Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0047-20852007000300003
Joana DArc Vila Nova JatobáI;
Othon BastosII
IFaculdade de Enfermagem Nossa Senhora das Graças, Universidade de
Pernambuco (UPE)
IIDepartamento de Psiquiatria, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
IIDepartamento de Psiquiatria, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
RESUMO
OBJETIVO: Identificar prevalência de depressão e de ansiedade em
adolescentes matriculados e freqüentando escolas públicas e privadas da cidade
do Recife – Pernambuco.
MÉTODOS: Por meio de estudo de prevalência, de base populacional, admitindo população de 10.414 alunos das redes pública e privada, prevalência de depressão e transtornos depressivos de 20,3%, precisão de 5% e nível de significância de 0,05, a amostragem aleatória e estratificada incluiu 243 alunos, do ensino fundamental e médio de 11 escolas, com idade de 14 a 16 anos. As variáveis foram: idade, religião, tipo, adscrição e porte da escola, escolaridade, tempo de estudo, condição estudantil e laboral, características do núcleo familiar, sexo, estado civil, tipo de pele segundo escala de Fitzpatrick (investigadas por questionário demográfico) e grau de depressão e de ansiedade pelas escalas de Hamilton. Para análise estatística, empregou-se programa Statistical Package for Social Sciences.
RESULTADOS: As prevalências de sintomas depressivos expressivos e de ansiedade igualaram-se a 59,9% e 19,9%, respectivamente. Foram significativas as associações de sintomas depressivos de intensidade grave com o sexo feminino e a crença religiosa diferentes da corrente do cristianismo. A ideação suicida/tentativa de suicídio foi referida por 34,3% dos estudantes. Houve associação significativa de ideação suicida com grau leve ou moderado de sintomas depressivos e moderado de ansiedade, assim como de tentativa de suicídio com sintomas depressivos graves, estudo em escola privada e ansiedade severa.
CONCLUSÕES: A gravidade das características psicopatológicas em uma idade tão jovem está a merecer uma intervenção psicossocial para reduzir suas repercussões para o futuro.
MÉTODOS: Por meio de estudo de prevalência, de base populacional, admitindo população de 10.414 alunos das redes pública e privada, prevalência de depressão e transtornos depressivos de 20,3%, precisão de 5% e nível de significância de 0,05, a amostragem aleatória e estratificada incluiu 243 alunos, do ensino fundamental e médio de 11 escolas, com idade de 14 a 16 anos. As variáveis foram: idade, religião, tipo, adscrição e porte da escola, escolaridade, tempo de estudo, condição estudantil e laboral, características do núcleo familiar, sexo, estado civil, tipo de pele segundo escala de Fitzpatrick (investigadas por questionário demográfico) e grau de depressão e de ansiedade pelas escalas de Hamilton. Para análise estatística, empregou-se programa Statistical Package for Social Sciences.
RESULTADOS: As prevalências de sintomas depressivos expressivos e de ansiedade igualaram-se a 59,9% e 19,9%, respectivamente. Foram significativas as associações de sintomas depressivos de intensidade grave com o sexo feminino e a crença religiosa diferentes da corrente do cristianismo. A ideação suicida/tentativa de suicídio foi referida por 34,3% dos estudantes. Houve associação significativa de ideação suicida com grau leve ou moderado de sintomas depressivos e moderado de ansiedade, assim como de tentativa de suicídio com sintomas depressivos graves, estudo em escola privada e ansiedade severa.
CONCLUSÕES: A gravidade das características psicopatológicas em uma idade tão jovem está a merecer uma intervenção psicossocial para reduzir suas repercussões para o futuro.
Palavras-chave: Adolescência, depressão, ansiedade, prevalência.
INTRODUÇÃO
A adolescência,
segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é o período da vida a partir do
qual surgem as características sexuais secundárias e se desenvolvem os
processos psicológicos e os padrões de identificação, que evoluem da fase
infantil para a adulta. Entre elas, está a transição de um estado de
dependência para outro de relativa autonomia. Considera-se adolescência o
período de 10 a 19 anos e distingue-se adolescência inicial (entre 10 e 14 anos
de idade) e adolescência final (na idade de 15 a 19 anos) (WHO, 2000).
É um período
de intensas modificações no desenvolvimento humano, marcado por alterações
biológicas da puberdade e relacionado à maturidade biopsicossocial do
indivíduo. Desse modo, é identificada como um período de crise, pela experiência
de importantes transformações mentais e orgânicas capazes de proporcionar
manifestações peculiares em relação ao comportamento normal para a faixa
etária. Estas podem, contudo, ser confundidas com doenças mentais ou
manifestações comportamentais inadequadas (Peres e Rosenburg, 1998).
Aberastury et al. (1983), ao
caracterizarem as modificações psicossociais da adolescência, alertaram que,
nessa fase, vários processos de luto são vivenciados. Knobel (2007) denomina o
conjunto desses processos de síndrome normal da adolescência (SNA), na qual as
principais perdas são: a) do corpo infantil; b) dos pais da infância; c) da
identidade e do papel sociofamiliar infantil, que devem ser elaborados para
alcançar a posição adulta definitiva. A estas perdas, somam-se os processos de
escolha afetiva, a autonomia em relação aos pais, a descoberta progressiva do
tornar-se adulto sem a plenitude das aptidões correspondentes e uma verdadeira
explosão biológica-humoral peculiar, inerente a esse desenvolvimento (ABEn,
2001). Se os conflitos próprios dessa fase forem mal conduzidos, podem
contribuir para o surgimento de transtornos do humor e, em particular, da
depressão (Ranña, 2001).
A concepção
tendenciosa à patogenicidade da adolescência, aqui incluída a SNA, é merecedora
de crítica, pois estudos epidemiológicos têm revelado que a maioria dos jovens
passa pela adolescência sem distúrbios importantes (Offer e Schonert-Reichl,
1992) e que as alterações do humor, o ato de experimentar coisas novas,
contestar e testar limites parecem ser características próprias à vida dos
adolescentes. Desequilíbrios persistentes não são a regra, e o desenvolvimento
normal deve ser distinguido do psicopatológico (Haarasilta, 2003). A depressão,
embora freqüentemente não reconhecida, é comum nessa faixa etária.
Habitualmente, é debilitante e crônica no seu curso, com efeitos adversos em
longo prazo, especialmente senão for tratada (Birmaher et al., 1996). Assim, a
depressão na adolescência vem se constituindo em um crescente e preocupante
problema de saúde pública, ainda que poucos estudos epidemiológicos sobre o
tema, neste período da vida, tenham sido realizados (Bahls, 2002).
Crianças e
adolescentes depressivos costumam apresentar altas taxas de comorbidade com
outros transtornos psiquiátricos, em freqüência maior do que em adultos
deprimidos (Bahls, 2002). Goodyer e Cooper (1993) destacam que os transtornos
depressivos em crianças e adolescentes, em 40% dos casos, associam-se a
comorbidades como transtornos de ansiedade e, em 15% dos casos, com transtornos
de conduta. Segundo Steinberg e Morris (2001), "nenhuma tentativa de
desenvolver uma teoria geral do desenvolvimento adolescente normal encontrou
ainda ampla aceitação", mas Haarasilta (2003) considera que as pesquisas
sobre o desenvolvimento natural do adolescente são ainda escassas, o que torna
plausível admitir a necessidade de mais bem conhecer as modificações psíquicas
dessa fase da vida.
O trabalho
como enfermeira em diversas especialidades médicas, por longo período,
atendendo também a pacientes na fase da adolescência, deixou perceber a
importância da saúde mental na qualidade de vida desses pacientes e convidou à
reflexão de que os adolescentes não submetidos à internação hospitalar também
poderiam ter sua qualidade de vida comprometida por distúrbios da saúde mental,
entre eles, a depressão e a ansiedade. Assim motivada, buscou-se na literatura
pertinente a base científica dessa hipótese e se identificou a dimensão do
problema e a importância do tema, em uma abordagem não hospitalocêntrica, mas
social.
É necessário
ampliar os estudos sobre depressão em adolescentes em razão da gravidade da
doença, aos danos que ela causa à saúde dos indivíduos e a sua incidência
crescente. Além disso, julgou-se pertinente associar a investigação da presença
da ansiedade à da depressão em adolescentes, pelo fato de a ansiedade ser a
comorbidade mais freqüente nos transtornos depressivos.
O presente
artigo tem o objetivo de identificar as prevalências de depressão e de
ansiedade em adolescentes regularmente matriculados e freqüentando escolas
públicas e privadas da cidade do Recife.
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