POR
DENTRO DAS RELIGIÕES
Anglicanismo
Originada
nas províncias inglesas de York e Cantebury, o Arcebispo de Cantebury possui o
Primado da Inglaterra. Quanto à organização, trata-se de um sistema
hierarquizado, em que os bispos são responsáveis pelas dioceses e as paróquias
são administradas por pastores. O Arcebispo de Cantebury é a autoridade máxima
em relação às igrejas, embora estas sejam independentes entre si. Os anglicanos
utilizam o Livro do Orador Comum (livro doutrinário, dividido em 39
artigos) e o Livro Alternativo de Serviço como orientadores espirituais.
Esta religião recebe influências do catolicismo, ainda que as tendências
predominantes sejam protestantes. A origem do Anglicanismo é remontada ao ano
de 1534, em que houve a ruptura de Henrique VIII em relação ao Papa e a Roma.
Henrique VIII, desta forma, assumiu a máxima autoridade religiosa anglicana,
assim como os reis ingleses que o sucederam.
Bahaismo
O
Bahaismo consiste numa religião de origem persa, cujas diretrizes doutrinais
baseiam-se em crença de caráter monoteísta. Apesar do caráter monoteísta, o
bahaismo prega a unificação de todas as crenças, às quais deveriam se dirigir a
um único deus. Os códigos sagrados bahaistas, o Kitab al-Aqdas, "O
Livro Sagrado", e o Ketab e Igqan, o "Livro da
Certeza", formam as bases doutrinais desta crença, pregando como valores
obrigatórios para seus seguidores as orações diárias, a monogamia, a
abstinência de drogas e álcool, além da prática do jejum durante 19 dias do
ano. Aliás, o sistema de calendário bahaista convenciona a contagem de 19 meses
para cada ano, sendo que cada mês possui 19 dias. De acordo com o calendário
internacional, as principais datas religiosas bahaistas ocorrem nos dias 21 de
março (Ano Novo) , assim como em 21 e 29 de abril (declaração da missão de
Baha'ullah). Em seus códigos sagrados, não há referências a nenhum episódio
apocalíptico, pois nesta religião não se acredita em intervenções divinas de
modo direto, de uma maneira geral. O destino cabe sobretudo ao homem, que é
responsável por suas ações, embora seja admitida a idéia da inevitabilidade das
mudanças na ordem do mundo. A igualdade entre os sexos também é tema pregado
nos livros sagrados bahaistas. A religião bahaista teve Mirza Hosein Ali
(1817-1892) como fundador. Este é conhecido como o próprio Baha'ullah, palavras
cujos significados remetem à idéia de "a glória de Deus". A religião
de Baha'ullah não apresenta organização clerical formal, assim como nenhum
sacramento. Apesar disto, os acontecimentos marcantes na vida dos seguidores,
como os casamentos, funerais e batismos, possuem seus cultos cerimoniais. Há
locais para os cultos, como os templos e santuários. Em cada continente do
mundo há pelo menos um foco de concentração dos seguidores do Bahaismo.
Budismo
O
Budismo originou-se nos fins do Período Bramânico na Índia, que se estendeu
aproximadamente entre os séculos IX e III antes de Cristo. Tal período pode ser
subdividido entre um período bramânico ortodoxo (período de predominação dos
Bramanas), um período bramânico desviante (do qual originaram-se as Upanisadas)
e período das heterodoxias. Este último dá lugar à origem do jainismo e do
budismo. De uma maneira geral, o budismo prega um caminho de libertação e
salvação mais individualizado. No decorrer de sua existência, a crença budista
subdividiu-se em duas correntes: o Budismo Theravada, mais próximo da origem
dos ensinamentos budistas (prega um único caminho para a redenção: esforço e
disciplina), e o Budismo Mahayana (predominante, por exemplo, em países como o
Butão, país sob regime monárquico constitucional, e na Coréia do Sul), do qual
geraram-se doutrinas como a Bodhisattva e o Zen-Budismo, esta última possuindo
foco de concentração no Japão (embora neste último país predomine a religião
xintoísta). O Budismo, de modo geral, é organizado sob um sistema monástico. O
principal livro sagrado budista consiste no Tripitaka, livro
compartimentado em três conjuntos de textos que compreendem os ensinamentos
originais de Buda, além do conjunto de regras para a vida monástica e
ensinamentos de filosofia. A corrente do Budismo Mahayana ainda reconhece como
códigos sagrados os Prajnaparamita Sutras (guia de sabedoria), o Lankavatara
(revelações em Lanka) e o Saddharmapundarika (leis). A crença budista
toma a reencarnação como verdade. O sistema budista de crença é baseado em
quatro princípios ou verdades fundamentais: o sofrimento sempre se faz presente
na vida; o desejo é a causa crucial do sofrimento; a aniquilação do desejo leva
à aniquilação do próprio sofrimento; a libertação individual é atingida através
do Nirvana. O Nirvana contraria-se à idéia do Samsara (o ciclo de nascimento,
existência, morte e renascimento). Para os budistas, o caminho da libertação e
atingido a partir do momento em que o ciclo do Samsara é quebrado. O rompimento
do ciclo da vida é justamente o Nirvana, o qual pode ser alcançado através de
passos: a compreensão correta, o pensamento correto, o discurso correto, a ação
correta, a vivência correta, o esforço correto, a consciência correta, a
concentração correta. Todos estes passos são perseguidos através da
auto-disciplina e da meditação, além de exercícios espirituais. O Budismo foi
fundado na Índia em aproximadamente 528 a.C. pelo príncipe Sidarta Gotama, o
Buda (o Iluminado, cuja existência se estendeu aproximadamente de 563 a 483 a.C.),
Hoje em dia, a maior concentração de seguidores budistas localiza-se na região
do leste asiático). A Índia atual, na verdade, possui grande maioria hinduísta
(pouco mais de 80% de sua população total).
Confucionismo
Há
duas correntes confucionistas: uma delas associa-se a Confúcio e Xunzi, tendo
preceitos como a obediência aos códigos tradicionais de comportamento para os
interesses pessoais próprios de cada indivíduo; outra corrente associa-se a
Mêncius e seus preceitos são baseados no dever da conduta humana ser
estabelecida de acordo com a própria natureza moral individual. O Confucionismo
não possui uma organização clerical formalizada e não há igrejas. Ainda no
Confucionismo, não há a adoração de divindades, assim como não há ensinamentos
sobre a vida após a morte. As idéias confucionistas são baseadas em três obras:
os Anacletos, a fonte dos ensinamentos de Confúcio; o I Ching, o
livro das alterações do destino; o Mengzi, livro de Mêncius, o segundo
sábio do Confucionismo. O país onde o Confucionismo conquistou mais adesões, ao
lado do Budismo e do Taoísmo, é a China.
O Confucionismo, não se referindo a divindades e mantendo-se distante de teoria
de vida após a morte, acaba constituindo mais predominantemente um sistema
filosófico, não possuindo quase nenhuma das características marcantes em todas
as religiões. A origem do Confucionismo é remontada ao século VI antes de
Cristo, tendo sido fundada por Kongzi (o próprio Confúcio - por volta de 551 a
479 a.C.).
Cristianismo
Muitas
doutrinas cristãs diferenciadas entre si surgiram desde as primitivas
comunidades cristãs. A origem destas comunidades se deu em plena expansão do
Império Romano. Como o Imperador romano era a também a figura religiosa máxima
do Império, quaisquer seitas eram prejudiciais ao seu poder absoluto. Desta
forma, as comunidades cristãs deste período foram perseguidas. No entanto, mais
tarde, o Império Romano adotaria as crenças cristãs como sua religião oficial,
ocorrendo assim a fundação da Igreja de Roma. A partir desta, originaram-se as
diversas doutrinas cristãs. Com a excomunhão do Patriarca de Constantinopla
pelo Papa, em 1054, gerou-se um cisma e, como conseqüência, a fundação de uma
outra doutrina, a Igreja Ortodoxa, cuja concentração de fiéis localiza-se mais
ao leste europeu e porções centrais ao longo do continente asiático. Por outro
lado, séculos mais tarde, a Reforma, desencadeada por Martinho Lutero, foi um
movimento de contestação aos preceitos religiosos e à própria organização
clerical católica. Assim, surgiram diversas doutrinas, sob a ordem do
protestantismo. Ao longo dos tempos, foram várias as religiões originadas a
partir desta ramificação (Igreja Luterana, Igreja Metodista, Igreja
Presbiteriana, Igreja Anglicana etc.). O marco fundamental da origem do
cristianismo refere-se ao nascimento de Jesus Cristo. Uma série de feitos
miraculosos são vinculados à figura de Jesus. Neste período, a disseminação da
religião pelas camadas mais populares se deveu à dedicação nas pregações
realizadas pelos doze apóstolos de Cristo (André, Bartolomeu, Felipe, Jaime,
Jaime filho de Alfeu, João, Judas Iscariotes, Judas Tadeu, Mateus, Pedro, Tadeu
e Tomás). Mas a grande expansão cristã deu-se, séculos mais tarde, com a
própria expansão colonial dos povos cristãos europeus colonizadores, que
levaram a fé cristã para além-mar, no período das Cruzadas. No Brasil, a fé
cristã foi trazida inicialmente pelos primeiros catequizadores da Companhia de
Jesus. O calendário internacional toma o nascimento de Jesus Cristo como marco
referencial para a contagem dos anos. As datas cristãs comemoradas são o Natal
(nascimento de Jesus Cristo), o Dia de Reis, a Quaresma e a Páscoa. A Ascensão
e os Pentecostes também constituem datas comemorativas, embora sejam mais
difundidas apenas entre os seguidores de algumas das doutrinas originadas do
Cristianismo. A Bíblia Sagrada, constituindo a obra central para o Cristianismo
como um todo, encerra as idéias fundamentais da crença. O Cristianismo
baseia-se na crença monoteísta, ao contrário das crenças contemporâneas à sua
origem. Segundo a religião, Deus é o criador de todas as coisas no Universo,
tendo criado o mundo em sete dias (Gênese). As religiões cristãs preconizam o
amor a Deus e ao próximo, conforme os ensinamentos de Jesus. Acredita-se na
ressurreição de Cristo, e é estabelecido o conceito da Santa Trindade, em que
Deus é pai, Jesus Cristo o filho, e o Espírito Santo a presença contínua de
Deus na Terra.
Hinduísmo
Tendo
sua origem remontada ao ano de 1500 a . C., a religião hinduísta foi
estabelecida pelos invasores arianos da Índia. Os textos védicos antigos
descreviam um universo cercado de água. No período dos arianos, ou árias
(homens), a explicação de suas divisões sociais era encontrada nos Vedas: da cabeça
do deus primordial saíram os brâmanes (casta social dominante), dos braços
saíram os guerreiros, das pernas os produtores e dos pés os servos (não-árias,
ou "não-homens"). O mundo, conforme a concepção desta época foi
formado a partir da organização, por força divina, de um caos preexistente. No
sistema religioso hinduísta atual há uma série de ramificações, que geraram
crenças e práticas diversas, assim como há muitos deuses e muitas seitas de
diversas características. O Hinduísmo tem sua ênfase no que seria o modo
correto do viver (dharma). Os cultos hinduístas são realizados tanto em
templos e congregações quanto podem ser domésticos. A cerimônia mais comumente
realizada é relativa à oração (puja). A palavra "Om",
representa a vibração original, uma vibração que transcende o início, o meio e
o fim de todas as coisas, vinculando-se, desta maneira, à imagem da própria
divindade. Os códigos sagrados do Hinduísmo são: os Vedas, consistindo
em escrituras que incluem canções, hinos, dizeres e ensinamentos; o Smriti,
escrituras tradicionais que incluem o Ramayana, o Mahabarata, e o
Bhagavadgita. O Hinduísmo é a religião atualmente predominante na Índia
(pouco mais de 80% da população).
Jainismo
Em sua
origem, o Jainismo constituiu, ao lado do Budismo, uma vertente surgida no
período das heterodoxias decorrentes da tradição bramânica na Índia. No
decorrer de sua existência, a religião separou-se em duas vertentes: a
Svetambara, que segue os cânones das escrituras que contêm os sermões e
diálogos de Mahavira; e o Digambara, que acredita que os ensinamentos originais
foram perdidos, mas a mensagem original é preservada. Os textos sagrados do
Jainismo são: os Culika-sutras, que se dirigem à natureza da mente e do
conhecimento; os Chedra-sutras, que contêm as regras do ascetismo para
os monges jainistas; o Ágama, texto especificamente seguido pela
vertente Svetambara, considerando este texto como uma coleção de diálogos do
próprio Mahavira. O sistema monástico regido por regras de ascetismo
caracteriza a organização jainista. Além do ascetismo, outras regras devem ser
seguidas: devoção à "tarefa" por toda a existência, abstenção total
de posses pessoais, celibato e recusa do ato sexual, nunca prejudicar quaisquer
seres vivos, nunca mentir e nunca roubar. A origem do Jainismo é remontada à
Índia do século VI a. C., cuja fundação foi desencadeada por Vardhamana
Mahavira.
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