domingo, 20 de setembro de 2015

FEUDALISMO



 A história deve ser vista como uma ciência em constante construção. O atual estudo da história não se resume a meras questões factuais, isto é, a memorização de datas, episódios e nomes. O historiador privilegia o emprego de uma metodologia científica, valorizando a análise, a interpretação e a postura crítica em relação aos episódios históricos. A periodização do tempo cronológico deve ser compreendida como um instrumento didático que tem por finalidade separar idades históricas que apresentam características peculiares que as distinguem. Embora existam datas que ajudem a nortear as mudanças de idade, esses processos levam muitos anos e vários episódios estão envolvidos, gerando uma série de mudanças nas sociedades. Ou seja, tal divisão é meramente didática, sem a pretensão de ser perfeita ou completa. Obviamente a história compreende um período muito longo e optamos por começar nossos estudos por um período muito importante para entendermos a sociedade atual, o feudalismo.
A Economia


O Feudalismo pode ser visto como um sistema de produção a partir do século IX, definido após um longo processo de formação, reunindo principalmente elementos de origem germânica e de origem romana. Essa estrutura foi marcante na Europa Ocidental que foi sofrendo um processo de "ruralização" e desorganização das cidades após a queda do império romano (séc. V) e responsável pela consolidação de conceitos e valores que se estenderão por muitos anos, na chamada Idade Média.

A economia feudal possuía base agrária, ou seja, a agricultura era a atividade responsável por gerar a riqueza social naquele momento. A pecuária, a mineração, a produção artesanal e mesmo o comércio eram atividades que existiam de forma secundária. Como a agricultura era a atividade mais importante, a terra era o meio de produção fundamental. Os proprietários rurais eram denominados Senhores Feudais, enquanto que os trabalhadores camponeses eram denominados servos e o feudo era a unidade produtiva básica. Uma vez que os servos dependiam das terras dos senhores para viver, eram várias as formas de tributação que se estabeleciam entre eles. A talha era a mais comum. O servo era obrigado a entregar para o seu senhor metade da produção, fruto do seu trabalho e de sua família, ou seja, esse sistema se caracteriza pela exploração do trabalho servil. Os impostos feudais, inclusive, ajudavam a preservar a estrutura
 da sociedade europeia. A sociedade feudal era composta por três classes sociais: Clero, Nobreza e Campesinato (servos). A estrutura social praticamente não permitia mobilidade, sendo portanto que a condição de um indivíduo era determinada pelo nascimento, ou seja, quem nasce servo será sempre servo.
 
Cada grupo tinha sua função bem definida dentro da sociedade feudal. Na base, os servos representavam a grande massa de camponeses que produziam a riqueza social, ou seja, trabalhavam.  Os nobres eram os proprietários das terras e tinham uma função, enquanto cavalheiros, de defender a sociedade. No topo da pirâmide social está o clero que possuía grande importância, cumprindo um papel específico em termos de religião, de formação social, moral e ideológica. No entanto, esse papel do clero é definido pela hierarquia da Igreja, quer dizer, pelo Alto Clero, que por sua vez é formado por membros da nobreza feudal. Acabamos por considerar o clero e a nobreza como uma única classe social, aristocrata. No mundo feudal não existia uma estrutura de poder centralizada. Não existia a noção de Estado ou mesmo de nação. Portanto, consideramos o poder como localizado, ou seja, existente em cada feudo.  Apesar da autonomia na administração da justiça em cada feudo, existiam elementos limitadores do poder senhorial. A influência da Igreja Católica, única instituição centralizada, que ditava as normas de comportamento social na época, fazendo com que as leis obedecessem aos costumes e à "vontade de Deus". Dessa forma a vida quase não possuía variação de um feudo para outro. Podemos assim compreender que se trata de uma sociedade regida pelos costumes e tradições, uma vez que aquela organização foi feita por Deus não cabia ao homem criticá-la ou modificá-la. Ou seja, se trata de uma sociedade teocêntrica.
 
Embora houvesse uma grande rigidez na estrutura social, isso não significa que não havia revoltas. Os servos protagonizaram muitas delas. O principal motivo para as contestações era a fome, pois independente da produção os senhores faziam questão de sua parte, mesmo que isso significasse a fome dos camponeses.
 Embora existisse uma monarquia feudal, o rei não detinha controle sobre toda a sociedade, ou seja, ele não tinha súditos. O rei detinha apenas uma grande quantidade de vassalos
 que lhe garantia apoio militar e, em algumas circunstâncias, econômico.
  

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