Visão Filosófica da Ética
A ética é um dos ramos da filosofia, um dos principais. Tanto a palavra ética,
quanto a palavra moral, querem dizer a mesma coisa: costumes. Só que a palavra ética
vem da língua grega, e como os gregos antigos eram muito intelectualizados, essa
palavra ganhou uma conotação teórica. E moral vem do latim, e como o povo romano
era muito prático, essa palavra ganhou uma conotação prática. Mas etimologicamente
querem dizer a mesma coisa. Em essência, é saber como o homem organiza sua vida
baseada num costume atemporal com uma vestimenta temporal, própria de cada
civilização. Aí entra o livre-arbítrio, que diz que o homem pode fazer qualquer coisa,
desde que seja ético. A ética é o dharma, como chama os orientais. É a lei que rege o
universo e o homem. O princípio ético diz que o homem deve ser íntegro, só que em
cada época assume vestimentas diferentes. É a ética temporal. Hoje o conceito de ética
temporal tenta negar o conceito de ética atemporal, colocando só como criação do
homem. Há um ditado russo que diz que: “Há quem passe por uma floresta e só veja
lenha para sua fogueira.” E assim, não ver a riqueza que é uma floresta. Platão fala que
quando a gente não olha as pessoas mais com a nossa lanterninha, mas com o olhar
iluminado pela luz do sol, que simboliza a idéia do bem, vai ver o que de melhor tem no
outro, aí surge o homem ético. Como disse Jesus: “Amai-vos como eu vos amei. Já não
mais vos chamo servo, por que o servo não sabe o que faz o seu senhor. Mas tenho vos
chamado amigos. Por que tudo quanto eu aprendi com meu Pai, vos tenho dado a
conhecer. Não há maior amor do que aquele que doa a vida pelo seu amigo.”
Quando cometemos um erro, e a natureza faz com que a consciência desse
erro se reflita em nós, devemos agradecer, pois deu-nos a possibilidade de aprender com
o erro. A ação ética, segundo Aristóteles, tem que vim acompanhada de discernimento,
próprio do homem livre. Platão diz que assim como numa sociedade onde tem muitos
médicos é sinal que existem muitos doentes; numa sociedade onde existem muitas leis,
é por que devem existir muitos infratores. Para Aristóteles, a virtude é fruto da
liberdade. Quando vemos as leis que mantém o universo, e nos comprometemos a
obedecê-la, tornamo-nos um pouco divino. São Tomás de Aquino, que se inspirou em
Aristóteles, diz que o bem se fortalece, se potencia, na superação do mal. Vendo assim o
mal por cima e não no mesmo nível, como uma águia, por isso diz na bíblia: “E sejais
como uma águia.” Ele define ética como confiança no universo ordenado. Platão diz
que o animal que está em nós, nasceu para ser conduzido e não para nos conduzir. René
Descartes diz que o homem ético, de alma forte, confronta princípios versus paixões. Já
o homem de alma fraca, confronta paixões versus paixões. Espinosa diz que os homens
são diferentes em potências, mas não são diferentes em natureza. Platão diz que virtudes
concedem poder, são meios, a pessoa adquire poder independente da finalidade, como a
máfia, que tem uma finalidade ruim, mas tem virtudes, como a virtude da organização.
Kant diz que através da virtude com um sentido de vida, isso lhe conduz a um lugar no
universo, que o potencializa, mas lembre-se: com uma finalidade boa, um sentido de
vida. Kant diz: “Age sempre de tal forma que a máxima de tua ação possa ser elevada a
lei universal.” Nietzsche diz: “Aonde encontro uma criatura viva, encontro vontade de
poder.” O ser humano tem na sua natureza essa vontade de poder, que deve ser
direcionada para o bem. Nietzsche fala na moral do nobre, e na moral do escravo. A
moral do nobre se realiza em si mesma, e a moral do escravo é a moral do
ressentimento, tentando arrastar o outro para baixo. A moral do nobre em relação ao
outro por pior visão que seja, tem uma visão de superioridade e de compaixão. Na moral
do escravo tende-se a torna o outro pequeno, quando ver como inimigo, o transforma
num monstro. Tem reação, e não ação. Tem uma frase de Nietzsche que diz: “Quanto
mais me elevo, menor eu pareço aos olhos de quem não sabe voar.” Felicidade para a
moral do escravo é a inércia e passividade, que ver como inimigo aquele que está em
movimento, próprio do homem de moral nobre, que pensa em movimento, como disse
Nietzsche. O escravo tem medo do confronto, já o super-homem nasce fruto do conflito.
Por isso Nietzsche diz: “Para os meus amigos, meus verdadeiramente amigos, todas as
dificuldades do mundo.” Sem fazer apologia à dor: a dor é pedagógica.
O Bhagavad Gita, um livro do hinduísmo, diz que o dever é algo que emana
da própria natureza do ser humano. Na tradição hindu, tem uma história de um guerreiro
que está na sua jornada indo em direção ao nirvana, o céu para os orientais, e vai junto
com um cachorrinho que sempre está ao seu lado nas dificuldades. E nas portas do
nirvana, o cachorrinho é impedido de entrar no nirvana, e o guerreiro então se nega a
entrar no nirvana para ficar com o cachorrinho. E o cachorrinho se revela o próprio
nirvana, era a última prova do guerreiro. No budismo, o foca é na ação ética de como
chegar ao final feliz, no final da jornada, que é a cessação da dor. No sufismo, a
doutrina esotérica do islamismo, tem uma história que diz que um sábio ver um homem
a beira do abismo, prestes a cair, e tenta salvar ele de todas as maneiras, então aparece o
anjo Gabriel e diz para ele entrar no Céu de Alá naquele momento, e o sábio diz: “Não
dar para trocar esse seu Céu ai por uma corda para ajuda o meu amigo aqui?” Que dizer,
recusa entrar no próprio céu, para ajudar o ser humano. Tem uma frase de Buda que diz
o seguinte: “Eu só descansarei quando eu ver as costas do último homem indo em
direção ao nirvana.” Confúcio diz que a ética é uma linguagem, e que só vamos ter
autoridade para falar dessa linguagem, se aprendermos essa linguagem, com o objetivo
de tornar a vida sagrada. Uma visão cerimonial de Confúcio. A filosofia vem para
lembrar o ser humano quem realmente somos, e a ética é uma ferramenta da filosofia
que vai nos ajudar nessa caminhada
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