UMA
VERDADE INCONVENIENTE
(O RACISMO DENTRO DA ESCOLA)
O presente artigo tem como objetivo um estudo sobre o
racismo, preconceito e discriminação em duas escolas estadual de Franca da zona
norte - SP. Tem como questão de pesquisa
elucidar: é esse preconceito ou discriminação percebido em nível consciente
pelos elementos da escola? Parte de um referencial teórico que contextualiza o
racismo como fenômeno universal, que acontece ora de forma explícita, ora menos
ou mais veladamente em diversas situações sociais e educacionais. Numa
abordagem qualitativa, usa de procedimentos vários para coletas de dados cujas
análises propiciarão algumas condições que poderão melhorar a inclusão étnica,
e a não extensão de postura eurocêntrica que permeiam relações humanas
escolares, currículos, livros didáticos e o próprio ensino de Historia. Este
artigo tem por objetivo demonstrar que os educadores do nossa cidade precisam
buscar meios de contribuir com o extermínio do preconceito sofrido pelos alunos
negros na escola, contribuindo para a melhoria inter-étnicas e erradicação de uma
cultura escolar eurocêntrica. Tem por objetivo alertar que esta questão é uma
luta cujo engajamento contribuirá para uma verdadeira cidadania.
Tem como princípio
verificar o preconceito sofrido pelos negros em duas Escolas Estadual de Franca
no Ensino Fundamental e Médio. Atualmente em sala de aula o aluno negro é
tratado com diferença em relação ao aluno branco?
Partimos da suposição
que atualmente o aluno negro é tratado com diferença na sala de aula,
observações feitas entre os anos de 2013 e 2014 nos autorizam a ter o preconceito como um
fato.
Interessamos por esse
tema para que possamos contribuir com a conscientização dos profissionais sobre
o preconceito sofrido pelos alunos negros nas escolas.
Há necessidade de
explicarmos termos que durante o trabalho não serão usados como sinônimos.
Referimo-nos à: Racismo, Discriminação e Preconceito.
Trazemos aqui as
significações dadas a esses termos pelo novo Dicionário Aurélio da Língua
Portuguesa, com algumas considerações elaboradas por Kabengele Munanga.
Antes de mais nada é
necessário a explicação do termo negro. Negro é um conceito político que
englobam todos aqueles (negros, mestiços, morenos, mulatos) de antecedência
parcial ou totalmente africana.
O conhecimento dos
conceitos envolvidos no sistema de relações raciais no Brasil é
fundamentalmente para combater o racismo.
Preconceito (do latim praeconceptu) substantivo masculino. 1.
Conceito ou opinião formado antecipadamente, sem maior ponderação ou
conhecimento dos fatos, idéias preconcebidas. 2. Julgamento ou opinião formada
sem levar em conta o fato que o conteste, prejuízo.
Por extensão suspeita,
intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, religiões etc.
O racismo é um problema
mundial; no Brasil não é diferente, em especial em Franca é tratado como se não
existisse sendo inúmeras as pessoas que negam a existência de racismo na cidade
Existe o racismo no
Brasil, mas de uma maneira ora explicita, ora velada e sutil, sendo o negro uma
das suas vítimas prediletas. Às vezes assume práticas mais ostensivas que se
constituem em discriminação.
O racismo no Brasil é
passado de geração para geração, ou seja, de pai para filho, criando-se desta
forma um círculo vicioso. Nunca foi fácil ser negro no Brasil, inclusive nos
dias de hoje. “Quando escravo, o negro foi tratado como ‘coisa’. Depois passou
a ser discriminado como se fosse cidadão de segunda categoria”. (Valente, 1994,
p.12).
Foi elaborado um
documento por um grupo de trabalho ordenado pela pró-reitoria de cultura e
extensão universitária da Universidade de São Paulo em 1995 tratando da
exclusão social que afeta os cidadãos de origem africana do nosso país. Essa
exclusão ocorre em inúmeras áreas entre elas estão:
• educação
• questões econômicas
• questões da mulher
negra
• imagem do negro com
relação à mídia
• saúde
• representatividade do
negro na política
• racismo e violência
É trágica a situação das
crianças e dos jovens brasileiros que vem abandonando a escola antes mesmo de
concluir o 1º grau. Uma parte sai da escola para ajudar a família financeiramente, a
outra desanima devido aos repetidos insucessos. Com os descendentes africanos a
situação é bem mais séria, pois esses ingressam mais tarde na escola e estão
sujeitos ao maior índice de evasão. Os descendentes de africanos quando chegam a
escola enfrentam atitudes e ações
racistas por parte dos conteúdos, dos professores e dos colegas.
“O negro no Brasil é
educado para entender desde muito cedo que para ser homem ele deve ser branco”.
(Lopes, 1987, p.39).
O trabalho é a principal
atividade econômica, os negros sofrem muitas atitudes preconceituosas no
mercado de trabalho. O Anuário Estatístico-92 do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE mostra que os trabalhadores negros recebem
apenas 41% do rendimento dos brancos, a renda percapta dos brancos é pelo menos
três vezes maior que a do negro e a população negra tem acesso praticamente
bloqueado as ocupações nobres.
As
mulheres negras sofrem dois tipos de discriminação: de ser negra e ser
mulher. Essas mulheres lutam a cada dia
mais buscando igualdade e participam de conferências mundiais da mulher.
No Brasil, as TVs
comerciais e públicas não possuem respeito pela população afro-brasileira, pois
não possuem programações voltadas para o atendimento específico dos seus
valores, necessidades e história.
Quando os negros
aparecem na história da TV e do cinema brasileiro são sempre representados por
estereótipos e clichês negativos. Os microfones, câmeras e papel jornal
acostumam-se a apresentar sempre a imagem do negro em três: lúgubre, lúdico e
luxurioso. O negro lúgubre está no noticiário frequente das crônicas policiais,
ou como o cabisbaixo serviçal ou melancólico bêbado, o lúdico aparece em
ocasiões eventuais, em datas comemorativas, como no carnaval, o negro luxurioso
é aquele estereotipado que aparece em filmes trazendo uma imagem barroca e
lasciva a ausência ou esterotipia do negro nos meios de comunicação são
expressivas formas de violência que se praticam contra os afros descendentes no
Brasil.
Kabengele Munanga
destaca dois pontos que ele acredita ser fundamentais para contribuir com o
combate à discriminação:
•estabelecer sedes internacionais de intercâmbio
tendo como compreensão que a construção e o fortalecimento de uma identidade
étnica em um mundo globalizado passam pela expansão de informação sobre os
distintos processos nacional e mundial de criação e produção simbólica dos
negros. E que essa identidade é continuamente alimentada por influências
culturais e musicais como o rap, o reggae, o cinema, de artistas das Américas e
da África e pelos valores humanos de líderes negros mundiais como Martin King e
Nelson Mandela.
• dar prioridade a realização de um grande desejo: a construção de
uma TV afro-brasileira. E tê-lo não como uma meta possível ainda neste final de
século.
A rede de saúde privada
em nosso país é muito custosa; como os negros são em sua grande maioria pobres,
tem acesso apenas à rede pública. A rede pública não é eficiente é muito mal
estruturada. Infelizmente no Brasil algumas doenças têm se registrado com maior
freqüência entre os descendentes de africanos: hipertensão arterial, anemia,
fala forme, diabete, melito, deficiência de lactase e alguns tipos de má
formação congênita oriundas não de inferioridade biológica, mas de descaso
político quanto às condições de saúde dessa população.
O número de negros nas
câmeras municipais, Assembléias Legislativas e no Congresso Nacional é muito
pequeno se for comparado com a quantidade de negros existentes em nosso país.
Isso ocorre até mesmo na Bahia, que é uma região onde os negros são a maioria.
Nos casos de violência
massiva, ocorridas no Brasil, existe a presença majoritária de negros e pardos
entre os mortos. O professor e pesquisador Sérgio Adorno, docente da
Universidade de São Paulo, constatou em seus estudos que os negros não recebem
o mesmo tratamento dos brancos nos tribunais. Ele verificou que 27% dos brancos
respondem processo em liberdade e apenas 15% dos negros conseguem esse
benefício.
O racismo se originou no
escravismo que perdurou até nos dias de hoje, adquirindo novas formas. Mesmo
com todas as mudanças econômicas, sociais e políticas o negro continuou sendo
visto como inferior.
“Nem tudo é igual ao que
era durante a escravatura, mas as formas de opressão que atuavam sobre os
negros perduram com novas roupagens ou poderíamos dizer o papel da opressão foi
refuncionalizado” (Valente, 1994, p.12).
Para
acabar com o problema racial que existe no Brasil, a mentalidade da sociedade
também precisa mudar, essa não mudará de um dia para o outro, é necessário a
existência de um processo educativo para que aos poucos as pessoas tenham em
mente que o respeito é fundamental, independente de cor ou de raça.
Essas formas de expressão correspondem a uma
gradação no conteúdo de violência do racismo.
O Preconceito é a forma
mais comum, a mais freqüente de expressão do racismo. É a forma mais comum e
mais freqüente porque se trata de um sentimento, ou de uma idéia apenas. Ele
consiste na visão estereotipada de características individuais ou grupais como
correspondentes a valores negativos. As idéias preconceituosas integram o
sistema de valores culturais e podem ser transmitidas pelos sistemas de
comunicação. Um indivíduo pode ser preconceituoso e não agir de modo
discriminativo ou racista, embora isto seja muito raro.
Discriminação:
(do latim discriminatore) substantivo
feminino. 1. Ato ou efeito de discriminar. 2. Faculdade de distinguir ou
discernir, discernimento. 3. Separação, apartação e segregação.
Discriminar pode não
significar marginalizar. Do ponto de vista científico, discriminar requer o uso
da faculdade de discernir. Não se pode discernir uma coisa da outra de modo
preconceituoso. Para discernir é preciso conhecer, analisar.
No mercado de trabalho,
os processos de seleção, em regra discriminam negros e mestiços de forma
preconceituosa por não levar em conta o discernimento feito através de provas e
testes de qualidades e habilidades profissionais.
Racismo:
(do inglês racim - francês racirme) substantivo masculino. 1.
Doutrina que sustenta a superioridade de certas raças. 2. Qualidade, sentimento
ou ato de indivíduo racista.
O Racismo é um sistema
de opressão da diferença marginalizada no qual cada etapa se apoia, nutre-se e
sustenta-se na outra.
A partir do momento em
que grupos raciais, grupos étnicos, grupos culturais, tipos físicos são objeto
da prática racista, tanto a sociedade quanto o Estado ficam ameaçados com suas
práticas.
BIBLIOGRAFIA
Metodologia cientifica /
Eva Maria Lakatos, Marina de Andrade Marconi. - 6. ed. São Paulo: Atlas 2011
O Negro no mundo
dos brancos / Florestan Fernandes. 2. ed revista - São Paulo: Global, 2007.
Racismo: A verdade
dói: encare / texto Conceição Lourenço;
coordenação de texto Jorge J. Okubaro - São Paulo; Editora Terceiro
Nome; Mostarda Editora 2006.
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