O
pensamento filosófico brasileiro constituiu-se a partir do final do século
XVIII, passando por sucessivas mutações, até ganhar a pluralidade de formas e
correntes que possui em nossos dias. Contudo, não é possível falar de uma
tradição intrinsecamente brasileira de pensamento, constituidora de um cabedal
de idéias e de uma metodologia próprios. Em um país relativamente jovem, cuja
porção letrada era formada por imigrantes europeus e seus descendentes, a
filosofia em nosso país foi, em sua quase totalidade, influenciada por
correntes européias, predominantemente pelo pensamento e cultura franceses.
Os
primeiros pensadores brasileiros de que se tem notícia adotavam as teorias sensistas
e materialistas de Condillac e Cabanis, tentando conciliá-las com o
espiritualismo eclético, veiculado, especialmente, por Victor Cousin. Dentre os
adeptos deste direcionamento, destacam-se, no século XIX, Eduardo Ferreira
França e Domingos José Gonçalves de Magalhães.
Contrapondo-se
a esta tendência, a filosofia tomista sempre encontrou expressão no Brasil. Seu
principal órgão de difusão foram os padres jesuítas, cuja ordem chegou ao país
na época mesma de seu descobrimento. Podemos citar, entre seus principais
representantes no século passado, José Soriano de Souza e Vicente Cândido
Figueiredo de Sabóia. O principal objetivo destes pensadores era empreender a
crítica, a um só tempo, do materialismo e do espiritualismo reinantes entre os
filósofos brasileiros de seu tempo, a fim de apresentar o pensamento
escolástico como solução para resolver a contradição matéria-espírito, presente
na obra dos filósofos criticados.
Uma
doutrina largamente difundida em nosso país durante todo o século passado,
permanecendo atuante até as primeiras décadas deste século, é o positivismo.
Seus adeptos exerceram influência não apenas filosófica, mas igualmente
política, desempenhando importante papel na proclamação da República (vale a
pena lembrar que o lema Ordem e Progresso, presente em nossa bandeira, é
igualmente o lema do positivismo comtiano). Podemos citar, como seus mais
eminentes adeptos, Benjamin Constant, Miguel Lemos e Teixeira Mendes. As
correntes evolucionistas e culturalistas, em voga na Europa durante a segunda
metade do século XIX, também encontraram-se representadas no Brasil. Seus
principais divulgadores foram Tobias Barreto e Sílvio Romero, partidários do
culturalismo alemão e do evolucionismo de Spencer, respectivamente.
Podemos
citar como o filósofo brasileiro de maior fôlego e originalidade Raimundo de
Farias Brito, o maior representante da filosofia em nosso país. Este pensador
procura desenvolver uma investigação de caráter próprio acerca dos principais
temas filosóficos atrelados aos problemas existenciais: a verdade, a vida, a
dor, a morte. Segundo Farias Brito, a moral e a finalidade última da filosofia;
esta deve atender às inquietações intrínsecas ao ser humano.
No
princípio do século XX, vemos surgir Leonel Franca como um dos nomes mais
representativos do pensamento filosófico deste período. Pensador neotomista,
desempenhou importante papel na restauração e renovação deste pensamento,
frente às questões trazidas pelas doutrinas materialista e espiritualista.
O
pensamento filosófico em nosso país foi, ao longo do século XX, ampliando seus
horizontes e suas áreas de contato. Apesar de ainda não podermos falar em uma
“filosofia do Brasil”, é possível abordar a filosofia no Brasil
como sendo matéria de interesse crescente. Em nosso país, algumas universidades
divulgam uma gama muito diversificada de correntes, ocorrendo estudos
aprofundados e intercâmbios com os principais pensadores de nosso século.
Podemos citar, como principais direcionamentos da investigação filosófica
brasileira atual: a filosofia analítica, o pensamento existencial francês e
alemão, as filosofias antiga e moderna, o marxismo, a ética, a epistemologia, a
lógica, a filosofia francesa contemporânea.
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