar que Aurélia simboliza a grande vitória da mulher na obra de José de
Alencar pois tem a oportunidade de optar por aquilo que antes lhe era imposto (
marido e casamento ).
Aurélia ocupava uma posição
privilegiada na sociedade, pois, no século XIX a riqueza era ( parece que ainda
é ) a primeira medida de valor. Na posse do dinheiro, a personagem pôde
satisfazer todos os seus caprichos com facilidade.
O intelectualismo, a
superioridade de Aurélia, estabelece uma barreira entre ela e Seixas.
E interessante é que o
dinheiro consegue inverter a posição da mulher em Aurélia e a posição de homem
em Seixas.
Aurélia sendo pobre, usa dos
estratagemas permitidos pelos costumes sociais da época para conseguir um
marido, uma vez que ter um marido, era a medida de segurança para uma mulher.
Nesse momento da narrativa,
Aurélia dá mostras de emancipação, comportando-se de modo diferente em relação
à mulher da época. Sua ambição é ser amada. Não deseja alcançar um homem
através de um casamento forçado. Este gesto de Aurélia afigura-se-nos incomum
por parte da protagonista que tendo a oportunidade de ter nas mãos o homem que
ama e podendo prendê-lo por obrigações morais, pelo contrário, abre mão dos
direitos convencionais de noiva, porque desejava que o gesto do casamento fosse
espontâneo.
Analisando as regras que
regiam a sociedade de então podemos notar que para uma mulher moldada ao gosto
patriarcal, Aurélia, ao se dar ao luxo de mostrar-se
orgulhosa nessa situação, rompe com uma série de tabus e
preconceitos, reafirmando sua auto-suficiência, mesmo sendo uma mulher.
Na sociedade patriarcal, vigente no
século XIX, um homem rico que se unia à uma moça pobre apresentava motivos para
lisonjear a mulher escolhida e a si mesmo pois, um homem rico, ao se tornar
generoso para com a moça pobre, permanecia grande e superior.
Na situação do
romance temos um quadro totalmente contrário às leis vigentes na época.
Aurélia, numa atitude de falsa generosidade - seu objectivo era de vingança –
compra um marido. Gesto que, ao contrário de lisonjear o homem escolhido o
diminuía e o rebaixava. E curioso é que esse gesto também diminuía a mulher
pois, na época, um homem que tivesse sido humilhado em sua masculinidade não
permitia também que a mulher se realizasse em sua feminilidade.
Temos então, uma inversão
normal dos padrões da época onde uma mulher nunca opinava com relação ao
marido, o qual o pai era quem geralmente escolhia, quanto mais chegar ao ponto
dela mesma realizar o negócio.
Podemos, então,
concluir que, de facto, Aurélia foi uma mulher à frente de seu tempo, pois foi
uma mulher sem medo da sociedade e disposta a se impor em toda sua essência.
Aurélia afigura-se como uma mulher “avançada” para sua época e para a cidade em
que vivia. Uma mulher capaz de pagar com a mesma moeda o mal que lhe tinha sido
causado pelo amante fazendo com que este se ajoelhasse a seus pés: “Seixas
ajoelhou aos pés da noiva .” ( Alencar, 2004, p. 54).
Conclusão
Ao
longo do trabalho percebemos que no século XIX a mulher não gozava de muitos
estatutos em relação ao homem. O casamento era a única porta para uma vida
fácil e respeitável e não é por acaso que tanto Lúcia como Aurélia almejaram
esse sonho. Já na época se dizia que era melhor qualquer casamento do que
nenhum, mostrando dessa forma a importância do casamento.
Tudo
isso porque a Mulher sempre teve na sociedade um papel de submissão e de
inferioridade em relação ao homem.
Vejamos:
As
mulheres brasileiras do século XIX viviam sob um regime patriarcal e limitadas
a uma vida doméstica. Não se notava a autonomia da mulher. Dentro da família
quem mandava era o homem.
Nestes aspectos, a
literatura mundial e, especificamente, a brasileira, através de autores
literários, em especial Alencar, rompeu as barreiras do universo feminino,
procurando desmistificar este papel.
Na
poesia romântica percebemos que os autores românticos rectratavam esse drama
humano que envolvia a mulher, escrevendo sobre amores trágicos e os seus
desejos.
Na
prosa o público da época preferia um romance que tivesse uma história
sentimental, com alguma surpresa e desfecho feliz. Como sempre, a mulher fazia
parte deste enredo. Neste aspecto, Lúcia e Senhora servem muito
bem de exemplos. Para conseguirem a vitória sobre o amor tiveram que lutar
contra tudo e todos.
Mesmo
na dramaturgia a mulher era apresentada como aquela que simbolizava o
sofrimento e o ser mais fraco. Aquela sobre quem o homem tinha domínio.
Lúcia e
Aurélia, protagonistas e ferramentas chave do presente trabalho, ousaram romper
com este papel. E por terem agido dessa forma, enfrentaram os tabus para a
época em que viveram.
Ao
criar duas personagens fortes e distintas, Alencar, com uma visão ampla da
sociedade e do ser humano, reflectiu as contradições do novo mundo romântico
pois retratou a realidade feminina vivida no século XIX e tentou buscar o
verdadeiro papel da mulher no todo que as envolve: A mulher que é capaz de
lutar para alcançar a tão esperada realização pessoal. mulher no todo que as
envolve: A mulher que é capaz de lutar para alcançar a tão esperada realização
pessoal.
Podemos então afirmar que
Alencar é o pioneiro, no que diz respeito à Literatura Brasileira, em
representar a mulher capaz de romper com preconceitos e lutar por sua liberdade
pessoal.
Aurélia,
como o próprio nome indica, representa o brilho e a glorificação da moral; é
edificada ao redor da ideia de que, nas camadas populares, ainda não
contagiadas pelas normas e hábitos burgueses, residem a alma e o espírito
puros, a honradez e integridade de carácter. Aurélia foi uma menina órfã, que
ao receber uma herança, passou por mudanças rápidas em seu viver e atitudes,
mas “não porém no carácter nem nos sentimentos.” ( Alencar, 2004).
Aurélia
foi uma mulher autónoma em todos os aspectos de sua vida. Comprou, humilhou e
recompensou, no final, o homem que amava. O que não aconteceu quando era pobre.
Ou seja, ela só conseguiu autonomia a partir do momento em que se tornou rica,
mostrando que a sociedade dava maior atenção aos bens económicos.
Numa sociedade onde o homem é quem dominava e subjugava a
mulher, Aurélia conseguiu inverter esse papel. Dominou, subjugou e humilhou
Seixas.
Cremos ser lógico afirmar que Aurélia foi uma mulher forte
que esteve à frente de sua época uma vez que, agindo dessa forma, contrariou as
leis que regiam a sociedade de então.
É incrível que quando
analisamos a vida de Aurélia quando era pobre, verificamos que o seu
comportamento exemplifica os modelos perfeitos para uma mulher do século XIX (
sempre em casa, cuidando da família, prudente e discreta) mas, quando a
analisamos nos bastidores da sua vida na sociedade torna-se claro concluir que
ela teve, de facto, uma comportamento distinto das demais mulheres de sua
época.
Podemos
concluir que ambas as protagonistas Aurélia e Lúcia lutaram unicamente para, no
final da história terem ao seu lado uma figura masculina, tendo ocupado um
lugar de destaque nas respectivas obras, pois todos os acontecimentos giram à
volta dessas mulheres destemidas.
Do nosso ponto de vista
podemos concluir que Alencar soube valorizar a mulher elevando a alma feminina
em Lucíola e Senhora.
CONSUMO
Hoje em dia, um dos grandes
problemas, na sociedade é o Consumismo, no qual as pessoas consomem muito, sem
se preocuparem com o que ou para que vão utilizar os objetos comprados, em
alguns casos consomem somente pelo 'prazer' de consumir.
Teve suas bases fundadas na revolução industrial e as classes média e alta são as que mais ''utilizam'' o consumismo. O que algumas pessoas não conhecem, pelo fato de estarem sendo tão consumista que não lembram mais como é ser consumidor, é o consumo consciente, cujo é realizada a compra de um determinado produto sem prejudicar o meio, etc.
Teve suas bases fundadas na revolução industrial e as classes média e alta são as que mais ''utilizam'' o consumismo. O que algumas pessoas não conhecem, pelo fato de estarem sendo tão consumista que não lembram mais como é ser consumidor, é o consumo consciente, cujo é realizada a compra de um determinado produto sem prejudicar o meio, etc.
DESENVOLVIVEMTO
Você já parou para pensar em por que nós consumimos da maneira
exagerada?Primeiramente, entenda que consumo é diferente de consumismo. O
consumo, em linhas gerais, se caracteriza por suprir necessidades relacionadas
à sobrevivência de cada pessoa, enquanto o consumismo desvincula-se disso,
estando associado ao consumo demasiado e/ou supérfluo.
A origem da atual tendência consumista tem origem na história da
humanidade. Principalmente após a segunda guerra mundial houve um crescimento
acelerado da população atrelado ao aumento no consumo de matéria-prima. Após a
revolução industrial, os processos de produção e circulação de bens foram
agilizados. Com o avanço da produção industrial houve um grande distanciamento
entre as pessoas e o conhecimento em relação aos meios de produção, gerando
alienação.
Além dessa questão histórica, outros fatores influenciam o consumismo:
- Status e poder: durante muitos anos o consumo foi privilégio de classes mais ricas que sempre detiveram o poder social, político e econômico, determinando o “ter” como sinônimo de poder. Aí entra o status. Os bens consumidos determinam o poder que a pessoa tem e o status em que ela se encontra nessa relação.
- Novos produtos/moda: atualmente há uma grande rotatividade e lançamento de novos produtos que saem e entram em moda e que somos induzidos a comprar através do apelo midiático.
- Apelo midiático: o consumismo é também estimulado pela mídia quer a todo custo nos fazer acreditar que realmente precisamos de determinado produto.
As conseqüências desse consumo desenfreado são bastante visíveis, haja vista a crise ambiental que estamos vivenciando. Além de aumentar o consumo de matéria-prima e a produção, o consumismo traz um outro agravante: o descarte. O lixo e outros resíduos gerados pelas embalagens e produtos descartados tem causado grandes problemas ambientais.
As mudanças no padrão de consumo da sociedade se fazem urgentes e só ocorrerão a partir de uma conscientização a respeito da necessidade de consumo.
Muitas pessoas justificam o consumo desenfreado alegando que a manipulação midiática e o sistema capitalista em que vivemos nos limitam ao consumismo. Mas eu questiono: estamos limitados ou moldados ao padrão? E você, é consumidor ou consumista?
Não
há como fugir do consumo. Ele representa nossa sobrevivência e não é possível
passar um único dia sem praticá-lo. Precisamos adquirir bens para suprir nossas
necessidades de alimentação, vestuário, lazer, educação, abrigo.
Associado
ao termo consumo sempre surge a ideia do consumismo e cuja diferenciação não é
tão simples quanto parece. Muito mais do que pessoas que compram muito e
adquirem bens que não precisam, o consumismo é um retrato do modelo atual de
sociedade, do desperdício e dos valores que imperam. O consumismo refere-se a
um modo de vida orientado por uma crescente busca pelo consumo de bens ou
serviços e sua relação simbólica com prazer, sucesso, felicidade, que todos os
seres humanos almejam, e frequentemente é observada nas mensagens comerciais
dos meios de comunicação de massa.
Em
meio às suas rotinas de consumo, as pessoas têm cada vez mais dificuldade em
perceber o que é necessário e o que é supérfluo e avaliar o tamanho do seu consumo.
E é natural que o que é essencial para uma pessoa seja dispensável para outra
devido à complexidade e à diversidade do ser humano. Qual é, afinal, o consumo
ideal para uma pessoa ou uma família? Podemos mensurar as necessidades do
outro? E seus desejos? Mais do que focar nos consumidores, podemos ter a
percepção do tamanho do consumismo observando o culto ao consumo que impera em
todos os meios. O nosso sistema de produção e toda a engrenagem que alimenta o
sistema capitalista são impulsionados pelo consumo excessivo. Basta
verificarmos como produzimos bens para serem pouco usados e logo descartados,
com enorme impacto ambiental, gasto de água, recursos, energia e trabalho
humano, para sentirmos como nossos processos não são sustentáveis, por mais que
tentem pintá-los de verde. Enquanto convivermos com o bombardeio publicitário
incentivando o consumismo, com a obsolescência programada não apenas de
produtos tecnológicos mas também de pessoas, suas roupas e demais objetos, e um
modelo de produção linear, que produz grande volume de resíduos, estamos
vivenciando o consumismo.
Indução
ao consumo
Para
que as pessoas possam entender como elas vivem em um processo de consumo sem
consciência é importante um entendimento individual acerca das necessidades
reais e fabricadas. O condicionamento ao consumo pode acontecer de várias
formas mas a comunicação mercadológica que chega a homens, mulheres e crianças
tem um papel decisivo. Os modismos chegam por novelas, desfiles, comerciais,
incentivando hábitos que não eram comuns a determinado grupo. E com isso
cria-se, então, um consumo que não existia.
Como
resistir aos comportamentos consumistas? Quando pensamos na consciência antes
do consumo temos como objetivo justamente entender o que é necessidade para o
ser humano hoje. É tirar o foco do consumo e colocar em um entendimento de
nossas necessidades e desejos e nos impactos pessoais, sociais e ambientais de
nossas escolhas. Em meio a suas rotinas estressantes de trabalho, a uma corrida
para ganhar dinheiro e pagar as contas no fim do mês, estamos perdendo a
essência da vida. Qual seria um olhar com consciência da relação trabalho e
obtenção de renda e estilo de vida e de consumo? Ocupamos nosso tempo, fazemos
tarefas que não gostamos, nos afastamos de nossas famílias por longas horas
para consumir coisas que a gente não precisa ou não precisaria e que são,
inclusive, maléficas à nossa saúde física e mental. Mas estamos mergulhados em
uma comunicação mercadológica que diz que aquele item é importante para que a
gente se sinta bem e que pertença a determinados grupos. O consumo é visto como
algo que credencia as pessoas e dá acesso a um mundo ilusório de perfeição e
felicidade.
Mais
grave ainda é a situação vivida pelas crianças e adolescentes, nos dias de
hoje, que crescem em meio a valores extremamente materialistas e consumistas.
Como falar em sustentabilidade se não cuidamos da infância em um sentido amplo,
não oferecemos proteção contra todo tipo de abuso, inclusive a exploração
comercial, e a disseminação de comportamentos insustentáveis? Estamos
garantindo as condições para que no futuro as pessoas possam viver com
qualidade?
Comerciais
abusivos que falam direto para as crianças, promoções que nos ofertam brindes e
descontos tipo leve 6 e pague 5, campanhas sedutoras e estratégias de venda com
profundo conhecimento do comportamento humano. Armadilhas para um mundo
consumista. Conseguir se desvencilhar deste grande emaranhado de recursos que
induzem ao consumismo é hoje uma tarefa que exige um redescobrir do que é o ser
humano, do nosso papel, e da nossa condição acima de “sujeitos-mercadorias”,
como coloca o escritor Zygmunt Bauman. Será que conseguimos? Um desafio que
engloba uma tomada de consciência, uma nova comunicação midiática, mudança de
valores, educação ambiental e para o consumo e, sobretudo, uma educação para a
vida.
Resumo- Consumo e Consumismo
O consumo e consumismo O consumo são a satisfação das
necessidades básicas que faz parte da existência do homem enquanto ser
cultural. Nas socidades que passaram pelo processo de industriaalização, a
apreensão dos conteúdos simbólicos da cultura não se faz apenas por intermédio
do consumo, mas, principalmente, por meio do consumismo. O consumismo está
mais relacionado com a criação de desejos e não tanto com a satisfação das
necessidades. Ou seja, muitas das propagandas, ao tentar vender seus produtos,
não apelam apenas para uma necessidade que o indivíduo tem e que aquele produto
irá preencher ou satisfazer, mas relaciona-se a desejos que ele nem sabe que
tem ou que muitas vezes não tem. Zygmunt Bauman O sociólogo
polonês Zygmunt Bauman afirma que o consumismo é a incessante criação de
desejos que implica na contínua substituição dos objetos, uma vez que novas
necessidades são criadas o tempo todo e assim nos baseamos no excesso e no
desperdício.
O consumismo é uma compulsão que leva o indivíduo a
comprar de forma ilimitada e sem necessidade bens, mercadorias e/ou serviços.
Ele se deixa influenciar excessivamente pela mídia, o que é comum em um sistema
dominado pelas preocupações de ordem material, na qual os apelos do capitalismo
calam fundo na mente humana. Não é à toa que o universo contemporâneo no qual
habitamos é conhecido como “sociedade de consumo”. Depois da Revolução Industrial, que possibilitou o aumento da escala
de produção e incrementou o volume de mercadorias em circulação, o mundo se
modificou profundamente. Com a industrialização veio o desenvolvimento econômico nos moldes do liberalismo e o consumismo alienado, ou seja, é como se
as mercadorias fossem entidades abstratas e autônomas, independentes dos
esforços humanos. Porque agora o homem não consome mais, como outrora, os
produtos que ele mesmo elabora. Ele se encontra apartado dos frutos de seu
próprio trabalho.
O consumista não age como o consumidor, que compra as mercadorias e os
serviços de que necessita para sua existência, já aquele está sempre
atravessando as fronteiras da necessidade e tocando as margens do supérfluo.
Ele atua muitas vezes movido por distúrbios emocionais e psicológicos, ou por
motivações sócio-econômicas, como uma espécie de compensação pela frieza do
convívio social, pela carência financeira, por uma auto-estima deteriorada, e
por tantas outras razões. O resultado dessa atitude impulsiva é geralmente o
endividamento crescente, então o indivíduo assume uma sobrecarga de trabalho,
na tentativa de eliminar as dívidas, conseqüentemente é submetido a um regime
de exploração no trabalho, novamente se vê emocionalmente frágil e se torna
propenso de novo ao consumismo feroz. Como se percebe, cria-se um círculo
vicioso, do qual somente com muito esforço e um eficaz tratamento terapêutico o
sujeito pode se libertar.
Além do mais, o acúmulo cada vez maior de supérfluos leva nossa
sociedade a uma deterioração dos hábitos e dos valores, pois as pessoas se
tornam gradualmente escravas do materialismo, em detrimento do caráter
espiritual da vida. As próprias relações sociais se desvalorizam diante da
valia crescente das mercadorias, na verdade até mesmo os relacionamentos se
submetem a critérios materiais. O consumismo pode provocar também uma grave
perturbação psíquica, a oneomania, que conduz o indivíduo a um gasto
compulsivo, mais comum entre as mulheres. A natureza também é prejudicada pelo
consumo ilimitado, porque o incremento das mercadorias, não só da demanda, mas
também da oferta, produz no meio ambiente o aumento do volume do lixo.
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