domingo, 17 de maio de 2015
PRECONCEITO
Professor
José Maria de Oliveira Junior
Todos nós sabemos que
no mundo há grandes diferenças entre pessoas e que por ignorancia, cria-se o
preconceito que gera muitos confllitos e desentendimentos, afetando muita
gente. Porém, onde estão os Direitos humanos que dizem que todos nós somos
iguais. Se há tanta desigualdade no nosso país?
Manchetes de jornais
relatam: “Homem negro sofre racismo em loja”. “Mulheres recebem salários mais
baixos que os homens”. “Rapaz homossexual é espancado na rua”. “Jovens de
classe alta colocam fogo em mendigo”, e muitas outras barbaridades. Isso mostra
que os governantes não estão fazendo sua parte.
Mas pequenos gestos do
dia a dia como preferir descer do ônibus quando um negro entra nele, ou até
mesmo não sentar ao seu lado no ônibus; sentar no lugar de idosos, gestantes e
deficientes físicos, humilhar uma pessoa
por sua religião, opção sexual ou por terem profissões mais humildes, nos
mostra que precisamos mudar.
A questão de etnia vem
sendo discutida no mundo todo, inclusive no Brasil que é um país mestiço, onde
ocorre a mistura principalmente de negros, brancos e indíos. Por mais que se
diga que todos as pessoas são iguais, independentemente de cor de pele, o
racismo continua.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Visão Filosófica da Ética
A ética é um dos ramos da filosofia, um dos principais. Tanto a palavra ética,
quanto a palavra moral, querem dizer a mesma coisa: costumes. Só que a palavra ética
vem da língua grega, e como os gregos antigos eram muito intelectualizados, essa
palavra ganhou uma conotação teórica. E moral vem do latim, e como o povo romano
era muito prático, essa palavra ganhou uma conotação prática. Mas etimologicamente
querem dizer a mesma coisa. Em essência, é saber como o homem organiza sua vida
baseada num costume atemporal com uma vestimenta temporal, própria de cada
civilização. Aí entra o livre-arbítrio, que diz que o homem pode fazer qualquer coisa,
desde que seja ético. A ética é o dharma, como chama os orientais. É a lei que rege o
universo e o homem. O princípio ético diz que o homem deve ser íntegro, só que em
cada época assume vestimentas diferentes. É a ética temporal. Hoje o conceito de ética
temporal tenta negar o conceito de ética atemporal, colocando só como criação do
homem. Há um ditado russo que diz que: “Há quem passe por uma floresta e só veja
lenha para sua fogueira.” E assim, não ver a riqueza que é uma floresta. Platão fala que
quando a gente não olha as pessoas mais com a nossa lanterninha, mas com o olhar
iluminado pela luz do sol, que simboliza a idéia do bem, vai ver o que de melhor tem no
outro, aí surge o homem ético. Como disse Jesus: “Amai-vos como eu vos amei. Já não
mais vos chamo servo, por que o servo não sabe o que faz o seu senhor. Mas tenho vos
chamado amigos. Por que tudo quanto eu aprendi com meu Pai, vos tenho dado a
conhecer. Não há maior amor do que aquele que doa a vida pelo seu amigo.”
Quando cometemos um erro, e a natureza faz com que a consciência desse
erro se reflita em nós, devemos agradecer, pois deu-nos a possibilidade de aprender com
o erro. A ação ética, segundo Aristóteles, tem que vim acompanhada de discernimento,
próprio do homem livre. Platão diz que assim como numa sociedade onde tem muitos
médicos é sinal que existem muitos doentes; numa sociedade onde existem muitas leis,
é por que devem existir muitos infratores. Para Aristóteles, a virtude é fruto da
liberdade. Quando vemos as leis que mantém o universo, e nos comprometemos a
obedecê-la, tornamo-nos um pouco divino. São Tomás de Aquino, que se inspirou em
Aristóteles, diz que o bem se fortalece, se potencia, na superação do mal. Vendo assim o
mal por cima e não no mesmo nível, como uma águia, por isso diz na bíblia: “E sejais
como uma águia.” Ele define ética como confiança no universo ordenado. Platão diz
que o animal que está em nós, nasceu para ser conduzido e não para nos conduzir. René
Descartes diz que o homem ético, de alma forte, confronta princípios versus paixões. Já
o homem de alma fraca, confronta paixões versus paixões. Espinosa diz que os homens
são diferentes em potências, mas não são diferentes em natureza. Platão diz que virtudes
concedem poder, são meios, a pessoa adquire poder independente da finalidade, como a
máfia, que tem uma finalidade ruim, mas tem virtudes, como a virtude da organização.
Kant diz que através da virtude com um sentido de vida, isso lhe conduz a um lugar no
universo, que o potencializa, mas lembre-se: com uma finalidade boa, um sentido de
vida. Kant diz: “Age sempre de tal forma que a máxima de tua ação possa ser elevada a
lei universal.” Nietzsche diz: “Aonde encontro uma criatura viva, encontro vontade de
poder.” O ser humano tem na sua natureza essa vontade de poder, que deve ser
direcionada para o bem. Nietzsche fala na moral do nobre, e na moral do escravo. A
moral do nobre se realiza em si mesma, e a moral do escravo é a moral do
ressentimento, tentando arrastar o outro para baixo. A moral do nobre em relação ao
outro por pior visão que seja, tem uma visão de superioridade e de compaixão. Na moral
do escravo tende-se a torna o outro pequeno, quando ver como inimigo, o transforma
num monstro. Tem reação, e não ação. Tem uma frase de Nietzsche que diz: “Quanto
mais me elevo, menor eu pareço aos olhos de quem não sabe voar.” Felicidade para a
moral do escravo é a inércia e passividade, que ver como inimigo aquele que está em
movimento, próprio do homem de moral nobre, que pensa em movimento, como disse
Nietzsche. O escravo tem medo do confronto, já o super-homem nasce fruto do conflito.
Por isso Nietzsche diz: “Para os meus amigos, meus verdadeiramente amigos, todas as
dificuldades do mundo.” Sem fazer apologia à dor: a dor é pedagógica.
O Bhagavad Gita, um livro do hinduísmo, diz que o dever é algo que emana
da própria natureza do ser humano. Na tradição hindu, tem uma história de um guerreiro
que está na sua jornada indo em direção ao nirvana, o céu para os orientais, e vai junto
com um cachorrinho que sempre está ao seu lado nas dificuldades. E nas portas do
nirvana, o cachorrinho é impedido de entrar no nirvana, e o guerreiro então se nega a
entrar no nirvana para ficar com o cachorrinho. E o cachorrinho se revela o próprio
nirvana, era a última prova do guerreiro. No budismo, o foca é na ação ética de como
chegar ao final feliz, no final da jornada, que é a cessação da dor. No sufismo, a
doutrina esotérica do islamismo, tem uma história que diz que um sábio ver um homem
a beira do abismo, prestes a cair, e tenta salvar ele de todas as maneiras, então aparece o
anjo Gabriel e diz para ele entrar no Céu de Alá naquele momento, e o sábio diz: “Não
dar para trocar esse seu Céu ai por uma corda para ajuda o meu amigo aqui?” Que dizer,
recusa entrar no próprio céu, para ajudar o ser humano. Tem uma frase de Buda que diz
o seguinte: “Eu só descansarei quando eu ver as costas do último homem indo em
direção ao nirvana.” Confúcio diz que a ética é uma linguagem, e que só vamos ter
autoridade para falar dessa linguagem, se aprendermos essa linguagem, com o objetivo
de tornar a vida sagrada. Uma visão cerimonial de Confúcio. A filosofia vem para
lembrar o ser humano quem realmente somos, e a ética é uma ferramenta da filosofia
que vai nos ajudar nessa caminhada
FILMOGRAFIA
Filmes assistidos e recomendados.
Alexandre, o Grande
(EUA, 2004) O filme retrata a vida de um grande conquistador que viveu por volta de 490 a.C, o que mais nos choca no filme, sem dúvida, são as cenas que retratam a educação grega pautada na filosofia e fortemente militarizada. O sonho que Alexandre tinha de conquistar o mundo também...
EM NOME DE DEUS
(Inglaterra/Iugoslávia, 1988). Direção: Clive Donner. O filme apresenta a história do amor proibido entre Abelardo, filósofo e professor na catedral de Notre Dame, em Paris, e Heloísa, jovem sobrinha de um rico padre. História verídica de um dos mais famosos casais de filósofos, ambos escreveram e...
O HOMEM QUE NÃO VENDEU SUA ALMA
(Inglaterra, 1966). Direção: Fred Zinnemann. No século XVI, o filósofo e estadista Thomas More (autor do clássico Utopia, uma versao católica da República de Platão) é membro do conselho do rei Henrique VIII da Inglaterra. O monarca quer se divorciar de Catarina de Aragão para se casar com Ana...
O NOME DA ROSA
(Itália, 1986). Direção: Jean-Jacques Annaud. Baseado no romance homônimo, o filme é uma investigação sobre uma série de assassinatos ocorridos num mosteiro, na Idade Média. Vale a pena conferir a trama religiosa, política, filosófica e lógica que sustenta a história. O romance homônimo é do...
GIORDANO BRUNO
(Itália, 1973). Direção: Giuliano Montaldo. Vida do filósofo, astrônomo e matemático italiano Giordano Bruno, na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, em relação aos conflitos científicos, morais, filosóficos e religiosos da época. 123 min.
COMO FUNCIONA O INTELECTO?
Como funciona o intelecto? Introdução ao Empirismo e Criticismo
Embora faça parte da apostila do 1º bimestre, vamos abordar este tema agora no 2º bimestre, uma vez que no bimestre anterior dei preferência para compreendermos um pouco sobre o que é filosofia? sua origem na Grécia Antiga; os fatores que contribuiram para seu surgimento e alguns dos principais filósofos do perído pré-socrático, finalizando o bimestre falando sobre Sócrates e seu método para se chegar a verdade (conhecimento).
O termo intelecto é originado do latim intellectus. Significa inteligência (intellegire), ou seja, compreender. Na concepção clássica grega, a partir do filósofo Anaxágoras, o intelecto (nous) significa o princípio de ordenação do cosmo e, por extensão, a faculdade do pensamento humano, enquanto esta reflete a ordem cósmica. Distingue-se assim das sensações e dos desejos e apetites, sendo assim, pois, "a parte da alma com a qual esta conhece e pensa", conforme Aristóteles.
(JAPIASSÚ, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996).
1. COMO FUNCIONA O INTELECTO?
A realidade do universo é imensa. O homem é apenas um dos elementos integrantes de um conjunto infinito de seres que compõem esta realidade.
A inteligência humana capta os sinais do mundo, ou melhor, a realidade que nos cerca através dos órgãos dos sentidos: ouvidos, olhos, língua, pele e nariz. Estes órgãos fazem parte de um complexo mecanismo que nos permite ter sensações.
SENSAÇÃO = é o resultado de uma transformação realizada pelo sistema nervoso, que "traduz" a impressão originada pela excitação de nossos sentidos.
Os cheiros, os sons, os sabores, as cores e as temperaturas, tudo é interpretado pela inteligência. Além disso, podemos partilhar o que captamos com os outros. Assim, a interpretação não se reduz a uma atividade da mente isolada e entra em contato com o mundo real.
Por exemplo: se está calor e minha pele está sentindo o sol, eu posso fazer esse comentário para outra pessoa e ela pode confirmar .
Por exemplo: se está calor e minha pele está sentindo o sol, eu posso fazer esse comentário para outra pessoa e ela pode confirmar .
São as experiências interpretadas pelos seres humanos que dizem o que é verdadeiro ou não. A isso damos o nome de empirismo, porque nossa inteligência, ou nosso intelecto, necessita da experiência para entender o mundo.
A razão tem a função de perceber os fatos que provocam as sensações e avaliá-los, julgá-os e organizá-los.
2. RAZÃO E INTELIGÊNCIA
A razão tem a função de perceber os fatos que provocam as sensações e avaliá-los, julgá-os e organizá-los.
A realidade assume diversas facetas que tornam determinados fatos incompreensíveis pela razão, pois esta possui um conhecimento limitado do universo. Mas a razão, a todo momento, procura romper estes limites e compreender cada vez mais. É nestes momentos que ela se socorre de outra faculdade de nossa mente, a inteligência.
A inteligência é especializada em em resolver problemas e ampliar o poder de entendimento da razão. Entretanto, a inteligência não possui "vontade". Ela é
acionada somente quando houver necessidade.
acionada somente quando houver necessidade.
A razão é a faculdade que aciona a nossa inteligência. A inteligência por sua vez, para auxiliar a razão, recorre aos seus próprios mecanismos. No entanto, a nossa mente possui determinadas funções que nos livram do trabalho de utilizarmos, a toda hora, a inteligência.
3. FATOS QUE A INTELIGÊNCIA NÃO PRECISA EXPLICAR
As ações que praticamos repetidas vezes tornam-se automáticas e dispensam a presença da inteligência, que só é colocada a em atividade quando temos de enfrentar circunstâncias novas, circunstâncias que nos ofereçam algum problema.
HÁBITO = Chamamos de hábito o costume ou disposição automática que adquirimos através da aprendizagem e implica a constante repetição de uma atividade. Portanto, o hábito é algo adquirido.
INSTINTOS = Diferente do hábito, por serem inatos, ou seja, por terem nascido com os indivíduos, são comuns a todos os exemplares de uma mesma espécie. Por outro lado, os hábitos, por serem adquiridos, podem variar entre os exemplares de uma mesma espécie. Os instintos funcionam como fatores que nos predispõem a garantir a propagação e a preservação de nossa espécie.
Como o hábito, também as atividades que realizamos por instinto dispensam a presença atuante da inteligência.
Fonte: COTRIM, Gilberto. PARISI, Mário. Trabalho dirigido de filosofia. São Paulo: Saraiva, 1996.
4. EMPIRISMO: corrente filosófica que defende a aquisição do conhecimento através dos sentidos (experiência sensorial), temos como representante John Locke.
John Locke (1632 - 1704) - Filósofo inglês
• Afirmava que as ideias são formadas através da experiência dos sentidos.
• Afirmava que as ideias são formadas através da experiência dos sentidos.
Obra: Ensaio acerca do entendimento humano (1690)
Para John Locke a mente é um papel branco sem qualquer ideia, por isso ele questiona de onde apreendemos as matérias da razão e do conhecimento, chega a conclusão que o conhecimento nasce da experiência.
Experiência: possibilita o conhecimento e fazemos experiência dos objetos sensíveis externos (captados através dos órgãos dos sentidos) e
também das operações internas da mente (reflexão).
também das operações internas da mente (reflexão).
5. CRITICISMO: doutrina Kantiana que estuda as condições de validade e os limites do uso que podemos fazer de nossa razão.
Immanuel Kant (1724 - 1804) - Filósofo alemão
• Criou o criticismo para investigar as possibilidades do conhecimento (julgar e estabelecer os limites da razão)
Crítica da Razão Pura (1781, 1787 2ªed.)
Neste livro Kant afirma na distinção entre o conhecimento puro e o empírico que o conhecimento nasce da experiência, mas ele se questiona se existe um
conhecimento independente da experiência.
Kant chega a conclusão de que existe duas formas de conhecimento:
conhecimento independente da experiência.
Kant chega a conclusão de que existe duas formas de conhecimento:
- Conhecimento a posteriori: é fundado e posterior a experiência.
- Conhecimento a priori: é independente, anterior e distinto da experiência.
- Conhecimento a priori: é independente, anterior e distinto da experiência.
CRIANDO UMA IMAGEM CRÍTICA DA FILOSOFIA

Inventores da palavra “filosofia”, os gregos não se teriam enganado. Se é preciso pensar bem é para viver melhor. Considerando o vício como desconhecimento da virtude, o platonismo fundou no pensamento ocidental a idéia segundo a qual “ninguém age mal voluntariamente” – formulação a que corresponde “ninguém erra por deliberação”. Se a medicina se encarregou de curar o corpo, à filosofia coube ser o consolo da alma aflita: “não é necessário fingir filosofar” dizia Epicuro, “mas efetivamente fazê-lo, pois temos interesse não em aparentar boa saúde, mas (em) de fato tê-la. (...) Nunca é cedo, tampouco tarde demais para cuidar da saúde da alma”. Nietzsche também dizia serem os artistas e os filósofos os médicos da civilização. A filosofia forma almas fortes pelo exercício da análise de si e do pensamento autônomo.
Epicuro considerava a filosofia não como instrução ou aquisição passiva de informações, mas uma atividade que, através de um generoso sentimento, a philia (amizade), ultrapassa a dimensão da sabedoria contemplativa e se expande em amor à humanidade. O logos filosófico traz a verdade iluminadora: é o discurso que se faz pharmakon, remédio que dissolve crenças e superstições – fonte do medo e dos males da alma. Seu objetivo “não é instruir os homens, mas tranquiliza-los”.
O pharmakon filosófico é o discurso terapêutico que busca a autarquia da alma e do corpo, o domínio da dor do corpo e da alma pela filosofia: “nunca se adie o filosofar quando se é jovem, nem (se) canse de fazê-lo quando se é velho, pois que ninguém é jamais pouco maduro nem demasiado maduro para conquistar a saúde da alma. E quem diz que a hora do filosofar ainda não chegou ou já passou assemelha-se ao que diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz”. A noção de felicidade, por mais indeterminada que seja, é objeto da filosofia e da medicina. Para os gregos, a ciência era a busca da justa vida e do bem-viver.
1. O QUE É FILOSOFIA? ETIMOLOGIA
Muitos filósofos dedicaram boa parte da vida tentando responder essa questão. A filosofia não é apenas um conjunto de conhecimentos, mas vai além disso. Pode ser compreendida como um saber que tem por interesse a formação da inteligência crítica das pessoas. Sob esse aspecto, ela nos leva a uma inquietação, uma atitude ou um posicionamento diante da vida e do mundo. Essa inquietude conduz a uma série de indagações e reflexões e também à não aceitação do óbvio. A tudo isso chamamos de atitude filosófica.
No livro Convite à Filosofia (1995), a historiadora e filósofa brasileira Marilena Chauí afirma que filosofar ou ter uma atitude filosófica poderia ser a "decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido".
A atitude filosófica leva o indivíduo a negar o senso comum, a questionar e refletir sobre os elementos do cotidiano e da existência humana.
É por isso que a filosofia nem sempre teve boa aceitação no país ou entre algumas pessoas mais conservadoras. Seu compromisso em estimular o pensamento crítico e dar a oportunidade de que cada um tire suas próprias conclusões sobre as situações de sua vida, da política, da sociedade, sobre as outras pessoas, pode incomodar àqueles que ão têm interesse em deixar o pensamento livre e crítico ganhar espaços em nossa sociedade.
Alguns importantes pensadores e escritores, dentre eles Rubem Alves, afirma que devemos ter espírito de criança para que possamos exercer nossa plena capacidade filosófica, isso porque a criança busca saber coisas novas e se espanta diante do novo. O adolescente, público alvo do ensino médio também é curioso e essa curiosidade é elemento fundamental para a filosofia. Na introdução da obra Mundo de Sopia, o escritor Jostein Gaarder, disse: " A capacidade de nos surpreendermos é a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos (...). E agora tens que te decidir, Sofia: és uma criança que ainda não se habituou ao mundo? Ou és uma filósofa que pode jurar que isso nunca lhe acontecerá? ...Não quero que tu pertenças à categoria dos apáticos e dos indiferentes. Quero que vivas a tua vida de forma consciente."
Alguns importantes pensadores e escritores, dentre eles Rubem Alves, afirma que devemos ter espírito de criança para que possamos exercer nossa plena capacidade filosófica, isso porque a criança busca saber coisas novas e se espanta diante do novo. O adolescente, público alvo do ensino médio também é curioso e essa curiosidade é elemento fundamental para a filosofia. Na introdução da obra Mundo de Sopia, o escritor Jostein Gaarder, disse: " A capacidade de nos surpreendermos é a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos (...). E agora tens que te decidir, Sofia: és uma criança que ainda não se habituou ao mundo? Ou és uma filósofa que pode jurar que isso nunca lhe acontecerá? ...Não quero que tu pertenças à categoria dos apáticos e dos indiferentes. Quero que vivas a tua vida de forma consciente."
"Com a filosofia, somos capazes de explorar conceitos como o significado da vida, conhecimento, moralidade, realidade, a existência de deus, consciência, política, religião, economia, arte ou linguistica _ a filosofia não tem Fronteira" (Paul Kleinman)
O "EU" RACIONAL
Somos seres racionais e como tal, somos seres pensantes, capazes de compreender a nossa existência e mais ainda, agir conforme as nossas escolhas éticas.
Nesse sentido, a filosofia cartesiana do “eu penso” nos ajudará na construção do sujeito ético, pois a compreensão de nossas ações, bem como a construção de relações sociais de acordo com referências democráticas, por exemplo, exigem reflexões que se fundamentam em nossa capacidade de cogitar, isto é, de questionar o que vivemos e o que desejamos viver. Daí a importância do uso do pensamento.
Como pensamos?
Há várias maneiras de dividir as atividades do intelecto. A tradição filosófica aponta a seguinte: juízo, percepção e razão.
Juízo = Atividade intelectual de escolha, avaliação e decisão. Questões éticas: Qual o critério ou a regra dos nossos juízos? Porque escolhemos isto ou não aquilo? Porque achamos mais importante isto e não aquilo? Etc...
Percepção = É o exame das sensações. Por meio da percepção, nós não apenas ouvimos o som em uma festa, mas podemos compreender o ritmo, verificar se as pessoas estão felizes e enxergar seus movimentos de dança etc. Assim, as questões de caráter ético que podemos fazer agora são: como melhorar a percepção do mundo? Como sentir melhor e distinguir o que nos cerca? Por que um entendimento errado ou um mau juízo podem produzir tanto mal?
Razão = Por meio da razão, que é lógica, nós temos a regra para os cálculos em nosso pensamento. O que julgamos, percebemos, lembramos até imaginamos, em geral, podem obedecer às regras da lógica. Assim, a pergunta ética que podemos propor é: como aprofundar a racionalidade, visando a fazer o bem?
O preconceito em relação a Filosofia
Mais uma produção de texto de um dos alunos do ensino médio, busca mostrar o desenvolvimento da habilidade em associar textos lidos para relacionar ideias e escrever um pequeno artigo.
No exemplo abaixo, a aluna Maiara Aparecida de Souza, da terceira série "A" do ensino médio da EE. Oscar Antônio da Costa, em São Francisco-SP, demonstrou que é possível, em poucas linhas, escrever, de modo sucinto, o que entendeu sobre "A natureza política do preconceito e da intolerância com a Filosofia", conforme exercício da situação de aprendizagem do volume um em Filosofia. A reflexão feita sobre o preconceito fez perceber que pode causar prejuízo à moral do indivíduo, como aconteceu com Tales de Mileto e Sócrates, cuja a comédia de Aristófanes, nos tempos da Grécia Antiga, chegou a ser um motim para a morte do mestre grego.
"No início da Filosofia, filósofos sofreram preconceito por questionarem ou buscarem entender a origem das coisas, sendo julgados como seres que 'viviam nas nuvens'.
Essa forma de preconceito surgiu porque os filósofos, muito sábios, colocavam em risco todos aqueles que se diziam [sabedores], mas pouco conheciam. Isso desencadeou uma revolta, por parte das outras pessoas, disparando 'adjetivos negativos' aos filósofos.
Sócrates, um grande exemplo disso, foi levado à morte por sua sabedoria, porque colocava em risco a política da época. Essas atitudes, de certa forma, prejudicavam a filosofia.
Mas, hoje, a visão em relação à Filosofia mudou. Qualquer pessoa pode filosofar, desde que questione. E isso deve permanecer, uma vez que, se faz necessário que existam pessoas assim para questionar não só a natureza humana, mas, também, [sua prática] a natureza política."
Filosofia e Educação Reflexiva
Prof. Darcísio Natal Muraro!
A pergunta é a alma da filosofia!
As experiências com perguntas na infância são inesquecíveis. Representam tentativas inteligentes de lidar com as dificuldades, conflitos, dúvidas, problemas. As perguntas concretizam o desejo da criança de querer saber os mínimos detalhes da vida. São alimentadas pela curiosidade e a imaginação, as portas e janelas para a descoberta do mundo. Saltando das experiências mais simples, as perguntas impulsionam a criança para a conquista de um conhecimento necessário para compreender sua condição no mundo. As pergutas são para o pensamento o que os passos são para o corpo. Este movimento provoca a transformação da própria criança, de seu jeito de agir, brincar, ver e interagir com a realidade. O resultado é crescimento. Quem não lembra das horas matutandoo com certas perguntas que desafiaram a capacidade decifradora dos mistérios? Quem não lembra também do impacto que muitas perguntas causaram aos pais, amigos, professores?
Investigar a experiência de perguntar é ainda um grande desafio para entender a complexidade da mente humana. Poderíamos trabalhar com a hipótese de que a pergunta é a atividade humana que abarca o mais completo desempenho emocional e racional. Vejamos alguns indícios. Os acontecimentos cheios de novidades, mistérios e surpresas provocam a experiência do espanto na vida da criança. Este estranhamento estimula aventurar uma pergunta. A pergunta gera dois movimentos contraditórios: por uma lado, paralisa a ação; por outro, estimula e redireciona para ações diferenciadas como refletir, conversar com alguém, etc. Entrar na roda do questionamento implica fazer a suspensão de pré-juízos, isto é, um distanciamento da realidade para olhar com os olhos da inteligência o que falta em si mesmo. Permite a tomada de consciência de própria ignorância e coloca o ser humano em busca dos objetos da necessidade, do desejo. Sujeito e objetos tomam posição nesta brincadeira. Entram em cena outros sujeitos, já que a pergunta remete sempre a um contexto socializado. O dinamismo do jogo das perguntas conta agora com a reação destes sujeitos que podem aprovar, estimular e se envolver nesta atividade exploratória ou acabar logo com ela mostrando indiferença, respostas evasivas e até repressivas. "Cala boca Menino!" "Pergunte para seu pai!" "Isso é coisa de perguntar?" Colocações dessa ordem ainda continuam a acontecer a todo o momento por adultos desavisados do bloqueio ao pensar que causam. Por outro lado, as crianças são também interrogadas constantemente. Este é o outro lado da experiência compartilhada dos problemas. Compreender uma pergunta e pensar uma resposta exige reflexão. Nem sempre os adultos se preocupam com as conseqüências das perguntas que fazem às crianças. Há que se ter tato e sensibilidade para não se fazer perguntas infantilizadas ou adultas demais! Assim, chegamos ao outro ponto: o trato com as perguntas é um dos grandes problemas da educação filosófica. A maneira como as experiências sobre perguntas são conduzidas têm papel decisivo na formação ou deformação da atitude indagadora que perdurará pela vida afora.
Insistimos na questão: olhar atentamente as perguntas das crianças revela a riqueza da atividade de uma mente inquieta, curiosa, observadora, criativa e um espírito investigativo querendo desabrochar. Perguntamos: é possível cultivar e desenvolver esse "pensamento interrogante" da infância? Como? E as crianças que não perguntam? Existiriam bloqueios ao perguntar? Como lidar com isso? Seria possível despertar as perguntas adormecidas no universo infantil? Quais seriam as conseqüências disso? Que relação há entre perguntar e aprender, perguntar e pensar? Como o professor pode trabalhar com as perguntas em sala de aula? Existem perguntas certas e erradas? As crianças devem fazer perguntas ou elas devem apenas responder as perguntas dos professores?
Perguntar é uma atividade que só o ser humano é capaz de fazer e, certamente a mais importante de todas para a formação de um pensamento autônomo. As perguntas começam a aparecer muito cedo na vida da criança na medida em que elas adquirem a linguagem. A criança dá vida às palavras, brinca com elas, faz delas um brinquedo. As palavras se transformam no brinquedo dos brinquedos e das brincadeiras e isto possibilita construir um mundo imaginário. É certo que às vezes a brincadeira vai longe demais e o próprio brinquedo é que passa a jogar com a criança. Mas é isso que intriga, ou seja, a descoberta da variedade de relações que o pensamento pode fazer com o uso da linguagem. Neste processo de construção dos significados surgem problemas, porque algumas relações se tornam confusas, incompletas, ou então, quando confrontadas com as crenças, aparecem contradições, dúvidas, diferenças ou se tornam mesmo muito engraçadas provocando, inevitavelmente, muitas perguntas.
As perguntas das crianças expressam o encantamento diante do mundo e a necessidade de compreendê-lo melhor. Poderíamos afirmar que é na pergunta que está o interesse, ou a fome pelo conhecimento necessário para nutrir o pensamento na busca de significados. Esta busca pressupõe o diálogo. A educação não pode acontecer sem este princípio, ou seja, sem um amor efetivo às questões que nos tornam seres humanos reflexivos.
As descobertas e construções da filosofia, da ciência, da religião e da própria arte que constituem o que chamamos de "humanidade" se originaram de perguntas que captaram os problemas centrais da existência. Perguntar é uma das características marcantes de todos os homens e mulheres que deram grande contribuição para a cultura humana. Sensibilizados por problemas eles encontraram as perguntas adequadas para desenvolver novas concepções. Responder às perguntas portadoras de questões relevantes, buscando encontrar as melhores respostas, é a outra parte da prática investigativa. Neste processo de construção das "boas respostas" aparecem muitas outras perguntas e esta rede de perguntas e respostas abre o leque de alternativas na investigação do desconhecido. Uma mente aberta se ocupará com perguntas que interpelem pelas diversas dimensões da investigação: epistemológica, ética, política, econômica, estética ou do rigor da lógica e da linguagem. Ao mesmo tempo, a relação perguntas-respostas tem repercussões na prática na medida em que permite refletir sobre os problemas e prever soluções. Desta forma, temos caminhos para conduzir a ação de maneira inteligente. É por isso que a pergunta desperta e conserva a curiosidade e a crítica e, nesse percurso, acaba melhorando consideravelmente a maneira de pensar, imaginar e criar como resultado do exercício de diferentes habilidades e competências. Outro aspecto importante é o desenvolvimento da auto-estima, ou seja, o senso de que se é capaz de formular boas perguntas e buscar respostas, ou pelo menos compartilhar a pergunta com alguém que ajude a encontrar caminhos. Assim, a pergunta contagia também outras pessoas que se põem na busca de questões antes não percebidas ou sentidas. Desenvolve-se uma "simpatia inteligente" pelos problemas humanos. Não seria esse um bom motivo para uma abertura e acolhimento maior, mais radical à pergunta por parte dos educadores, ao cultivo desta atitude questionadora necessária a qualquer processo de reflexão, crítica e criativa?
Imaginemos agora esse movimento encadeado de perguntas - repostas em torno de problemas concretos dos alunos acontecendo em sala aula. Torna-se uma espécie de jogo no qual o diálogo que se estabelece entre as crianças e o professor é extremamente significativo, atraente e lúdico. Mais do que isso, é uma aprendizagem viva em que os alunos participam de todo processo: formulação e registro das perguntas com as respectivas autorias, organização das perguntas em grupos conforme as questões suscitada de determinado problema, aprofundamento destas questões no diálogo da comunidade, registro dos resultados: conceitos construídos, hipóteses, novas perguntas, ações propostas. Além de aprender um conteúdo de forma reflexiva e contextualizada, aprendem-se também valores: respeito pelas diferenças de opiniões, interesse pela investigação do que é problemático na realidade, envolvimento com os objetivos comuns, respeito às regras combinadas na comunidade de sala de aula, capacidade de esperar a vez e de exigir sua vez para expressar seu ponto de vista, capacidade de se comunicar com clareza com os outros, solidariedade e tolerância às diferenças, responsabilidade com a prática democrática e com a própria educação. O processo comporta também uma aprendizagem emocional na medida em que a criança tem a oportunidade e de questiona-se sobre certos sentimentos e investigar sua procedência, pertinência e relevância para sua vida em grupo. É nesse contexto de comunicação que se desenvolve a reflexão acerca da própria linguagem, condição básica para a reflexão em qualquer área de conhecimento. O inverso desta prática é a educação centrada na repetição das perguntas e respostas já prontas de um conteúdo acabado. A fragmentação do conteúdo em questões dá uma falsa idéia do processo de conhecer, como se este fosse apenas uma pergunta e uma determinada resposta. Destina-se à memorização e pressupõe que o aluno milagrosamente junte as partes para formar uma compreensão ampla de certa matéria. Esta prática colabora indiretamente para inibir o potencial indagador dos alunos. Contribui para desenvolver atitudes de acomodação ou adaptação passiva do aluno ao mundo dos conhecimentos. Uma coisa é ensinar palavras, conceitos, frases, concordâncias, equações, informações para se guardar na memória, outra, bem diferente, é ensinar a perguntar e pôr o pensamento a procurar resposta ou respostas que podem se transformar em conceitos, frases, equações, etc. A dificuldade está em perceber que a pergunta da criança é sempre sobre algo da cultura, daquilo que é humano e, por isso, de extremo interesse para ela. E não é sobre isso que trata o "conteúdo curricular"? Ensinar a perguntar é reensinar o encantamento, o assombro, o distanciamento inteligente desta realidade para captá-la de forma problemática. Responsabilidade, interesse e esforço nascem naturalmente de em uma criança intrigada por um problema vital a ser investigado. O ser pensante aprende também a correr riscos e lidar com a novidade. Há que se reinventar o caminho!
O processo de aprendizagem mediado por perguntas que permitem investigar um problema é o que chamamos de "pedagogia da pergunta". Esta prática visa o desenvolvimento do pensamento inquiridor, crítico, criativo e ao mesmo tempo ético. Aprender a trabalhar com a pedagogia da pergunta exige rever a formação dos professores. Vivemos numa cultura de perguntas e respostas "dadas" e que viciou também o modo de perguntar e responder. Perguntas fora deste quadro atrapalham a aula e são um incômodo para a memorização do conteúdo, ou pior ainda, para se vencer um conteúdo pré-determinado. Afirmamos que as próprias crianças têm que refletir sobre as perguntas que fazem, mas isso não acontece se a classe for submetida a uma prática autoritária que poda inclusive a possibilidade de errar a pergunta e auto-corrigir o curso da investigação. Portanto, o desafio é aprender a lidar com o medo das novas perguntas e desenvolver uma cultura que estimule um perguntar de forma diferente: genuíno, radical, aberto e constante, buscando explorar os extremos do saber. Uma cultura de perguntas que interrogue de forma substantiva para conhecer, questionando os processos / procedimentos e produtos da reflexão. Questionar para não se aceitar algo como natural, para não se aceitar passivamente os significados sem o processo de entendimento das razões, pressupostos e conseqüências. O que está em jogo é a formação da capacidade de julgamento dos alunos. Ensinar a perguntar é ensinar a pensar por si mesmo. E aprender o processo de pensar as perguntas e as respostas é aprender a aprender. E como este aprender a aprender necessita de uma prática de compartilhar idéias, deliberação conjunta e a busca de consensos e respeito ao dissenso, ele reforça nossas atitudes de vida democrática de exercício de cidadania.
Afirmar que a criança tem o direito de pensar é reconhecer o dever das escolas e educadores de ensinar a pensar. A cultura do pensar por perguntas na escola não se faz sem um espaço para a filosofia, área de conhecimento que tem se especializado sobre o pensar. Estamos falando da atividade de questionamento filosófico: uma prática que deve ter uma dimensão específica chamada de "disciplina" de filosofia e uma outra dimensão interdisciplinar e multidisciplinar. Educar para o pensar nesta perspectiva exige rever muitas de nossas concepções e processos pedagógicos. Talvez essa seja a questão central diante da realidade globalizada onde a técnica nos dá acesso a todas as informações, a todos os pensamentos, mas não nos dá a atitude reflexiva, questionadora, investigativa.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
ORIGENS DO DIA DO
TRABALHO
O Dia do Trabalho é comemorado
em 1º de maio. No Brasil e em vários países do mundo é um feriado nacional,
dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos
reivindicatórios.
A História do Dia do Trabalho
remonta o ano de 1886 na industrializada cidade de Chicago (Estados Unidos). No dia 1º de maio
deste ano, milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores
condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada de trabalho de treze
para oito horas diárias. Neste mesmo dia ocorreu nos Estados Unidos uma grande greve geral dos
trabalhadores.
Dois dias após os
acontecimentos, um conflito envolvendo policiais e trabalhadores provocou a
morte de alguns manifestantes. Este fato gerou revolta nos trabalhadores,
provocando outros enfrentamentos com policiais. No dia 4 de maio, num conflito
de rua, manifestantes atiraram uma bomba nos policiais, provocando a morte de
sete deles. Foi o estopim para que os policiais começassem a atirar no grupo de
manifestantes. O resultado foi a morte de doze protestantes e dezenas de
pessoas feridas.
Foram dias marcantes na
história da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. Para
homenagear aqueles que morreram nos conflitos, a Segunda Internacional Socialista,
ocorrida na capital francesa em 20 de junho de 1889, criou o Dia Mundial do
Trabalho, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano.
Aqui no Brasil existem relatos
de que a data é comemorada desde o ano de 1895. Porém, foi somente em setembro
de 1925 que esta data tornou-se oficial, após a criação de um decreto do então
presidente Artur Bernardes.
Dia do Trabalhador no Brasil
Com a chegada de
imigrantes europeus no Brasil, as ideias de princípios e leis trabalhistas
vieram junto. Em 1917 houve uma Greve geral.
Com o fortalecimento da classe operaria, o dia 1º de Maio foi declarado feriado
pelo presidente Artur Bernardes em 1925.
Até o início da Era Vargas (1930-1945) certos tipos de
agremiação dos trabalhadores fabris eram bastante comuns, embora não
constituísse um grupo político muito forte, dado a pouca industrialização do
país. Esta movimentação operária tinha se caracterizado em um primeiro momento
por possuir influências do anarquismo e
mais tarde do comunismo, mas com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, ela foi
gradativamente dissolvida e os trabalhadores urbanos passaram a ser
influenciados pelo que ficou conhecido como trabalhismo.
Até então, o Dia do
Trabalhador era considerado por aqueles movimentos anteriores (anarquistas e
comunistas) como um momento de protesto e crítica às estruturas
sócio-econômicas do país. A propaganda trabalhista de Vargas, sutilmente,
transforma um dia destinado a celebrar o trabalhador no Dia do Trabalhador. Tal
mudança, aparentemente superficial, alterou profundamente as atividades realizadas
pelos trabalhadores a cada ano, neste dia. Até então marcado por piquetes e
passeatas, o Dia do Trabalhador passou a ser comemorado com festas populares,
desfiles e celebrações similares. Atualmente, esta característica foi
assimilada até mesmo pelo movimento sindical: tradicionalmente a Força Sindical
e a CUT ( organizações que congregam sindicatos de diversas áreas, realiza grandes shows com nomes da música
popular e sorteios de casa própria. Na maioria dos países industrializados, o
1º de maio é o Dia do Trabalho. Comemorada desde o final do século XIX, a data
é uma homenagem aos oito líderes trabalhistas norte-americanos que morreram
enforcados em Chicago (EUA), em 1886. Eles foram presos e julgados sumariamente
por dirigirem manifestações que tiveram início justamente no dia 1º de maio
daquele ano. No Brasil, a data é comemorada desde 1895 e virou feriado nacional
em setembro de 1925 por um decreto do presidente Artur Bernardes.
Aponta-se que o
caráter massificador do Dia do Trabalhador, no Brasil, se
expressa especialmente pelo costume que os governos têm de anunciar neste dia o
aumento anual do salário mínimo. Outro ponto muito importante atribuído ao dia
do trabalhador foi a criação da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, em 01
de maio de 1943.
Fatos
importantes relacionados ao 1º de maio no Brasil:
- Em
1º de maio de 1940, o presidente Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo.
Este deveria suprir as necessidades básicas de uma família (moradia,
alimentação, saúde, vestuário, educação e lazer)
- Em
1º de maio de 1941 foi criada a Justiça do Trabalho, destinada a resolver
questões judiciais relacionadas, especificamente, as relações de trabalho e aos
direitos dos trabalhadores.
FILOSOFIA NO BRASIL NA ATUALIDADE
O
pensamento filosófico brasileiro constituiu-se a partir do final do século
XVIII, passando por sucessivas mutações, até ganhar a pluralidade de formas e
correntes que possui em nossos dias. Contudo, não é possível falar de uma
tradição intrinsecamente brasileira de pensamento, constituidora de um cabedal
de idéias e de uma metodologia próprios. Em um país relativamente jovem, cuja
porção letrada era formada por imigrantes europeus e seus descendentes, a
filosofia em nosso país foi, em sua quase totalidade, influenciada por
correntes européias, predominantemente pelo pensamento e cultura franceses.
Os
primeiros pensadores brasileiros de que se tem notícia adotavam as teorias sensistas
e materialistas de Condillac e Cabanis, tentando conciliá-las com o
espiritualismo eclético, veiculado, especialmente, por Victor Cousin. Dentre os
adeptos deste direcionamento, destacam-se, no século XIX, Eduardo Ferreira
França e Domingos José Gonçalves de Magalhães.
Contrapondo-se
a esta tendência, a filosofia tomista sempre encontrou expressão no Brasil. Seu
principal órgão de difusão foram os padres jesuítas, cuja ordem chegou ao país
na época mesma de seu descobrimento. Podemos citar, entre seus principais
representantes no século passado, José Soriano de Souza e Vicente Cândido
Figueiredo de Sabóia. O principal objetivo destes pensadores era empreender a
crítica, a um só tempo, do materialismo e do espiritualismo reinantes entre os
filósofos brasileiros de seu tempo, a fim de apresentar o pensamento
escolástico como solução para resolver a contradição matéria-espírito, presente
na obra dos filósofos criticados.
Uma
doutrina largamente difundida em nosso país durante todo o século passado,
permanecendo atuante até as primeiras décadas deste século, é o positivismo.
Seus adeptos exerceram influência não apenas filosófica, mas igualmente
política, desempenhando importante papel na proclamação da República (vale a
pena lembrar que o lema Ordem e Progresso, presente em nossa bandeira, é
igualmente o lema do positivismo comtiano). Podemos citar, como seus mais
eminentes adeptos, Benjamin Constant, Miguel Lemos e Teixeira Mendes. As
correntes evolucionistas e culturalistas, em voga na Europa durante a segunda
metade do século XIX, também encontraram-se representadas no Brasil. Seus
principais divulgadores foram Tobias Barreto e Sílvio Romero, partidários do
culturalismo alemão e do evolucionismo de Spencer, respectivamente.
Podemos
citar como o filósofo brasileiro de maior fôlego e originalidade Raimundo de
Farias Brito, o maior representante da filosofia em nosso país. Este pensador
procura desenvolver uma investigação de caráter próprio acerca dos principais
temas filosóficos atrelados aos problemas existenciais: a verdade, a vida, a
dor, a morte. Segundo Farias Brito, a moral e a finalidade última da filosofia;
esta deve atender às inquietações intrínsecas ao ser humano.
No
princípio do século XX, vemos surgir Leonel Franca como um dos nomes mais
representativos do pensamento filosófico deste período. Pensador neotomista,
desempenhou importante papel na restauração e renovação deste pensamento,
frente às questões trazidas pelas doutrinas materialista e espiritualista.
O
pensamento filosófico em nosso país foi, ao longo do século XX, ampliando seus
horizontes e suas áreas de contato. Apesar de ainda não podermos falar em uma
“filosofia do Brasil”, é possível abordar a filosofia no Brasil
como sendo matéria de interesse crescente. Em nosso país, algumas universidades
divulgam uma gama muito diversificada de correntes, ocorrendo estudos
aprofundados e intercâmbios com os principais pensadores de nosso século.
Podemos citar, como principais direcionamentos da investigação filosófica
brasileira atual: a filosofia analítica, o pensamento existencial francês e
alemão, as filosofias antiga e moderna, o marxismo, a ética, a epistemologia, a
lógica, a filosofia francesa contemporânea.
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