Resumo:
O ensino de História da África e
a questão racial no Brasil
Amauri Mendes Pereira
O
autor cita como questão central de seu artigo o ensino de história da África e como o mesmo
dialoga e repercute com o interesse de seu público alvo, com os programas, com
os cursos e com os debates da questão
racial no Brasil nas aulas de História do Brasil.
Ele
cita uma educadora que falou de Joseph Ki-Zerbo “Ah, aquele historiador da corrente da
pirâmide invertida!” Diz que a educadora
equivocou-se ao tomar como sua uma crítica sem o conhecimento necessário dela. Segundo
o autor esse desvio interpretativo é comum e por isso precisa ser mais
apontado. Registra que Carlos Lopes
respeita Ki-Zerbo, pois reconhece que por sua influente disputa
político-acadêmica tornou possível , na atualidade, um historiador africano abordar a África sem simplismos e/ou reducionismos
desavisados.
A
cultura de nosso país é centralizada na
Europa. Esse elemento é responsável pelo número reduzido de historiadores e
cientistas sociais habilitados em estudos africanos e aptos para contribuir com
os cursos de formação geral e licenciaturas. Nesse sentido, observa-se
distorção da consciência social a respeito da África, do negro e da cultura
negra. Alguns estudiosos são exceção. Dedicaram-se durante a qualificação a
formar critérios relativos a temas e bibliografia que abordam Brasil sem África, sem questão racial.
A
implementação da lei 10.639/03 busca
introduzir no ensino básico a História da África, História e Cultura
Afro-Brasileira aberta a novas significações. Enfrenta-se brincadeiras racistas, comentários raciais
maliciosos e estereotipados. A dificuldade de ler os mapas e perceber que o Egito
compõe o continente africano
voltar-se ao século X e relembrar a pobreza material da Europa medieval e reconhecer que isso não é exclusivo do
primitivismo Africano. A tendência a identificar duas Áfricas, uma branca e
outra negra, ignorando a antiguidade do comércio que liga o mediterrâneo, áreas
e povos subsaarianos e as regiões orientais.
Os
trabalhos de Gilberto Freyre apontam as ideias revolucionárias do relativismo
cultural de Franz Boas. Freyre valorizou o negro,suas características, crenças,
hábitos exóticos, reconheceu sua importância na formação da sociedade, porém há
um vazio de resistências e de iniciativas. Não cita em sua obra as tensões nas
relações dos escravos com a casa grande, as fugas, as perseguições a formação
de quilombos.
O
assunto é inesgotável, resta conhecer melhor a África, rever alguns conceitos
das relações raciais no Brasil, buscar a verdade na produção do conhecimento, reconhecer a contribuição do negro para a
formação da nação brasileira e superar dilemas históricos, preconceitos
arraigados na população em busca da efetiva democracia, também racial.
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