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Professor José Maria de Oliveira Junior |
DITADURA
MILITAR
OS
FORTES E OS DESTEMIDOS
Profº.
José Maria de Oliveira Junior
O período republicano
pode ser dividido em cinco fases:
Primeira:
República Velha.
Era
Vargas.
Segunda
República.
Ditadura
Militar.
Nova
República;
Com a renúncia de Jânio
Quadros, em 25 de agosto de 1961, instalou-se uma crise politica que culminou
com o golpe militar de 30 de março de 1964, afastando João Goulart da
presidência. Entre esta data e janeiro de 1988 o Brasil passou a ser governado
por um regime militar, o cenário político passou a ser dominado pelo
autoritarismo, supressão das liberdades constitucionais e censura dos meios de
comunicação. Por outro lado na economia, ocorreu uma rápida modernização e
diversificação da indústria e dos serviços, apoiada numa política de contenção
de renda, endividamento externo e abertura do capital estrangeiro.
A institucionalização
da correção monetária transformou a inflação numa forma de financiamento do
Estado, este conjunto de fatores agravou mais ainda as grandes desigualdades
econômicas e sociais do povo brasileiro.
No dia 13 de março de
1979 cerca de 180 mil metalúrgicos da região do ABC paulista resolvem cruzar os
braços, reivindicando melhores condições de trabalho, foi a primeira greve
geral desde o AI-5 publicado em 1968. O movimento se espalhou por outras
empresas do ABC e outros polos industriais, 34 sindicatos liderados por Lula
decidiram paralisar as fabricas. A greve foi até o dia 23 de março quando o
governo determinou a intervenção dos sindicatos.
Destituídos dos
sindicatos os operários obtiveram o apoio da Igreja Católica, que cedeu a
catedral de São do Campo para sede do movimento grevista, políticos do MDB,
estudantes, intelectuais e jornalistas tomaram parte de várias assembleias que
excederam o numero de 100 mil participantes. Por todo o país uma grande rede de
solidariedade arrecadou fundos e alimentos para as famílias dos trabalhadores.
Graças as vitórias
obtidas em 1979, o movimento grevista dirigiu suas forças contra a estrutura
sindical vigente, fora as reinvindicações salariais, os metalúrgicos
estabeleceram uma negociação direta com os patrões além disso, viram
reconhecida suas comições e suas lideranças sindicais, entre as quais se
destacava o nome de Luís Inácio da Silva (Lula).
O Partido dos
Trabalhadores foi oficialmente fundado por um grupo heterogêneo, composto por
dirigentes sindicais, intelectuais de esquerda e membros da Igreja Católica
ligados à Teologia da Libertação no dia 10 de fevereiro de 1980 no Colégio Sion
em São Paulo. O partido é fruto da aproximação dos movimentos sindicais, a
exemplo da Conferência das Classes Trabalhadoras (CONCLAT) que veio a ser o
embrião da Central Única dos Trabalhadores (CUT), grupo ao qual pertenceu o ex
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com antigos setores da esquerda
brasileira. O PT foi fundado com um viés socialista democrático. Com o golpe de
1964, a espinha dorsal do sindicalismo brasileiro, que era o CGT (Comando Geral
dos Trabalhadores), que reunia lideranças sindicais tuteladas pelo Ministério
do Trabalho um ministério ocupado por lideranças do Partido Trabalhista
Brasileiro (Varguista), foi dissolvida enquanto os sindicatos oficiais sofriam
intervenção governamental. O PT foi oficialmente reconhecido como partido
político pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral no dia 11 de fevereiro de
1982. A ficha de filiação número um foi entregue ao crítico de arte Mário
Pedrosa, seguido pelo critico literário Antonio Candido e pelo historiador
Sérgio Buarque de Hollanda.
O Partido dos
trabalhadores surgiu da organização sindical espontânea de operários paulistas
no final da década de 1970, dentro do vácuo politico criado pela repressão do
regime militar aos partidos comunistas tradicionais e aos grupos armados de
Esquerda então existentes.
Diversos grupos de
esquerda experimentaram depois de tantos anos a efervescência do movimento
sindical, o contato de operários com jovens e velhas lideranças socialistas,
provocava uma politização sem precedentes na história do pais. Ao contrário do
período populista, os operários não procuravam nem aceitavam a direção
paternalista de políticos de outras classes sociais, a sua participação no jogo
politico dava-se agora sem intermediários, os trabalhadores forjam seus
próprios lideres políticos.
OS
DIAS SÃO ASSIM?
Sempre ouvimos falar que somos diferentes ou
melhores que os demais, mas tínhamos algo que nos diferenciava que era a ética
coisa rara em tempos passados, (bons tempos aqueles). Tínhamos uma causa,
lutávamos por um ideal.
Estávamos presentes na
nacional constituinte de 1988, no ano seguinte disputamos a presidência da
República após anos de ditadura. Disputa acirrada na caserna dizia-se se
ganhássemos não levaríamos, sei disso pois estava lá, perdemos mas continuamos
como guardiães incansáveis da democracia, quando os caras pintadas saíram as
ruas nos fizemos presentes com as camisas pretas e as caras pintadas.
Antes de chegarmos ao
poder disputamos mais duas eleições presidenciais e perdemos, mas na derrota ao contrário do que muitos
pensavam nos fortaleceu, ficamos mais fortes e unidos. Enfim chegamos ao poder
e com isso a oportunidade de mostrar que tínhamos competência e não apenas uma
oposição xiita, que mais atrapalha o país do que ajuda. E o que aconteceu?
Perdemo-nos pelo caminho, ficamos bestializados com o poder e a consequência
disso? Fomos contra nossa história, esquecemos da luta e de como chegamos a
este momento.
“...Lula
foi fazendo opções que acabaram recuperando a tradição da era Vargas, sem que
houvesse intenção clara nisso. Acho que não houve uma estratégia: iniciantes no
meio do caminho foram tangendo o PT e se identificar com temas, trajetórias e
formas de conceber a política que antes denunciava como males do Brasil como o
corporativismo sindical por exemplo. Outro dia mesmo saiu estampada nos jornais
uma frase do presidente Lula repudiando o processo de denúncias que Getúlio
sofreu. No governo, ele passa a ser o grande defensor de uma tradição
republicana que o PT sempre criticou. E não estou fazendo juízo de valor com
isso: em boa parte, sou até favorável à valorização dessa tradição.” Jornal
Estado de São Paulo, 23/09/09.
As alianças nefastas só
nos fazem crer que nossa ideologia foi jogada no ralo, outrora antes
orgulhosos, hoje somos motivo chacota, pois quem em sã consciência se
comprometeria com antigas oligarquias que só sugou o povo brasileiro durante
anos. Para militante de verdade é inadmissível ver o que acontece hoje, cobrar para se empunhar a bandeira do partido, ou
receber dinheiro para engrossar fileiras de passeatas ou comícios eleitoreiros
que não nos dignificam em nada o nosso passado recente, Chico Mendes se
reviraria no túmulo de vergonha.
Perdemos nossa
identidade, estamos voltados agora apenas ao carisma de um líder que esteve
preocupado em apenas fazer o seu sucessor em 2010, e para isso passou por cima
de tudo e de todo e de algumas instituições, favorecendo assim os seus pseudos
aliados e esquecendo dos seus, aqueles que o ajudaram a dar bases sólidas a
este partido.
Agora só nos resta
fazer uma pergunta: O Sonho Acabou?
BIBLIOGRAFIA
Apologia da História ou, Oficio de Historiador /
Marc Bloch; prefácio, Jaques Le Goff; apresentação à edição brasileira, Lilia
Moritz Schwarcz; tradução, André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar., Ed.2001.
Historia do Brasil / Boris Fausto – 13. Ed., 1.
Reimpressão. – São Paulo; Editora da Universidade de São Paulo, 2009.
Jornal O Estado de São Paulo, ano 130, nº 42313.
Domingo 23 de agosto de 2009.
Uma breve história do Brasil / Mary del Priore,
Renato Venâncio, - São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.
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