quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O Espaço dado à mulher no início do século XIX

Para percebermos melhor o papel que Lucíola e Aurélia desempenharam nos respectivos romances, é bom lembrarmos que até os princípios do século XIX, não se cultivava, como já se fazia na Europa, o costume da rua e dos salões, dentro da família brasileira, mesmo aquela citadina. O quadro era bem diferente no Brasil. O que caracterizava a família era exactamente a sua absoluta reclusão, em especial no que toca à mulher.
Este facto é comprovado numa carta, datada desta época, onde um jovem esboça o perfil de sua noiva ao pai, ressaltando o que se considerava serem as principais qualidades de uma jovem distinta: “(…) não é rigorista de modas; não sabe dançar nem tocar; não serve de ornato à janela com leque e com o lenço, não sabe tomar visitas nas salas...”
Afinal, verificamos que o que se esperava da então dita “rainha do lar” é que se devotasse com muita paixão às diferentes actividades que faziam parte do seu governo doméstico a ponto de não lhe sobrar tempo ou mesmo vontade de servir de “ornato às janelas”.
Este facto começa a alterar-se a partir da cidade do Rio de Janeiro, a corte do regente D. João VI e depois dos imperadores Pedro I e II. A partir desta altura, as mulheres brasileiras, europeizando-se, começaram a aparecer pela primeira vez diante de estranhos e os salões dos sobrados anteriormente sempre fechados eram abertos para as chamadas reuniões “burguesas”, onde passavam a ser projectados importantes negócios e alianças políticas.
Convém ressaltar que nestas ditas reuniões de negócios, já se começava a reclamar um novo tipo de comportamento às donas de casa que, diga-se de passagem, estivera até então restrita à esfera doméstica.
A partir deste momento, percebemos que a imagem da mulher começa a pesar e muito na direcção das pretensões econômicas ou políticas do marido uma vez que a sua postura diante dos convidados, sua aparência, suas jóias, seus vestidos, seu modo de receber e de se insinuar junto às grandes personalidades, assim o exigiam.
Assim sendo, a mulher que outrora se escondia dentro de casa para não ser vista por visitantes masculinos, começa a adaptar-se a esta nova representação de convívio em sociedade uma vez que agora a própria sociedade exigia que ela abandonasse o isolamento em proveito de uma atitude precisamente oposta. Interessante é que, finalmente, é concedida à mulher a permissão para sair às ruas.
notadas.
Este facto começa a alterar-se a partir da cidade do Rio de Janeiro, a corte do regente D. João VI e depois dos imperadores Pedro I e II. A partir desta altura, as mulheres brasileiras, europeizando-se, começaram a aparecer pela primeira vez diante de estranhos e os salões dos sobrados anteriormente sempre fechados eram abertos para as chamadas reuniões “burguesas”, onde passavam a ser projectados importantes negócios e alianças políticas.
Convém ressaltar que nestas ditas reuniões de negócios, já se começava a reclamar um novo tipo de comportamento às donas de casa que, diga-se de passagem, estivera até então restrita à esfera doméstica.
A partir deste momento, percebemos que a imagem da mulher começa a pesar e muito na direcção das pretensões económicas ou políticas do marido uma vez que a sua postura diante dos convidados, sua aparência, suas jóias, seus vestidos, seu modo de receber e de se insinuar junto às grandes personalidades, assim o exigiam.
Assim sendo, a mulher que outrora se escondia dentro de casa para não ser vista por visitantes masculinos, começa a adaptar-se a esta nova representação de convívio em sociedade uma vez que agora a própria sociedade exigia que ela abandonasse o isolamento em proveito de uma atitude precisamente oposta. Interessante é que, finalmente, é concedida à mulher a permissão para sair às ruas.
A partir desse quadro podemos, então, afirmar, que é este tipo de mulher, digamos, carnal, esta “mulher de salão”, esta “mulher da rua”, esta mulher que inclusive lê romances, ( Lúcia, por exemplo, gostava de ler “A Dama das Caméliase Aurélia “Shakespeare”) o modelo local que possivelmente teria inspirado os primeiros romances urbanos brasileiros e, entre as quais, destacamos Lucíola e Senhora.

3.3- A escolha de José de Alencar pela temática da mulher
Das pesquisas feitas descobrimos que Alencar, desde criança, apresentou um grande interesse pelo universo feminino. É o próprio autor a afirmar, em sua obra Como e porque sou romancista, que era ele quem fazia as leituras em sua casa para um público basicamente feminino: mãe, tia e visitas. O autor fala sobre como as mulheres se emocionavam com as leituras que ele fazia dos romances e como era impressionante a forma como elas se envolviam nas histórias apresentadas.
Alencar diz ser esta experiência que, provavelmente, lhe terá despertado o interesse pelos romances, daí vir mais tarde a tornar-se um escritor: “Foi essa leitura contínua e repetida de novelas e romances que primeiro imprimiu em meu espírito a tendência para essa forma literária que é entre todas a de minha predileção.” (Alencar, 2005, p. 29)
Inferimos, quando Alencar afirma - ser ele o leitor oficial da família - que as mulheres brasileiras no início do século XIX ainda não tinham adoptado a prática da leitura, até porque, no período, era bastante reduzido o número de mulheres alfabetizadas, no entanto, podemos notar que elas já apresentavam um grande interesse pelas histórias dos romances.
É importante destacarmos que a chegada dos romances ao Brasil foi um dos factores que contribuiu para desenvolver nas mulheres o hábito da leitura.
Pensamos ser correcto dizer que a inteligência e a refinada educação das personagens de Alencar faziam delas mulheres à frente de seu tempo. No entanto, devemos destacar que isso não fazia delas mulheres contrárias ao casamento ou mesmo insubmissas aos maridos. Tais personagens podiam ser tomadas como modelos ideais de donas de casa, prontas para assumirem o papel de mãe e de esposa.
O amor continua sendo para elas o ideal de felicidade e o casamento a concretização dessa felicidade. Elas se sujeitam aos seus amados não por medo ou por obrigação, mas por amor.
Podemos ver que a educação e a inteligência da personagem não fazem com que ela deixe de lado as prendas domésticas, ao contrário, por ser prendada, ela se torna ainda mais admirável e virtuosa aos olhos do narrador.
As heroínas românticas, representam, para o futuro esposo, duas funções básicas: a primeira seria a de objecto de prazer, daí o destaque dado à beleza dessas personagens; e a segunda é o da organização familiar — é ela quem vai cuidar da casa e dos filhos para que ele possa cumprir suas obrigações fora do ambiente doméstico — daí elas serem representadas como mulheres virtuosas e prendadas.

4.2- Aurélia: uma mulher à frente de sua época
Em Senhora, Alencar cria, à semelhança de Lucíola, uma heroína, também ela com traços de carácter ambíguos, à partida.
Esta constatação baseou-se na análise da personalidade da protagonista da obra.
Podemos perceber, na personagem, uma mistura de boa e má, anjo e demónio, Bela e Fera. Exemplifiquemos com alguns trechos da obra as qualidades de boa, anjo, fera e demónio, respectivamente:

Corria então Aurélia a consolá-lo. Sabia ela já a causa daquele pranto, cuja explicação uma vez lhe arrancara à força de carinho e meiguice. Tirava-o do desespero, animava-o a tentar a operação, e para suster-lhe os esforços ia auxiliando-lhe a memória e dirigindo o cálculo. ( Alencar, 2004, p. 61)

Observamos que Aurélia, construída de acordo com a concepção romântica e, por isso mesmo, conservando e difundindo o mito da beleza e pureza, oscila entre a passividade servil e as atitudes de reivindicação, agindo sobre o universo masculino de modo a fazê-lo, de certa forma, satisfazer suas exigências e anseios:

“Soltando estas palavras com pasmosa volubilidade, que parecia indicar o requinte da imprudência, Fernando sentou-se outra vez defronte da mulher.
- Espero suas ordens.
- Oh! Sim, deixe-me! Exclamou Aurélia. O senhor me causa horror.” ( Alencar, 2004, p. 86).

É necessário salientar a importância que Alencar concede à mulher, apresentando a sua capacidade de expor as suas qualidades femininas de conquista ao homem amado.
Podemos, então, afirmar que Aurélia simboliza a grande vitória da mulher na obra de José de Alencar pois tem a oportunidade de optar por aquilo que antes lhe era imposto ( marido e casamento ).
Aurélia ocupava uma posição privilegiada na sociedade, pois, no século XIX a riqueza era ( parece que ainda é ) a primeira medida de valor. Na posse do dinheiro, a personagem pôde satisfazer todos os seus caprichos com facilidade.
O intelectualismo, a superioridade de Aurélia, estabelece uma barreira entre ela e Seixas.
E interessante é que o dinheiro consegue inverter a posição da mulher em Aurélia e a posição de homem em Seixas.
Aurélia sendo pobre, usa dos estratagemas permitidos pelos costumes sociais da época para conseguir um marido, uma vez que ter um marido, era a medida de segurança para uma mulher.
Nesse momento da narrativa, Aurélia dá mostras de emancipação, comportando-se de modo diferente em relação à mulher da época. Sua ambição é ser amada. Não deseja alcançar um homem através de um casamento forçado. Este gesto de Aurélia afigura-se-nos incomum por parte da protagonista que tendo a oportunidade de ter nas mãos o homem que ama e podendo prendê-lo por obrigações morais, pelo contrário, abre mão dos direitos convencionais de noiva, porque desejava que o gesto do casamento fosse espontâneo.
Analisando as regras que regiam a sociedade de então podemos notar que para uma mulher moldada ao gosto patriarcal, Aurélia, ao se dar ao luxo de mostrar-se
orgulhosa nessa situação, rompe com uma série de tabus e preconceitos, reafirmando sua auto-suficiência, mesmo sendo uma mulher.
            Na sociedade patriarcal, vigente no século XIX, um homem rico que se unia à uma moça pobre apresentava motivos para lisonjear a mulher escolhida e a si mesmo pois, um homem rico, ao se tornar generoso para com a moça pobre, permanecia grande e superior.
Na situação do romance temos um quadro totalmente contrário às leis vigentes na época. Aurélia, numa atitude de falsa generosidade - seu objectivo era de vingança – compra um marido. Gesto que, ao contrário de lisonjear o homem escolhido o diminuía e o rebaixava. E curioso é que esse gesto também diminuía a mulher pois, na época, um homem que tivesse sido humilhado em sua masculinidade não permitia também que a mulher se realizasse em sua feminilidade.
Temos então, uma inversão normal dos padrões da época onde uma mulher nunca opinava com relação ao marido, o qual o pai era quem geralmente escolhia, quanto mais chegar ao ponto dela mesma realizar o negócio.
Podemos, então, concluir que, de facto, Aurélia foi uma mulher à frente de seu tempo, pois foi uma mulher sem medo da sociedade e disposta a se impor em toda sua essência. Aurélia afigura-se como uma mulher “avançada” para sua época e para a cidade em que vivia. Uma mulher capaz de pagar com a mesma moeda o mal que lhe tinha sido causado pelo amante fazendo com que este se ajoelhasse a seus pés: “Seixas ajoelhou aos pés da noiva .” ( Alencar, 2004, p. 54).

Conclusão
Ao longo do trabalho percebemos que no século XIX a mulher não gozava de muitos estatutos em relação ao homem. O casamento era a única porta para uma vida fácil e respeitável e não é por acaso que tanto Lúcia como Aurélia almejaram esse sonho. Já na época se dizia que era melhor qualquer casamento do que nenhum, mostrando dessa forma a importância do casamento.
Tudo isso porque a Mulher sempre teve na sociedade um papel de submissão e de inferioridade em relação ao homem.
Vejamos:
As mulheres brasileiras do século XIX viviam sob um regime patriarcal e limitadas a uma vida doméstica. Não se notava a autonomia da mulher. Dentro da família quem mandava era o homem.
Nestes aspectos, a literatura mundial e, especificamente, a brasileira, através de autores literários, em especial Alencar, rompeu as barreiras do universo feminino, procurando desmistificar este papel.
Na poesia romântica percebemos que os autores românticos rectratavam esse drama humano que envolvia a mulher, escrevendo sobre amores trágicos e os seus desejos.
Na prosa o público da época preferia um romance que tivesse uma história sentimental, com alguma surpresa e desfecho feliz. Como sempre, a mulher fazia parte deste enredo. Neste aspecto, Lúcia e Senhora servem muito bem de exemplos. Para conseguirem a vitória sobre o amor tiveram que lutar contra tudo e todos.
Mesmo na dramaturgia a mulher era apresentada como aquela que simbolizava o sofrimento e o ser mais fraco. Aquela sobre quem o homem tinha domínio.
Lúcia e Aurélia, protagonistas e ferramentas chave do presente trabalho, ousaram romper com este papel. E por terem agido dessa forma, enfrentaram os tabus para a época em que viveram.
Ao criar duas personagens fortes e distintas, Alencar, com uma visão ampla da sociedade e do ser humano, reflectiu as contradições do novo mundo romântico pois retratou a realidade feminina vivida no século XIX e tentou buscar o verdadeiro papel da mulher no todo que as envolve: A mulher que é capaz de lutar para alcançar a tão esperada realização pessoal. mulher no todo que as envolve: A mulher que é capaz de lutar para alcançar a tão esperada realização pessoal.
Podemos então afirmar que Alencar é o pioneiro, no que diz respeito à Literatura Brasileira, em representar a mulher capaz de romper com preconceitos e lutar por sua liberdade pessoal.
Aurélia, como o próprio nome indica, representa o brilho e a glorificação da moral; é edificada ao redor da ideia de que, nas camadas populares, ainda não contagiadas pelas normas e hábitos burgueses, residem a alma e o espírito puros, a honradez e integridade de carácter. Aurélia foi uma menina órfã, que ao receber uma herança, passou por mudanças rápidas em seu viver e atitudes, mas “não porém no carácter nem nos sentimentos.” ( Alencar, 2004).
Aurélia foi uma mulher autónoma em todos os aspectos de sua vida. Comprou, humilhou e recompensou, no final, o homem que amava. O que não aconteceu quando era pobre. Ou seja, ela só conseguiu autonomia a partir do momento em que se tornou rica, mostrando que a sociedade dava maior atenção aos bens económicos.
Numa sociedade onde o homem é quem dominava e subjugava a mulher, Aurélia conseguiu inverter esse papel. Dominou, subjugou e humilhou Seixas.
Cremos ser lógico afirmar que Aurélia foi uma mulher forte que esteve à frente de sua época uma vez que, agindo dessa forma, contrariou as leis que regiam a sociedade de então.
É incrível que quando analisamos a vida de Aurélia quando era pobre, verificamos que o seu comportamento exemplifica os modelos perfeitos para uma mulher do século XIX ( sempre em casa, cuidando da família, prudente e discreta) mas, quando a analisamos nos bastidores da sua vida na sociedade torna-se claro concluir que ela teve, de facto, uma comportamento distinto das demais mulheres de sua época.
Podemos concluir que ambas as protagonistas Aurélia e Lúcia lutaram unicamente para, no final da história terem ao seu lado uma figura masculina, tendo ocupado um lugar de destaque nas respectivas obras, pois todos os acontecimentos giram à volta dessas mulheres destemidas.

Do nosso ponto de vista podemos concluir que Alencar soube valorizar a mulher elevando a alma feminina em Lucíola e Senhora.

CONSUMO

Hoje em dia, um dos grandes problemas, na sociedade é o Consumismo, no qual as pessoas consomem muito, sem se preocuparem com o que ou para que vão utilizar os objetos comprados, em alguns casos consomem somente pelo 'prazer' de consumir.
Teve suas bases fundadas na revolução industrial e as classes média e alta são as que mais ''utilizam'' o consumismo. O que algumas pessoas não conhecem, pelo fato de estarem sendo tão consumista que não lembram mais como é ser consumidor, é o consumo consciente, cujo é realizada a compra de um determinado produto sem prejudicar o meio, etc.

DESENVOLVIVEMTO
Você já parou para pensar em por que nós consumimos da maneira exagerada?Primeiramente, entenda que consumo é diferente de consumismo. O consumo, em linhas gerais, se caracteriza por suprir necessidades relacionadas à sobrevivência de cada pessoa, enquanto o consumismo desvincula-se disso, estando associado ao consumo demasiado e/ou supérfluo.


 A origem da atual tendência consumista tem origem na história da humanidade. Principalmente após a segunda guerra mundial houve um crescimento acelerado da população atrelado ao aumento no consumo de matéria-prima. Após a revolução industrial, os processos de produção e circulação de bens foram agilizados. Com o avanço da produção industrial houve um grande distanciamento entre as pessoas e o conhecimento em relação aos meios de produção, gerando alienação.

Além dessa questão histórica, outros fatores influenciam o consumismo:
- Status e poder: durante muitos anos o consumo foi privilégio de classes mais ricas que sempre detiveram o poder social, político e econômico, determinando o “ter” como sinônimo de poder. Aí entra o status. Os bens consumidos determinam o poder que a pessoa tem e o status em que ela se encontra nessa relação.
- Novos produtos/moda: atualmente há uma grande rotatividade e lançamento de novos produtos que saem e entram em moda e que somos induzidos a comprar através do apelo midiático.
- Apelo midiático: o consumismo é também estimulado pela mídia quer a todo custo nos fazer acreditar que realmente precisamos de determinado produto.

As conseqüências desse consumo desenfreado são bastante visíveis, haja vista a crise ambiental que estamos vivenciando. Além de aumentar o consumo de matéria-prima e a produção, o consumismo traz um outro agravante: o descarte. O lixo e outros resíduos gerados pelas embalagens e produtos descartados tem causado grandes problemas ambientais.

As mudanças no padrão de consumo da sociedade se fazem urgentes e só ocorrerão a partir de uma conscientização a respeito da necessidade de consumo.
Muitas pessoas justificam o consumo desenfreado alegando que a manipulação midiática e o sistema capitalista em que vivemos nos limitam ao consumismo. Mas eu questiono: estamos limitados ou moldados ao padrão? E você, é consumidor ou consumista?

Não há como fugir do consumo. Ele representa nossa sobrevivência e não é possível passar um único dia sem praticá-lo. Precisamos adquirir bens para suprir nossas necessidades de alimentação, vestuário, lazer, educação, abrigo.
Associado ao termo consumo sempre surge a ideia do consumismo e cuja diferenciação não é tão simples quanto parece. Muito mais do que pessoas que compram muito e adquirem bens que não precisam, o consumismo é um retrato do modelo atual de sociedade, do desperdício e dos valores que imperam. O consumismo refere-se a um modo de vida orientado por uma crescente busca pelo consumo de bens ou serviços e sua relação simbólica com prazer, sucesso, felicidade, que todos os seres humanos almejam, e frequentemente é observada nas mensagens comerciais dos meios de comunicação de massa.
Em meio às suas rotinas de consumo, as pessoas têm cada vez mais dificuldade em perceber o que é necessário e o que é supérfluo e avaliar o tamanho do seu consumo. E é natural que o que é essencial para uma pessoa seja dispensável para outra devido à complexidade e à diversidade do ser humano. Qual é, afinal, o consumo ideal para uma pessoa ou uma família? Podemos mensurar as necessidades do outro? E seus desejos? Mais do que focar nos consumidores, podemos ter a percepção do tamanho do consumismo observando o culto ao consumo que impera em todos os meios. O nosso sistema de produção e toda a engrenagem que alimenta o sistema capitalista são impulsionados pelo consumo excessivo. Basta verificarmos como produzimos bens para serem pouco usados e logo descartados, com enorme impacto ambiental, gasto de água, recursos, energia e trabalho humano, para sentirmos como nossos processos não são sustentáveis, por mais que tentem pintá-los de verde. Enquanto convivermos com o bombardeio publicitário incentivando o consumismo, com a obsolescência programada não apenas de produtos tecnológicos mas também de pessoas, suas roupas e demais objetos, e um modelo de produção linear, que produz grande volume de resíduos, estamos vivenciando o consumismo.
Indução ao consumo
Para que as pessoas possam entender como elas vivem em um processo de consumo sem consciência é importante um entendimento individual acerca das necessidades reais e fabricadas. O condicionamento ao consumo pode acontecer de várias formas mas a comunicação mercadológica que chega a homens, mulheres e crianças tem um papel decisivo. Os modismos chegam por novelas, desfiles, comerciais, incentivando hábitos que não eram comuns a determinado grupo. E com isso cria-se, então, um consumo que não existia.
Como resistir aos comportamentos consumistas? Quando pensamos na consciência antes do consumo temos como objetivo justamente entender o que é necessidade para o ser humano hoje. É tirar o foco do consumo e colocar em um entendimento de nossas necessidades e desejos e nos impactos pessoais, sociais e ambientais de nossas escolhas. Em meio a suas rotinas estressantes de trabalho, a uma corrida para ganhar dinheiro e pagar as contas no fim do mês, estamos perdendo a essência da vida. Qual seria um olhar com consciência da relação trabalho e obtenção de renda e estilo de vida e de consumo? Ocupamos nosso tempo, fazemos tarefas que não gostamos, nos afastamos de nossas famílias por longas horas para consumir coisas que a gente não precisa ou não precisaria e que são, inclusive, maléficas à nossa saúde física e mental. Mas estamos mergulhados em uma comunicação mercadológica que diz que aquele item é importante para que a gente se sinta bem e que pertença a determinados grupos. O consumo é visto como algo que credencia as pessoas e dá acesso a um mundo ilusório de perfeição e felicidade.
Mais grave ainda é a situação vivida pelas crianças e adolescentes, nos dias de hoje, que crescem em meio a valores extremamente materialistas e consumistas. Como falar em sustentabilidade se não cuidamos da infância em um sentido amplo, não oferecemos proteção contra todo tipo de abuso, inclusive a exploração comercial, e a disseminação de comportamentos insustentáveis? Estamos garantindo as condições para que no futuro as pessoas possam viver com qualidade?
Comerciais abusivos que falam direto para as crianças, promoções que nos ofertam brindes e descontos tipo leve 6 e pague 5, campanhas sedutoras e estratégias de venda com profundo conhecimento do comportamento humano. Armadilhas para um mundo consumista. Conseguir se desvencilhar deste grande emaranhado de recursos que induzem ao consumismo é hoje uma tarefa que exige um redescobrir do que é o ser humano, do nosso papel, e da nossa condição acima de “sujeitos-mercadorias”, como coloca o escritor Zygmunt Bauman. Será que conseguimos? Um desafio que engloba uma tomada de consciência, uma nova comunicação midiática, mudança de valores, educação ambiental e para o consumo e, sobretudo, uma educação para a vida.

Resumo- Consumo e Consumismo
O consumo e consumismo O consumo são a satisfação das necessidades básicas que faz parte da existência do homem enquanto ser cultural. Nas socidades que passaram pelo processo de industriaalização, a apreensão dos conteúdos simbólicos da cultura não se faz apenas por intermédio do consumo, mas, principalmente, por meio do consumismo. O consumismo está mais relacionado com a criação de desejos e não tanto com a satisfação das necessidades. Ou seja, muitas das propagandas, ao tentar vender seus produtos, não apelam apenas para uma necessidade que o indivíduo tem e que aquele produto irá preencher ou satisfazer, mas relaciona-se a desejos que ele nem sabe que tem ou que muitas vezes não tem. Zygmunt Bauman O sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma que o consumismo é a incessante criação de desejos que implica na contínua substituição dos objetos, uma vez que novas necessidades são criadas o tempo todo e assim nos baseamos no excesso e no desperdício.

consumismo é uma compulsão que leva o indivíduo a comprar de forma ilimitada e sem necessidade bens, mercadorias e/ou serviços. Ele se deixa influenciar excessivamente pela mídia, o que é comum em um sistema dominado pelas preocupações de ordem material, na qual os apelos do capitalismo calam fundo na mente humana. Não é à toa que o universo contemporâneo no qual habitamos é conhecido como “sociedade de consumo”. Depois da Revolução Industrial, que possibilitou o aumento da escala de produção e incrementou o volume de mercadorias em circulação, o mundo se modificou profundamente. Com a industrialização veio o desenvolvimento econômico nos moldes do liberalismo e o consumismo alienado, ou seja, é como se as mercadorias fossem entidades abstratas e autônomas, independentes dos esforços humanos. Porque agora o homem não consome mais, como outrora, os produtos que ele mesmo elabora. Ele se encontra apartado dos frutos de seu próprio trabalho.
O consumista não age como o consumidor, que compra as mercadorias e os serviços de que necessita para sua existência, já aquele está sempre atravessando as fronteiras da necessidade e tocando as margens do supérfluo. Ele atua muitas vezes movido por distúrbios emocionais e psicológicos, ou por motivações sócio-econômicas, como uma espécie de compensação pela frieza do convívio social, pela carência financeira, por uma auto-estima deteriorada, e por tantas outras razões. O resultado dessa atitude impulsiva é geralmente o endividamento crescente, então o indivíduo assume uma sobrecarga de trabalho, na tentativa de eliminar as dívidas, conseqüentemente é submetido a um regime de exploração no trabalho, novamente se vê emocionalmente frágil e se torna propenso de novo ao consumismo feroz. Como se percebe, cria-se um círculo vicioso, do qual somente com muito esforço e um eficaz tratamento terapêutico o sujeito pode se libertar.

Além do mais, o acúmulo cada vez maior de supérfluos leva nossa sociedade a uma deterioração dos hábitos e dos valores, pois as pessoas se tornam gradualmente escravas do materialismo, em detrimento do caráter espiritual da vida. As próprias relações sociais se desvalorizam diante da valia crescente das mercadorias, na verdade até mesmo os relacionamentos se submetem a critérios materiais. O consumismo pode provocar também uma grave perturbação psíquica, a oneomania, que conduz o indivíduo a um gasto compulsivo, mais comum entre as mulheres. A natureza também é prejudicada pelo consumo ilimitado, porque o incremento das mercadorias, não só da demanda, mas também da oferta, produz no meio ambiente o aumento do volume do lixo.