quarta-feira, 15 de junho de 2016
segunda-feira, 6 de junho de 2016
SER
CIDADÃO NO BRASIL – A LEI E A PRATICA
Professor
José Maria de Oliveira Junior
Ser cidadão não simples, para
garantirmos nossos direitos é necessário lutar por um Estado, no qual os
direitos sejam de fato garantidos pela Constituição – conjunto de leis que
regula a organização do Estado, estabelecendo-lhe a forma de governo, a relação
entre os três poderes, os poderes públicos, os direitos e os deveres dos
cidadãos. O Brasil teve várias constituições aprovadas, a monarquia em 1824, a
primeira republicana de 1891, reformada em 1926; a segunda republicana de 1934,
a constituição outorgada por Getúlio Vargas em 1937; as constituições de 1946,
1967, 1969 (as duas ultimas sob o regime militar) e novamente sob o regime
democrático, a de 1988, que está em vigor atualmente.
Vejamos o que diz a Constituição da
República Federativa do Brasil – 1988.
Capítulo I – Dos direitos e deveres
individuais e coletivos:
Art.
5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e a propriedade (...).
Será que os direitos do cidadão
sempre foram iguais aos que temos hoje? Como eram antes?
Ao longo da história brasileira, os
direitos foram exclusivos de uma minoria privilegiada e não eram reconhecidos
nas leis e nos costumes para a maioria da população. Existiram governos que se
baseavam na origem divina do poder, ou seja na ideia de que o poder dos
governantes representava a vontade de Deus. O Brasil era assim no passado (1822-1889).
O Brasil já teve como forma de governo a monarquia ( Na monarquia, o chefe do
governo pode ser chamado de monarca, rei ou imperador)
BIBLIOGRAFIA
COSTA, E. V. da. Da
monarquia à república. 4. Ed. São Paulo: Brasiliense, 1987. SILVA, R.
Histórico das constituições brasileiras. 1. Ed. São Paulo: Núcleo, 1989.
José Maria de Oliveira Junior
Professor, Historiador e Palpiteiro Político.
Professor, Historiador e Palpiteiro Político.
UMA
VERDADE INCONVENIENTE
(O
RACISMO DENTRO DA ESCOLA)
O
presente artigo tem como objetivo um estudo sobre o racismo, preconceito e
discriminação nas escolas estaduais de Franca - SP. Tem como questão de
pesquisa elucidar: é esse preconceito ou discriminação percebido em nível
consciente pelos elementos da escola? Parte de um referencial teórico que
contextualiza o racismo como fenômeno universal, que acontece ora de forma
explícita, ora menos ou mais veladamente em diversas situações sociais e
educacionais. Numa abordagem qualitativa, usa de procedimentos vários para
coletas de dados cujas análises propiciarão algumas condições que poderão
melhorar a inclusão étnica, e a não extensão de postura eurocêntrica que
permeiam relações humanas escolares, currículos, livros didáticos e o próprio
ensino de Historia. Este artigo tem por objetivo demonstrar que os educadores
do nosso país precisam buscar meios de contribuir com o extermínio do
preconceito sofrido pelos negros na escola, contribuindo para a melhoria
inter-étnicas e erradicação de uma cultura escolar eurocêntrica. Tem por
objetivo alertar que esta questão é uma luta cujo engajamento contribuirá para
uma verdadeira cidadania.
Tem como princípio
verificar o preconceito sofrido pelos negros em uma Escola Estadual de Franca
no Ensino Fundamental e Médio. Atualmente em sala de aula o aluno negro é
tratado com diferença em relação ao aluno branco?
Partimos da
suposição que atualmente o aluno negro é tratado com diferença na sala de aula,
pesquisas várias nesse campo nos autorizam a ter o preconceito como um fato.
Interessamos por
esse tema para que possamos contribuir com a conscientização dos profissionais
sobre o preconceito sofrido pelos negros na escola.
Há necessidade de
explicarmos termos que durante o trabalho não serão usados como sinônimos.
Referimo-nos à: Racismo, Discriminação e Preconceito.
Trazemos aqui as
significações dadas a esses termos pelo novo Dicionário Aurélio da Língua
Portuguesa, com algumas considerações elaboradas por Kabengele Munanga.
Antes de mais nada
é necessário a explicação do termo negro. Negro é um conceito político que
englobam todos aqueles (negros, mestiços, morenos, mulatos) de antecedência
parcial ou totalmente africana.
O conhecimento dos
conceitos envolvidos no sistema de relações raciais no Brasil é
fundamentalmente para combater o racismo.
Preconceito (do
latim praeconceptu) substantivo masculino. 1. Conceito ou opinião
formado antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos, idéias
preconcebidas. 2. Julgamento ou opinião formada sem levar em conta o fato que o
conteste, prejuízo.
Por extensão
suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos,
religiões etc.
O racismo é um problema mundial; no
Brasil é tratado como se não existisse sendo inúmeras as pessoas que negam a
existência do racismo nesse país.
Existe o racismo no Brasil, mas de
uma maneira ora explicita, ora velada e sutil, sendo o negro uma das suas
vítimas prediletas. Às vezes assume práticas mais ostensivas que se constituem
em discriminação.
O racismo no Brasil é passado de
geração para geração, ou seja, de pai para filho, criando-se desta forma um
círculo vicioso. Nunca foi fácil ser negro no Brasil, inclusive nos dias de
hoje. “Quando escravo, o negro foi tratado como ‘coisa’. Depois passou a ser
discriminado como se fosse cidadão de segunda categoria”. (Valente, 1994,
p.12).
Foi elaborado um documento por um
grupo de trabalho ordenado pela pró-reitoria de cultura e extensão
universitária da Universidade de São Paulo em 1995 tratando da exclusão social
que afeta os cidadãos de origem africana do nosso país. Essa exclusão ocorre em
inúmeras áreas entre elas estão:
• educação
• questões econômicas
•
questões da mulher negra
•
imagem do negro com relação à mídia
•
saúde
•
representatividade do negro na política
•
racismo e violência
É trágica a situação das crianças e
dos jovens brasileiros que vem abandonando a escola antes mesmo de concluir o
1º grau.
Uma parte sai da escola para ajudar a família financeiramente, a outra desanima
devido aos repetidos insucessos. Com os descendentes africanos a situação é bem
mais séria, pois esses ingressam mais tarde na escola e estão sujeitos ao maior
índice de evasão. Os descendentes de africanos quando chegam na escola sofrem
muito, pois enfrentam atitudes e ações racistas por parte dos conteúdos, dos
professores e dos colegas.
“O negro no Brasil é educado para
entender desde muito cedo que para ser homem ele deve ser branco”. (Lopes,
1987, p.39).
O trabalho é a principal atividade
econômica, os negros sofrem muitas atitudes preconceituosas no mercado de
trabalho. O Anuário Estatístico-92 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
– IBGE mostra que os trabalhadores negros recebem apenas 41% do rendimento dos
brancos, a renda percapta dos brancos é pelo menos três vezes maior que a do
negro e a população negra tem acesso praticamente bloqueado as ocupações
nobres.
As mulheres negras sofrem dois tipos
de discriminação: de ser negra e ser mulher.
Essas mulheres lutam a
cada dia mais buscando igualdade e participam de conferências mundiais da
mulher.
No Brasil, as TVs comerciais e
públicas não possuem respeito pela população afro-brasileira, pois não possuem
programações voltadas para o atendimento específico dos seus valores,
necessidades e história.
Quando os negros aparecem na história
da TV e do cinema brasileiro são sempre representados por estereótipos e
clichês negativos. Os microfones, câmeras e papel jornal acostumam-se a
apresentar sempre a imagem do negro em três: lúgubre, lúdico e luxurioso. O
negro lúgubre está no noticiário frequente das crônicas policiais, ou como o
cabisbaixo serviçal ou melancólico bêbado, o lúdico aparece em ocasiões
eventuais, em datas comemorativas, como no carnaval, o negro luxurioso é aquele
estereotipado que aparece em filmes trazendo uma imagem barroca e lasciva a
ausência ou esterotipia do negro nos meios de comunicação são expressivas
formas de violência que se praticam contra os afros descendentes no Brasil.
Kabengele Munanga destaca dois pontos
que ele acredita ser fundamentais para contribuir com o combate à
discriminação:
•estabelecer sedes internacionais de
intercâmbio tendo como compreensão que a construção e o fortalecimento de uma
identidade étnica em um mundo globalizado passam pela expansão de informação
sobre os distintos processos nacional e mundial de criação e produção simbólica
dos negros. E que essa identidade é continuamente alimentada por influências
culturais e musicais como o rap, o reggae, o cinema, de artistas das Américas e
da África e pelos valores humanos de líderes negros mundiais como Martin King e
Nelson Mandela.
• dar prioridade a realização de um grande desejo: a
construção de uma TV afro-brasileira. E tê-lo não como uma meta possível ainda
neste final de século.
A rede de saúde privada em nosso país
é muito custosa; como os negros são em sua grande maioria pobres, tem acesso
apenas à rede pública. A rede pública não é eficiente é muito mal estruturada.
Infelizmente no Brasil algumas doenças têm se registrado com maior freqüência
entre os descendentes de africanos: hipertensão arterial, anemia, fala forme,
diabete, melito, deficiência de lactase e alguns tipos de má formação congênita
oriundas não de inferioridade biológica, mas de descaso político quanto às
condições de saúde dessa população.
O número de negros nas câmeras
municipais, Assembléias Legislativas e no Congresso Nacional é muito pequeno se
for comparado com a quantidade de negros existentes em nosso país. Isso ocorre
até mesmo na Bahia, que é uma região onde os negros são a maioria.
Nos casos de violência massiva,
ocorridas no Brasil, existe a presença majoritária de negros e pardos entre os
mortos. O professor e pesquisador Sérgio Adorno, docente da Universidade de São
Paulo, constatou em seus estudos que os negros não recebem o mesmo tratamento
dos brancos nos tribunais. Ele verificou que 27% dos brancos respondem processo
em liberdade e apenas 15% dos negros conseguem esse benefício.
O racismo se originou no escravismo
que perdurou até nos dias de hoje, adquirindo novas formas. Mesmo com todas as
mudanças econômicas, sociais e políticas o negro continuou sendo visto como
inferior.
“Nem tudo é igual ao que era durante
a escravatura, mas as formas de opressão que atuavam sobre os negros perduram
com novas roupagens ou poderíamos dizer o papel da opressão foi
refuncionalizado” (Valente, 1994, p.12).
Para acabar com o
problema racial que existe no Brasil, a mentalidade da sociedade também precisa
mudar, essa não mudará de um dia para o outro, é necessário a existência de um
processo educativo para que aos poucos as pessoas tenham em mente que o respeito
é fundamental, independente de cor ou de raça.
Essas formas de expressão correspondem a uma
gradação no conteúdo de violência do racismo.
O Preconceito é a forma mais comum, a
mais freqüente de expressão do racismo. É a forma mais comum e mais freqüente
porque se trata de um sentimento, ou de uma idéia apenas. Ele consiste na visão
estereotipada de características individuais ou grupais como correspondentes a
valores negativos. As idéias preconceituosas integram o sistema de valores
culturais e podem ser transmitidas pelos sistemas de comunicação. Um indivíduo
pode ser preconceituoso e não agir de modo discriminativo ou racista, embora
isto seja muito raro.
Discriminação: (do latim discriminatore)
substantivo feminino. 1. Ato ou efeito de discriminar. 2. Faculdade de
distinguir ou discernir, discernimento. 3. Separação, apartação e segregação.
Discriminar pode não significar
marginalizar. Do ponto de vista científico, discriminar requer o uso da
faculdade de discernir. Não se pode discernir uma coisa da outra de modo
preconceituoso. Para discernir é preciso conhecer, analisar.
No mercado de trabalho, os processos
de seleção, em regra discriminam negros e mestiços de forma preconceituosa por
não levar em conta o discernimento feito através de provas e testes de
qualidades e habilidades profissionais.
Racismo: (do inglês racim - francês racirme)
substantivo masculino. 1. Doutrina que sustenta a superioridade de certas
raças. 2. Qualidade, sentimento ou ato de indivíduo racista.
O Racismo é um sistema de opressão da
diferença marginalizada no qual cada etapa se apoia, nutre-se e sustenta-se na
outra.
A partir do momento em que grupos
raciais, grupos étnicos, grupos culturais, tipos físicos são objeto da prática
racista, tanto a sociedade quanto o Estado ficam ameaçados com suas práticas.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
segunda-feira, 23 de maio de 2016
PENA
DE MORTE EM FRANCA
Palavras-chave: Escravidão, Escravos, Libertos, Cotidiano, Legislação
Resumo: Investigar as relações sociais que
levaram historicamente os povos a utilizarem a pena de morte, com ênfase no
Brasil escravista, mais precisamente na cidade de Castro, Campos Gerais
paranaenses, foi o objetivo desta pesquisa. Ao optarmos pela análise da
escravidão tomando por ponto de partido a violência cristalizada no assassinato
legal de escravos pelo Estado, ilegal, mas aceito, por senhores, ou então,
destes por seus escravos, percebemos que havia nestas mortes, mais do que
simples crimes. Havia uma lógica de relações sociais, não apreendidas no todo,
mesmo com o trabalho em fontes, pois só tornavam-se públicas quando sua
manutenção tinha se tornado impossível. Verificando como que a historiografia
sobre a escravidão brasileira portou-se perante a questão da violência, fomos
identificando como esta percebeu a questão da violência contida nas mortes de
senhores ou de escravos, mais precisamente o que nos propusemos fazer foi uma
leitura de como a noção e as apreensões dos significados da violência foram
sofrendo transformações à medida que os estudos sobre o tema foram se
cristalizando. Feito isto partimos então para uma análise de como esta
bibliografia com suas contribuições nos permitiriam problematizar um município
paranaense colocado nos Campos Gerais. Analisando os processos-crime que tinham
escravos, ora como réus, ora como vítimas, tentamos construir um significado
para aquelas mortes. Mais do que números nas estatísticas criminais, estas
mortes representavam parte de uma dinâmica social que tornava-se conhecida
apenas nos tribunais. Além disto, percebemos que a condenação legal ou não de
escravos à morte, ou o assassinato de senhores por seus escravos, eram parte de uma tônica social que
acabava por confrontar toda a sociedade da época. Os posicionamentos dos
indivíduos nos tribunais não eram isentos das relações que eles travavam no seu
dia-a-dia, e eles tinham que pesar muito bem isto. O que concluímos com a
pesquisa foi que ser condenado à morte naquela época era mais do que apenas
descortinar a possibilidade de morrer. Era desnudar relações sociais complexas
marcadas pela cotidianidade dos sujeitos históricos, que se não apresentava um
contorno sempre claro, tinha os limites de aceitação muito bem definidos. A
morte era o preço pago por quem os desconsiderava.
TERCEIRA VIA
Uma terceira via?
Os dois modelos econômico mais conhecidos (Liberalismo e neoliberalismo de um lado; Socialismo e comunismo do outro) compreendem aquilo que poderíamos chamar de
uma polaridade direita-esquerda. A dinâmica desta polaridade na contemporaneidade
tem levado vários autores a procurar resolver os impasses criados entre elas.
Diante de uma possível falência dos modelos socialistas/comunistas e dos
avanços do mundo globalizado onde o capital exerce um papel preponderante, é
possível pensar um projeto político, para além dessa polaridade e que seja
viável e alternativo? Uma terceira via ou um modelo que inclua em seu arcabouço
teórico e prático Estado . Neste texto vamos dar ênfase ao pensamento de Anthony
Giddens, respeitado acadêmico que exerceu uma grande influência no Partido
Trabalhista Britânico e que escreveu uma obra intitulada Para além da
esquerda e da direita, onde o mesmo afirma que estas duas forças políticas
estão ultrapassadas e propõe o que ele chama de “terceira via”, que seria um
caminho intermediário entre o neoliberalismo (direita) e o socialismo
(esquerda).
Pelo que sabemos vale a pena ressaltar alguns pontos
importantes que estão na confluência dessa polaridade. Desde o século XIX, a esquerda
pode ser identificada pelo valor da igualdade: a desigualdade social é
inadmissível e tem na propriedade privada sua origem. O papel do Estado era
tornar iguais as condições de vida. A experiência proporcionada pelo Capitalismo era a de uma produção abundante acompanhada de miséria, desemprego
e concentração do capital. Por outro lado, as experiências socialistas
(soviética, alemã, chinesa) revelaram as limitações do projeto de
“domesticação” do mercado por parte do Estado, principalmente nas condições
presentes do mundo globalizado. Em outras palavras, a postulação do Estado como
agente econômico exclusivo se revelaram incipientes.
Diante de tais experiências, é possível atingir, na
sociedade civil, consensos quanto aos limites desejáveis da atuação do Estado e
do mercado? Para os autores que falam do fracasso das experiências do Socialismo, qualquer forma de esquerda não poderá prescindir de alguma forma de
mercado. Para os autores que criticam qualquer tipo de concentração de capital
cada vez mais excludente, o mercado não pode agir sem algum tipo de controle e,
quando for o caso, intervenção por parte do Estado.
É para superar as deficiências desses dois modelos que
Anthony Giddens propõe o que ele chama de terceira via que deve enfrentar pelo
menos alguns dilemas postos pela contemporaneidade.
Um desses dilemas diz respeito à Globalização e a globalização econômica é ainda mais evidente: hoje em dia os
mercados movimentam bilhões de dólares em tempo real, diariamente, por todos os
continentes à procura de rendimento melhor e mais seguro. Outro dilema é o
individualismo: na perspectiva da esquerda o individualismo é associado ao
egoísmo e consumismo; na perspectiva da direita o individualismo espelha
simplesmente a permissividade que enfraquece as bases morais da sociedade. É
preciso pensar ou construir novas formas de solidariedade social que assuma
como legítima a demanda pela coexistência entre diferentes modos de vida. Ainda
pra Giddens, na nova configuração que a política contemporânea toma, a
sociedade civil organizada assume parcela significativa no espaço político. A
sociedade civil deve participar e colaborar com as políticas de Estado. Portanto,
entre as características de uma terceira via que enfrente com sucesso o
individualismo do mundo globalizado está a participação ativa e constante dos
cidadãos que possam articular junto com o Estado uma política emancipatória que
busque a Justiça Social e que dê respostas às novas questões que escapam a divisão entre
esquerda e direita. Anthony Giddens retoma a reflexão de Bobbio,
mas, socialdemocrata, discorda no movimento pendular do centro, apontando para uma ‘terceira
via’: nem a regulamentação econômica com anarquia moral – como quer a esquerda;
nem a anarquia econômica com fortes controles morais – como deseja a direita.
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ESQUERDA
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DIREITA
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Defende intervenção econômica do Estado
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Liberdade de Mercado
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Liberdade total para vida sexual e familiar
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Moralismo tradicional, regulamentação da vida civil
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O crime é produto da desigualdade social
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O crime resulta da desagregação familiar resultante da entrada das
mulheres no mercado de trabalho.
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Com a proposta de uma Política
de Terceira Via (2001a, 2001b), Giddens elabora uma resposta ao
impasse entre a Social Democracia tradicional (o keynisianismo e o estado do bem-estar social) e o
neoliberalismo (ou o estado mínimo e aberto às trocas externas) com a ampliação
do papel desempenhado pela Sociedade Civil. Nem a auto regulação selvagem dos
mercados, nem o Estado inoperante e falido; apenas democratização da Democracia pode mediar o conflito entre os interesses econômicos e políticos.
A política de terceira via seria essa despolarização pragmática do modelo
esquerda x direita, em que planejamento e a liberdade se combinem
criativamente. Este realinhamento dos extremos desemboca na ideia de uma
política sem inimigos. Para esquerda, os maus são os Capitalistas, o mercado, as grandes corporações, os EUA, etc; para direita, os maus
são: o estado inchado, o relativismo cultural, os imigrantes e os criminosos.
“Mas não há uma fonte concentrada dos males do mundo: temos que deixar para
trás a política de redenção” (GIDDENS, 2001a, p.45). E essa 'política sem
inimigos', acima da direita e da esquerda, é também um forte argumento
eleitoral.
Muitos são os que minimizam a
importância das ideias de Giddens, mas a verdade é que ela é enorme tanto diretamente
- no Partido Trabalhista britânico, no Partido Democrata dos EUA e em todos os
partidos socialdemocratas ocidentais que seguem explicitamente sua orientação;
como indiretamente, através de imitadores inconfessos de diferentes tipos,
professando ‘novas políticas’ sem os velhos polos extremos opostos ideológicos.
Navegando entre a autonomia cosmopolita
e a dependência fundamentalista, entre o público e o privado, entre a Social Democracia e o neoliberalismo (e entre outros opostos); a política de
terceira via ajudou a terceirizar o estado (diminuir seus custos sem prejuízo
do setor social), através de organizações não governamentais, políticas público-privadas
e redes de agentes temporários. Por outro lado, também inspirou reformas
previdenciárias e flexibilizações nas legislações trabalhistas, sequestrando
direitos de trabalhadores e aposentados em todo mundo.
Giddens (2003) analisa dois grupos de
pensamento sobre Globalização o fenômeno: os ‘céticos e/ou fundamentalistas’, que acham que a
globalização não traz nada de novo: é apenas o desenvolvimento imperialismo
norte-americano; e os ‘radicais cosmopolitas’, que acreditam que ela está
mudando tudo, destacando a onda mundial de adaptação econômica dos ‘países em
desenvolvimento’ à dinâmica do mercado global, bem como a influência cultural
desses países em relação aos ‘países já desenvolvidos’. A essa contra
influência o autor denomina de ‘colonização inversa’. Com a Globalização, as ações não são mais locais, mas têm repercussões mundiais.
Repercussões que, ao mesmo tempo em que mudam as estruturas sociais, interferem
na identidade do cidadão que se encontra no cerne da luta entre dependência e autonomia,
entre fundamentalismo territorial e cosmopolitismo sem raízes.
Porém, a principal deficiência da
política de terceira via é a incompreensão sobre o novo comportamento político
mediado e na transformação do cidadão moderno em um consumidor de informação.
Giddens até reconhece (2003) a importância dos meios de comunicação para o
funcionamento da Democracia, mas não compreende sua relação com o sistema de representação e seu
efeito no comportamento político.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
O QUE É POLITICA
O que é Política:
Política é a ciência da governança de um Estado ou Nação e também uma arte de negociação para compatibilizar interesses. O termo tem origem no grego politiká, uma derivação de polis que designa aquilo que é público. O significado de política é muito abrangente e está, em geral, relacionado com aquilo que diz respeito ao espaço público.
Na ciência política, trata-se da forma de atuação de um governo em relação a determinados temas sociais e econômicos de interesse público: política educacional, política de segurança, política salarial, política habitacional, política ambiental, etc.
O sistema político é uma forma de governo que engloba instituições políticas para governar uma Nação. Monarquia e República são os sistemas políticos tradicionais. Dentro de cada um desses sistemas podem ainda haver variações significativas ao nível da organização. Por exemplo, o Brasil é uma República Presidencialista, enquanto Portugal é uma República Parlamentarista.
Num significado mais abrangente, o termo pode ser utilizado como um conjunto de regras ou normas de uma determinada instituição. Por exemplo, uma empresa pode ter uma política de contratação de pessoas com algum tipo de deficiência ou de não contratação de mulheres com filhos menores. A política de trabalho de uma empresa também é definida pela sua visão, missão, valores e compromissos com os clientes.
É natural que com o passar do tempo, seja necessário proceder a uma alteração de algumas leis ou políticas estabelecidas por um determinado país. No Brasil. a expressão "reforma política" remete para as alterações propostas para o melhoramento do sistema político e eleitoral. Essas propostas são debatidas no Congresso Nacional e são aceites ou recusadas.
Ciência Política
É a ciência que estuda o funcionamento e a estrutura do Estado e das instituições políticas. Também tem como objeto de estudo a relação entre os elementos que estão no Poder (Governo) e os restantes cidadãos.
Nos seus primórdios, a ciência política abordou a política a partir de uma perspectiva filosófica (através de pensadores como Maquiavel, Hobbes, Montesquieu, etc.), mas posteriormente passou a ser uma análise preponderantemente jurídica.
Políticas públicas
Políticas públicas consistem em ações tomadas pelo Estado que têm como objetivo atender os diversos setores da sociedade civil. Essas políticas são muitas vezes feitas juntamente e com o apoio de ONGs (Organizações Não Governamentais) ou empresas privadas. Quanto aos seus tipos, as políticas públicas podem ser distributivas, redistributivas e regulatórias, sendo que podem atuar na área industrial, institucional, agrícola, educacional e da assistência social.
.Política monetária
A política monetária consiste em um conjunto de medidas adotadas pelas autoridades econômicas (governo, banco central) para evitar que a moeda seja uma fonte de desequilíbrios e proporcionar um quadro de referência e enquadramento às forças econômicas. A política monetária controla a quantidade de moeda existente, o crédito e as taxas de juro. A política monetária utiliza como uma das suas ferramentas a influência psicológica sob a forma de informações, declarações e orientações às instituições financeiras.
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