segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Resumo:
O ensino de História da África e a questão racial no Brasil
                                                                                   Amauri  Mendes Pereira
                O autor cita como questão central de seu artigo  o ensino de história da África e como o mesmo dialoga e repercute com o interesse de seu público alvo, com os programas, com os cursos e com os  debates da questão racial no Brasil nas aulas de História do Brasil.
                Ele cita uma educadora que falou  de Joseph  Ki-Zerbo  “Ah, aquele historiador da corrente da pirâmide invertida!”  Diz que a educadora equivocou-se ao tomar como sua uma crítica sem o conhecimento necessário dela. Segundo o autor esse desvio interpretativo é comum e por isso precisa ser mais apontado. Registra que Carlos Lopes  respeita Ki-Zerbo, pois reconhece que por sua influente disputa político-acadêmica tornou possível , na atualidade, um  historiador africano abordar a África  sem simplismos e/ou reducionismos desavisados.
                A cultura de nosso país é  centralizada na Europa. Esse elemento é responsável pelo número reduzido de historiadores e cientistas sociais habilitados em estudos africanos e aptos para contribuir com os cursos de formação geral e licenciaturas. Nesse sentido, observa-se distorção da consciência social a respeito da África, do negro e da cultura negra. Alguns estudiosos são exceção. Dedicaram-se durante a qualificação a formar critérios relativos a temas e bibliografia que abordam  Brasil sem África, sem questão racial.
                A implementação da  lei 10.639/03 busca introduzir no ensino básico a História da África, História e Cultura Afro-Brasileira aberta a novas significações. Enfrenta-se  brincadeiras racistas, comentários raciais maliciosos e estereotipados. A dificuldade de ler os mapas e perceber que o Egito compõe o continente africano voltar-se ao século X e relembrar a pobreza material da Europa medieval  e reconhecer que isso não é exclusivo do primitivismo Africano. A tendência a identificar duas Áfricas, uma branca e outra negra, ignorando a antiguidade do comércio que liga o mediterrâneo, áreas e povos subsaarianos e as regiões orientais.
                Os trabalhos de Gilberto Freyre apontam as ideias revolucionárias do relativismo cultural de Franz Boas. Freyre valorizou o negro,suas características, crenças, hábitos exóticos, reconheceu sua importância na formação da sociedade, porém há um vazio de resistências e de iniciativas. Não cita em sua obra as tensões nas relações dos escravos com a casa grande, as fugas, as perseguições a formação de quilombos.

                O assunto é inesgotável, resta conhecer melhor a África, rever alguns conceitos das relações raciais no Brasil, buscar a verdade na produção do conhecimento,  reconhecer a contribuição do negro para a formação da nação brasileira e superar dilemas históricos, preconceitos arraigados na população em busca da efetiva democracia, também racial.

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