segunda-feira, 21 de agosto de 2017

DITADURA MILITAR

DITADURA MILITAR
OS FORTES E OS DESTEMIDOS
Profº. José Maria de Oliveira Junior

O período republicano pode ser dividido em cinco fases:
Primeira: República Velha.
Era Vargas.
Segunda República.
Ditadura Militar.
Nova República;
Com a renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, instalou-se uma crise politica que culminou com o golpe militar de 30 de março de 1964, afastando João Goulart da presidência. Entre esta data e janeiro de 1988 o Brasil passou a ser governado por um regime militar, o cenário político passou a ser dominado pelo autoritarismo, supressão das liberdades constitucionais e censura dos meios de comunicação. Por outro lado na economia, ocorreu uma rápida modernização e diversificação da indústria e dos serviços, apoiada numa política de contenção de renda, endividamento externo e abertura do capital estrangeiro.
A institucionalização da correção monetária transformou a inflação numa forma de financiamento do Estado, este conjunto de fatores agravou mais ainda as grandes desigualdades econômicas e sociais do povo brasileiro.
No dia 13 de março de 1979 cerca de 180 mil metalúrgicos da região do ABC paulista resolvem cruzar os braços, reivindicando melhores condições de trabalho, foi a primeira greve geral desde o AI-5 publicado em 1968. O movimento se espalhou por outras empresas do ABC e outros polos industriais, 34 sindicatos liderados por Lula decidiram paralisar as fabricas. A greve foi até o dia 23 de março quando o governo determinou a intervenção dos sindicatos.
Destituídos dos sindicatos os operários obtiveram o apoio da Igreja Católica, que cedeu a catedral de São do Campo para sede do movimento grevista, políticos do MDB, estudantes, intelectuais e jornalistas tomaram parte de várias assembleias que excederam o numero de 100 mil participantes. Por todo o país uma grande rede de solidariedade arrecadou fundos e alimentos para as famílias dos trabalhadores.
Graças as vitórias obtidas em 1979, o movimento grevista dirigiu suas forças contra a estrutura sindical vigente, fora as reinvindicações salariais, os metalúrgicos estabeleceram uma negociação direta com os patrões além disso, viram reconhecida suas comições e suas lideranças sindicais, entre as quais se destacava o nome de Luís Inácio da Silva (Lula).
O Partido dos Trabalhadores foi oficialmente fundado por um grupo heterogêneo, composto por dirigentes sindicais, intelectuais de esquerda e membros da Igreja Católica ligados à Teologia da Libertação no dia 10 de fevereiro de 1980 no Colégio Sion em São Paulo. O partido é fruto da aproximação dos movimentos sindicais, a exemplo da Conferência das Classes Trabalhadoras (CONCLAT) que veio a ser o embrião da Central Única dos Trabalhadores (CUT), grupo ao qual pertenceu o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com antigos setores da esquerda brasileira. O PT foi fundado com um viés socialista democrático. Com o golpe de 1964, a espinha dorsal do sindicalismo brasileiro, que era o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), que reunia lideranças sindicais tuteladas pelo Ministério do Trabalho um ministério ocupado por lideranças do Partido Trabalhista Brasileiro (Varguista), foi dissolvida enquanto os sindicatos oficiais sofriam intervenção governamental. O PT foi oficialmente reconhecido como partido político pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral no dia 11 de fevereiro de 1982. A ficha de filiação número um foi entregue ao crítico de arte Mário Pedrosa, seguido pelo critico literário Antonio Candido e pelo historiador Sérgio Buarque de Hollanda.
O Partido dos trabalhadores surgiu da organização sindical espontânea de operários paulistas no final da década de 1970, dentro do vácuo politico criado pela repressão do regime militar aos partidos comunistas tradicionais e aos grupos armados de Esquerda então existentes.
Diversos grupos de esquerda experimentaram depois de tantos anos a efervescência do movimento sindical, o contato de operários com jovens e velhas lideranças socialistas, provocava uma politização sem precedentes na história do pais. Ao contrário do período populista, os operários não procuravam nem aceitavam a direção paternalista de políticos de outras classes sociais, a sua participação no jogo politico dava-se agora sem intermediários, os trabalhadores forjam seus próprios lideres políticos.

OS DIAS SÃO ASSIM?
Sempre ouvimos falar que somos diferentes ou melhores que os demais, mas tínhamos algo que nos diferenciava que era a ética coisa rara em tempos passados, (bons tempos aqueles). Tínhamos uma causa, lutávamos por um ideal.
Estávamos presentes na nacional constituinte de 1988, no ano seguinte disputamos a presidência da República após anos de ditadura. Disputa acirrada na caserna dizia-se se ganhássemos não levaríamos, sei disso pois estava lá, perdemos mas continuamos como guardiães incansáveis da democracia, quando os caras pintadas saíram as ruas nos fizemos presentes com as camisas pretas e as caras pintadas.
Antes de chegarmos ao poder disputamos mais duas eleições presidenciais e perdemos,  mas na derrota ao contrário do que muitos pensavam nos fortaleceu, ficamos mais fortes e unidos. Enfim chegamos ao poder e com isso a oportunidade de mostrar que tínhamos competência e não apenas uma oposição xiita, que mais atrapalha o país do que ajuda. E o que aconteceu? Perdemo-nos pelo caminho, ficamos bestializados com o poder e a consequência disso? Fomos contra nossa história, esquecemos da luta e de como chegamos a este momento.
“...Lula foi fazendo opções que acabaram recuperando a tradição da era Vargas, sem que houvesse intenção clara nisso. Acho que não houve uma estratégia: iniciantes no meio do caminho foram tangendo o PT e se identificar com temas, trajetórias e formas de conceber a política que antes denunciava como males do Brasil como o corporativismo sindical por exemplo. Outro dia mesmo saiu estampada nos jornais uma frase do presidente Lula repudiando o processo de denúncias que Getúlio sofreu. No governo, ele passa a ser o grande defensor de uma tradição republicana que o PT sempre criticou. E não estou fazendo juízo de valor com isso: em boa parte, sou até favorável à valorização dessa tradição.” Jornal Estado de São Paulo, 23/09/09.
As alianças nefastas só nos fazem crer que nossa ideologia foi jogada no ralo, outrora antes orgulhosos, hoje somos motivo chacota, pois quem em sã consciência se comprometeria com antigas oligarquias que só sugou o povo brasileiro durante anos. Para militante de verdade é inadmissível ver o que acontece hoje, cobrar  para se empunhar a bandeira do partido, ou receber dinheiro para engrossar fileiras de passeatas ou comícios eleitoreiros que não nos dignificam em nada o nosso passado recente, Chico Mendes se reviraria no túmulo de vergonha.
Perdemos nossa identidade, estamos voltados agora apenas ao carisma de um líder que esteve preocupado em apenas fazer o seu sucessor em 2010, e para isso passou por cima de tudo e de todo e de algumas instituições, favorecendo assim os seus pseudos aliados e esquecendo dos seus, aqueles que o ajudaram a dar bases sólidas a este partido.
Agora só nos resta fazer uma pergunta: O Sonho Acabou?




BIBLIOGRAFIA
Apologia da História ou, Oficio de Historiador / Marc Bloch; prefácio, Jaques Le Goff; apresentação à edição brasileira, Lilia Moritz Schwarcz; tradução, André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar., Ed.2001.
Historia do Brasil / Boris Fausto – 13. Ed., 1. Reimpressão. – São Paulo; Editora da Universidade de São Paulo, 2009.
Jornal O Estado de São Paulo, ano 130, nº 42313. Domingo 23 de agosto de 2009.
Uma breve história do Brasil / Mary del Priore, Renato Venâncio, - São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.


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